PAT
O Pran continua me olhando nervoso, mas eu não consigo deixar de sorrir, é a coisa mais fofa do mundo ver o Dean agarrado nele e não querer soltar de jeito nenhum.
Foi um dia incrível, acho que desde que conheci o professor essa é uma sensação constante, mas foi incrível mesmo. O Dean contou que o Pran canta na escola pra ensinar os alunos, fiquei tão animado pra ver isso que corri na minha mãe e peguei o velho aparelho de karaokê dela, deu trabalho fazer funcionar, mas no momento em que ouvi a voz dele valeu a pena. Nós cantamos várias músicas, a maioria infantil, até o Dean ficar cansado, então comemos um lanche e eu arrumei ele pra levar na casa da minha mãe. Até aí estava tudo tranquilo, quando ele percebeu que o professor estava indo embora se agarrou nele e está assim até agora.
— Pat...
Apesar de gostar muito de ver os dois juntos o olhar preocupado do Pran me quebra, então eu vou até eles e beijo a cabeça do Dean.
— Goldeanzinho, nós precisamos ir, amanhã você vai ver o professor na escola.
— Eu quero ficar com o Titi!
Ele abraça o Pran com força e esconde o rosto no seu ombro, penso no que fazer e decido por uma ameaça.
— Se você fizer isso o professor não vai querer mais voltar.
Na hora ele me olha assustado e o Pran irritado, mas eu conheço o filho que tenho, isso vai funcionar.
— Vamos combinar assim, o professor vai passar o dia aqui com a gente amanhã de novo. Você quer?
— Pat...
Nós olhamos para o Pran, apesar de parecer muito irritado ele não fala nada, eu pego o Dean que dessa vez vem sem reclamar, quando coloco ele no chão o professor se afasta, acho melhor levar o Dean na minha mãe de uma vez antes que ele desista de ir jogar bola comigo.
— Diz tchau pro professor, Dean.
O Dean corre até o Pran, mesmo irritado ele abaixa e abraça o meu filho.
— Tchau, Titi!
— Te vejo amanhã, Dean.
Eles ficam assim por um tempo, até o Pran afastar o Dean e passar a mão na sua cabeça.
— Se comporte, come todo o jantar, tome banho antes de dormir e não esqueça de escovar os dentes.
— Tá bom...
O Dean abraça ele mais uma vez, depois corre para pegar o novo dinossauro no sofá e vem até mim, quero muito beijar o professor antes de sair, mas como ele continua com aquela cara de gato arisco eu não vou arriscar.
— Eu já volto...
Sorrio e seguro a mão do Dean, quando chego na porta olho para trás, mas não aguento ver ele assim, então vou até o professor e o beijo, é um beijo rápido, mas como ele não me afastou acho que está tudo bem. Beijo ele mais uma vez e falo baixo no seu ouvido.
— Porque você não me espera no chuveiro? Eu quero muito...
— Papai?
Sinto o meu pau reclamando assim que o Pran se afasta nervoso, acho que não vou conseguir nada aqui, é melhor levar o Dean na minha mãe e aproveitar o pouco tempo que teremos antes de sair.
~•~
Chego em casa e não tenho muita certeza sobre como agir, será que eu posso só entrar no banheiro ou bato na porta?
Sei que a minha mãe o magoou com o que fez, sempre gostei dele ser tão expressivo, mas hoje isso partiu o meu coração, porque no fim eu não posso protegê-lo da minha própria família, como vou proteger dessa cidade maldita? Nunca fui de questionar as minhas escolhas, mas agora eu duvido de mim mesmo, será que é certo fazer o professor passar por isso? Parece egoísmo meu já que ele não queria nada disso.
Ouço a sua voz doce e me aproximo para ouvi-lo cantar, a música vem para confirmar o que eu temia, ele está triste e acho que também tem as suas dúvidas. Encosto na parede, fecho os olhos e fico ouvindo a canção desconhecida.
Mais uma vez, tenho que encarar esse mesmo sentimento antigo que continua me assombrando e não me deixando ir.
Mais uma vez, falhei no amor.
Nunca tive um final feliz, como dessa vez que você veio me dizer que queria terminar e simplesmente foi embora.
Quantas vezes mais terei que suportar? Quanto tempo terei que sofrer antes de encontrar um bom tipo de amor?
É essa a hora de novo que tenho que dizer adeus ao amor?
Não sei por que nunca há um bom amor para mim...
Quando não aguento mais abro a porta e vou até ele, o professor me olha surpreso, mas não diz nada quando me aproximo e paro na sua frente. Ficou olhando nos seus olhos tristes tentando entender tudo o que estou sentindo, dúvida, preocupação, medo, alegria e paixão, talvez até algo mais. Como pode ele ter se tornado tão especial nesse curto período de tempo? Mesmo com as dúvidas eu não consigo imaginar a minha vida sem ele, é isso que o Pran é, isso que se tornou, parte da minha vida, uma parte de mim mesmo.
Eu o beijo mostrando o que ainda não posso expressar em palavras. Que o quero ao meu lado, que o amo.
~•~
Saio do banheiro secando o meu cabelo e pego a roupa que uso pra jogar bola, coloco uma cueca e viro pegando o Pran me encarando com uma cara que me deixa com tesão só de imaginar o que ele está pensando, quando visto o calção a sua expressão muda para irritação, ele aponta pra mim e diz.
— Não tem outra roupa?
Olho para baixo tentando entender, mas estou perdido aqui.
— É o uniforme que eu sempre uso pra jogar futebol.
— Você corre usando isso?
— Claro... Qual o problema?
Ele parece cada vez mais irritado o que me deixa muito perdido, é um calção normal, todos os caras usam, é o uniforme do time, o Pran vai usar um parecido, pedi pro John arrumar um do outro time pra ele.
— Pat, eu tenho certeza que esse calção não esconde nada, agora mesmo eu consigo ver tudo!
Olho pra baixo e sorrio, agora eu entendi o problema, a cara do professor realmente me deixou com tesão.
— Ei, não me culpe, eu estou assim por sua causa, não vai ficar assim quando eu estiver jogando.
— Eu já vi o seu pau, Pat, tenho certeza que vai ter muito pra mostrar com esse calção.
Ainda sorrindo eu me aproximo e o abraço.
— Se for o caso, espero ter uma grande visão quando você vestir o seu. — Beijo embaixo do seu ouvido e falo baixo. — Eu também já vi o seu pau, professor, é uma visão e tanto.
— Pat!
Ele tenta me empurrar, mas eu não deixo, beijo o seu pescoço várias vezes ouvindo ele rir e gritar pedindo para eu parar. Antes de me afastar beijo ele até perder o fôlego e falo.
— Eu estou louco pra te jogar nessa cama e terminar o que começamos no banho.
Claro que o professor é muito mais controlado que eu, ele arruma a camisa cobrindo a ereção e responde com um sorriso debochado.
— Está com medo de não conseguir terminar o que começamos quando voltar ou de perder o jogo pra mim?
Quase não consigo acreditar que o Pran disse isso, não sei o que me ofende mais, mas agora eu vou ter que ganhar esse jogo, depois vou pedir o meu prêmio.
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Notas:
Música Good Love do Nanon / Triple N
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Daddy
FanficPat, um pai solteiro que enfrenta as dificuldades de criar seu filho sozinho, e Pran, um professor primário recém-chegado que luta para ser aceito em seu novo emprego, têm seus caminhos cruzados quando Pran começa a dar aulas para o filho de Pat. Em...
