Uma bruxa, magoada e com ego ferido, profetizou a ruína do rei de Celestia e a chegada de seu filho, que traria o fim à dinastia Magnus; a morte e a desonra andariam ao seu lado. Mas eram apenas boatos, histórias para assustar crianças, e Ellianor M...
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Ellianor respirou fundo pela enésima vez, tentando manter a compostura. Era uma manhã comum em Celestia, mas o peso daquela decisão tornava o ar opressivo. O sol mal se atrevia a ultrapassar as nuvens, lançando escassos feixes de luz na sala do trono. Esses raios tímidos iluminavam as grandes portas e os guardas à entrada, enquanto Ellianor roía as unhas até a carne e girava os anéis incessantemente, aguardando Guida e os outros.
Naquela manhã, convocara Peter, o aprendiz de sacerdote, um jovem membro do Conselho Prateado, e o grande sacerdote, um homem em quem confiava plenamente. Há pouco descobrira que Brianna era uma bruxa — e em Celestia, magia era um crime imperdoável.
Ellianor não podia ignorar o que Brianna havia feito. Magia poderia ser usada para salvar vidas, como no caso de Aagi, cuja feitiçaria ressuscitara Cedrick. Mas Brianna envenenara a lâmina de Dorian, quase levando Cedrick à morte. Esse ato traiçoeiro não ficaria impune. Quando o estalo ecoou na sala, ela ergueu os olhos. As portas se abriram com um rangido pesado, revelando Guida e três guardas, escoltando o velho sacerdote e Peter. O som de seus passos sobre o mármore reverberou até o trono. Ellianor ajeitou-se na cadeira, erguendo a cabeça. Quando o sacerdote se curvou, ela engoliu em seco.
— Minha rainha mandou me chamar? — perguntou o velho, sua voz rouca e cheia de chiados. Ele era uma visão impressionante, mesmo em sua decrepitude. Os olhos, vermelhos e profundos, pareciam ter visto eras de dor. O nariz arqueava-se para baixo, quase como se o tempo o estivesse derretendo. As rugas se amontoavam sob a pele flácida do pescoço, enquanto a túnica marrom, bordada com os emblemas do reino e símbolos sagrados, arrastava-se pelo chão.
— Mandei. — a voz de Ellianor era firme, mas contida. — Como sabe, nossas leis são claras e rígidas. Por isso, convoquei-o para um julgamento, perante a fé e a lei dos homens.
— Aquele que usa a coroa deve, acima de tudo, honrar a Deus, — respondeu o sacerdote, erguendo-se lentamente. — Diga-me, majestade, o que exige um julgamento tão severo?
— Magia. — A palavra foi dita num sussurro gélido, mas seu peso preencheu a sala.
Os olhos do velho arregalaram-se. Ele abriu a boca, mas nenhuma palavra saiu de imediato. Ficou petrificado, como se o ar tivesse sido arrancado de seus pulmões.
— Ma...magia? — gaguejou, a voz trêmula.
— Uma surpresa para todos nós, — respondeu Ellianor, com calma. — Descobrimos após o julgamento por combate. Cedrick foi ferido gravemente, e nenhum tratamento conhecido pôde ajudá-lo. O ferimento... era algo de outro mundo. — a sala permaneceu em silêncio. Então ela continuou: — Em questão de minutos, a ferida escureceu. A carne apodreceu, o odor era insuportável, e um líquido verde e viscoso escorria. Isso não era obra de uma prata comum. Foi magia negra, meu senhor.
— Talvez sua majestade não esteja acostumada às feridas de batalha, — murmurou Peter, com um tom de desdém mal disfarçado.
Antes que Ellianor pudesse responder, Guida lançou-lhe um olhar cortante.