BÔNUS II

84 15 32
                                        

Só porque eu surtei de novo kkkk

Beijos Amorinhassss

Capítulo 1: Ausência e Silêncio

Julianne Moore e Christiane Torloni despertaram quase ao mesmo tempo, ambas esticando os braços na cama. No entanto, ao se darem conta da ausência de Meryl, um silêncio inquietante pairou. Era raro acordarem sem a presença dela entre elas, ainda mais em um domingo.

Levantaram-se, trocando olhares cúmplices, e seguiram para a cozinha. A mesa do café da manhã estava posta, um detalhe característico de Meryl, mas algo estava fora do normal: aquele não parecia ser o comportamento normal da  Meryl delas.

Christiane, a mais observadora, franziu o cenho ao notar o celular apitando sobre o balcão. Uma mensagem de Meryl:

"Fui caminhar na praia com Nike. Volto em breve. Não se preocupem."

Nike, o fiel pastor alemão de Henry, estava sob os cuidados de Meryl enquanto o filho viajava. Mesmo assim, a mensagem não dissipou a inquietação. Christiane releu o texto enquanto Julianne, com seu jeito calmo, tentava racionalizar.

— Talvez ela só precise de um tempo para pensar — sugeriu Julianne.

— Ela não está bem, Jules. Eu conheço aquele tom, mesmo em palavras.

Na orla deserta, com o vento gelado cortando sua pele, Meryl Streep caminhava com passos pesados. Nike a acompanhava, ora correndo, ora retornando para verificar sua dona. A dor que ela carregava no peito era mais cortante que o frio daquela manhã sem sol.

Mamie, sua filha mais velha, havia proferido palavras que ecoavam em sua mente desde a noite anterior. Sempre tão impulsiva, ela não poupou críticas à mãe:

"Você está se expondo ao ridículo, mãe! Namorar duas mulheres? Na sua idade? Isso não é amor, é crise de meia-idade tardia."

Ao contrário de seus outros filhos, que aceitavam e até apoiavam seu relacionamento com Julianne e Christiane, Mamie se recusava a enxergar além de seus preconceitos.

Enquanto as lágrimas silenciosas escorriam, Meryl sentiu a necessidade de recompor-se antes de voltar. Sabia que Julianne e Torloni perceberiam sua inquietação, mas não queria dividir aquele peso.

Antes de retornar, Meryl entrou em uma pequena confeitaria que conhecia bem. O aroma acolhedor de pães recém-assados trouxe um breve alívio. Ela escolheu o doce favorito de cada uma de suas namoradas: uma tartelette de limão para Julianne, sempre fã de sabores cítricos, e um brigadeiro gourmet para Christiane, que amava o doce típico brasileiro.

Ao chegar em casa, encontrou as duas à sua espera, com olhares mistos de preocupação e alívio.

— Bom dia, minhas amadas — disse, forçando um sorriso enquanto segurava os doces.

— Bom dia, Meryl — respondeu Torloni, sem tirar os olhos dela. — Caminhada reflexiva?

Julianne aproximou-se, segurando delicadamente a mão de Meryl.

— Quer conversar?

Por um momento, Meryl pensou em se abrir, mas optou por um meio-termo.

— Talvez mais tarde. Agora, só quero aproveitar o dia com vocês.

As três se sentaram à mesa, com Nike deitado aos pés, enquanto o dia lentamente se desenrolava.

O Peso do Silêncio

Meryl ajustou o avental em silêncio, afastando delicadamente Julianne e Christiane que insistiam em ajudá-la.

— Eu preciso de um tempo sozinha — disse, forçando um sorriso enquanto escondia os olhos marejados.

O Legado do DesejoOnde histórias criam vida. Descubra agora