Professora

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PAT

Sinto um pouco de vergonha quando o professor leva o Dean para o banheiro pra se limpar antes de comer, ele explica com muita paciência porque tem que lavar as mãos antes das refeições e o que acontece se não lavar, levanta o Dean para alcançar a torneira e diz que vai dar um banquinho de presente pra ele conseguir fazer sozinho. Tudo isso me faz sentir um péssimo pai, claro que eu deveria ensinar essas coisas pro meu filho, ele estava comendo bolo direto da forma e em nenhum momento eu pensei em lavar a sua mão. Sem contar o quarto, ver o Dean andando com os brinquedos perguntando para o Pran se devia doar alguns, pelo jeito foi algo que o professor falou na escola, então guardando cada um deles e deixando o quarto organizado...

Eu realmente sou um péssimo pai!

O professor olha pra mim e percebo que acabei suspirando alto, um hábito que tenho quando estou frustrado, tento sorrir, pois não quero estragar o nosso dia, mas pelo seu olhar preocupado sei que não o enganei.

— Esta bom assim, Titi?

— Esta sim, você se saiu muito bem! Agora vamos secar as suas mãos e podemos comer.

— Tá!

O Pran coloca o Dean no chão, espera ele secar as mãos, pendura a toalha, então se abaixa.

— Vai pra mesa e espera enquanto nós lavamos as mãos. Ok?

O meu filho concorda e sai do banheiro sorrindo, ainda estou olhando pra ele quando o Pran me puxa para dentro do banheiro e encosta a porta, mas toma cuidado pra não fechar totalmente. Ele se aproxima tocando o meu rosto, com um olhar preocupado.

— Você está bem?

— Aposto que você não me acha um pai tão incrível agora, não é?

— Porque?

A sua confusão é visível, mas eu não quero falar sobre isso, então mudo de assunto.

— Me desculpe pelo que aconteceu com a minha mãe.

Se antes ele parecia preocupado agora está muito pior, posso ver o pânico no seu olhar, por isso seguro o seu rosto e o beijo.

— Está tudo bem, eu expliquei tudo sobre nós.

— Nós?

— Sim, nós. Você é importante pra mim e eu confio na minha mãe, uma hora ou outra eu acabaria contando, melhor que seja agora, ela vai te ver por aqui com frequência.

— Pat, eu não posso ficar vindo aqui...

— Porque não? Eu quero você aqui e o Dean quer você aqui, é perfeito!

— Mas... As pessoas podem falar...

Isso é verdade, eu acabei pensando só no que eu e o Dean queremos, mas eu não seria o único afetado se fofocas começassem a se espalhar.

— Eu sinto muito, sei que sendo quem sou, eu posso te prejudicar...

— Ei, não! Pat, você não entende, não é você, somos nós, o que estamos fazendo... As pessoas já te criticam sem um motivo real, se souberem que nós estamos... Juntos...

Ele para de falar e por um momento não sei o que dizer, ainda é difícil ser a prioridade de alguém, ter uma pessoa que se preocupa mais comigo do que com ele mesmo.

O meu coração acelera e eu tenho que me controlar para não dizer o que realmente está passando pela minha cabeça nesse momento, a minha mãe perguntou se eu o amava, ainda não sei dizer se o amo, mas posso dizer que com certeza estou apaixonado.

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