"𝐬𝐚𝐲 𝐢'𝐥𝐥 𝐛𝐞 𝐡𝐞𝐫𝐞, 𝐢'𝐥𝐥 𝐛𝐞 𝐡𝐞𝐫𝐞"
Onde Elizabeth Stagg tem um histórico de relacionamentos tão ruins quanto sua reputação.
Ou
Onde Vance Hopper não entende os sentimentos que surgiam em relação a colega de classe.
...
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SEGUNDA FEIRA, 1978
A sala de artes inutilizada do terceiro andar está quente pelo forte sol do lado de fora e empoeirada, fazendo o nariz de Billy ficar vermelho e seus olhos lacrimejarem. Eu já até havia esquecido quantas vezes nós, eu, Billy, Sophia, e, algumas vezes, Griffin, ficamos escondidos aqui durante o intervalo, apenas para não ter que interagir com outras pessoas, ou pra fumar escondido. Ninguém vem pra cá mesmo.
Billy e Sophia me observam bastante surpresos e em choque enquanto relato a eles as coisas que minha mãe havia feito por mim já algumas horas atrás. Bem, depois daquilo ela só deixou eu me secar, colocar roupas limpas e aceitáveis, o que consiste em calças jeans, uma camiseta dos Ramones e um coturno qualquer, nada que chame a atenção, e eu cheguei aqui no início da segunda aula. Eu queria ter ficado lá, receber mais carícias dela, conversas sobre garotos, mas... Eu não consegui. Parte de mim se sentiu estranha, e, pro meu profundo desgosto, em alguns dias Michael vai voltar de viagem.
— Então... Você tá dizendo que sua mãe, a Melanie Stagg, agiu como... sua mãe?— Billy pergunta com um tom quase que duvidoso, e eu não o culpo, dada as circunstâncias. Sophia apenas escuta a conversa ainda com a boca entreaberta em puro choque, algo quase cômico.— Ela tá tomando os remédios de novo?
— Porra, não só isso. Ela recobrou o juízo.— Sophia diz com um tom quase animado. Claro que ela estava feliz por mim. Ela sabe de tudo o que já aconteceu entre mim e minha, então isso é quase como uma vitória pessoal.
— Eu não sei se ela tá tomando os remédios de novo, mas...— Começo a contar, me recordando de suas palavras: "Eu não sei. Você se parece um pouco com seu pai, mas... Você é minha versão com olhos azuis, e essa sua maneira de agir... Faz eu lembrar de mim mesma na minha adolescência."— Ela diz que eu faço ela se lembrar dela mesma na adolescência.
—Bizarro.— A voz de Sophia ecoa após uns segundos de silêncio, fumando um cigarro próxima a janela entreaberta, o sol refletindo seus cabelos loiros de forma quase elegante.
—Você... acha que isso influencia a forma como ela trata você?— Billy pergunta com certa relutância, ainda parecendo assimilar tudo aquilo.
—Não sei.— Dou de ombros, inalando o cheiro de cigarro presente na sala fechada.— Isso quer dizer o que? Que ela se odeia e por isso desconta tudo em mim só porque, sei lá, eu herdei a porra do borderline dela?
—Isso é totalmente algo que sua mãe faria.— Sophia fala, soltando a fumaça do cigarro pela boca, e Billy concorda com a cabeça. Odeio quando ela tem razão.
—Vai se fuder.— Suspiro de forma dramática, deitando minha cabeça na janela.— Isso é tão fudido que me dá dor de cabeça.
—É aquele velha história— Ela começa, falando como uma velha anciã sábia e essas merdas.— Mães problemática criam filhas problemáticas, que vão criar outras filhas problemáticas, e aí vai ser um ciclo inquebrável até no que uma delas entre na terapia.— A loira termina de falar, me deixando com os olhos arregalados e a boca de Billy entreaberta. Isso foi cruel.