Travesso

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PRAN

— Vai sair de novo?

Eu me assusto com a voz do meu tio vindo de algum lugar não muito distante. Ele aparece na porta da despensa esperando pela resposta, o que é um pouco ridículo, acho que a imagem que ele tem de mim ainda é da criança que eu era quando o meu pai me levou daqui.

— Eu vou jogar futebol com um amigo.

— Amigo? Desde quando você tem amigos?

— É o pai de um aluno.

— Ah sim. Pois bem, não chegue tarde.

— Na verdade, eu não sei onde eles jogam e acho que depois todos vamos sair beber, então não precisa me esperar acordado.

— Bem bem, se divirta.

Ele volta para a despensa encerrando a conversa e eu saio antes que ele decida fazer mais perguntas.

O caminho até a casa do Pat é sempre estressante, primeiro porque uma parte de mim ainda acha um erro o que eu estou fazendo, segundo porque as pessoas desocupadas acham de bom tom ficarem olhando quando eu passo, mesmo que não falem mais sei que ainda mantém os mesmos pensamentos preconceituosos sobre o meu cargo.

Paro na frente do portão e me pergunto quanto tempo vai levar até as pessoas perceberem que eu venho na casa do Pat com frequência, não acho que vão desconfiar tão cedo de que está acontecendo alguma coisa entre nós, mas uma hora ou outra os boatos vão começar e isso me preocupa.

O portão da casa ao lado abre e uma mulher me olha com curiosidade.

— Precisa de ajuda?

Eu congelo quando reconheço ela das fotos que o Pat tem em casa, é a mãe dele.

— Você está procurando alguém, rapaz?

— Professor? Mãe?

Eu não consigo me mexer nem dizer nada, nem sequer olhar para o Pat eu posso, nesse momento a única coisa que eu consigo é pensar que ela me viu fazendo sexo oral no seu filho.

Sinto a mão do Pat tocando a minha e me assusto, tento soltar, mas o Pat não deixa.

— Mãe, deixa eu aproveitar que a senhora está aqui e apresentar. Esse é o Pran, meu namorado.

Não contente com o que acabou de fazer o Pat ainda beija o meu rosto, a mulher não esconde a descrença e deixa claro a sua opinião sobre isso quando vira sem dizer nada e entra em casa, quando o Pat segura o meu rosto virando na sua direção eu finalmente consigo me mexer e me afasto, estamos no meio do dia, na rua, o que ele pensa que está fazendo? Percebo que ele se magoou com o que eu fiz, mas não podemos fazer isso, eu gosto do seu jeito inconsequente, mas temos que saber os limites.

— É melhor entrar, Pat.

Ele me olha assustado e segura a minha mão novamente.

— Você não vai embora, vai?

— Não, não vou, agora vamos, entra de uma vez antes que eu chute a sua bunda pra dentro da casa.

O Pat se surpreende com a minha resposta, então sorri, aquele sorriso lindo e travesso que um dia vai ser a minha perdição.

— Adoro quando você é mandão, professor!

Ele tenta se aproximar, mas eu me afasto e aponto para o portão.

— Se tentar fazer isso mais uma vez eu vou embora.

O Pat concorda com um suspiro e abre espaço fazendo um gesto exagerado pra eu ir na frente, pra diminuir a sua preocupação eu sorrio pra ele saber que está tudo bem, o problema é que o Pat se anima demais sem necessidade então antes de chegar na casa ele já está segurando a minha cintura me empurrando pra dentro.

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