Sentimentos

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PAT

Visto um calção e respiro fundo antes de voltar para a cama e beijar o professor, não quero deixá-lo mais nervoso, parece que ele vai fugir a qualquer momento.

— Eu já volto.

Ele acena apenas uma vez, é melhor resolver isso rápido para poder voltar e dizer que está tudo bem.

Eu espero que fique tudo bem.

Beijo ele mais novamente antes de me afastar e vou direto para a sala, a minha mãe não está, mas não achei que estaria, ela estava assustada quando saiu, foi apavorante e vergonhoso ver ela abrindo a porta e encontrando o Pran fazendo... Eu realmente não esperava por isso.

Respiro fundo mais uma vez e abro a porta devagar, ouço o Dean me chamando e entro, mesmo com a cara de poucos amigos da minha mãe eu pego ele no colo e o beijo.

— Bom dia, Goldeanzinho, quando você chegou?

— Agora, a vovó não me deixou ficar em casa.

— Tudo bem, porque você não pega alguma coisa pra comer enquanto eu converso com a vovó?

— Posso ir pra casa depois?

— Claro, nós já vamos pra casa.

— Tá!

Beijo o seu rosto e o coloco no chão, fico observando ele se afastar correndo até entrar na cozinha, então quando não tenho mais opção olho para a minha mãe.

— Mãe...

— O que você acha que está fazendo, Pat? Um homem! Você enlouqueceu? Quem é aquele? É por isso que você não quis me contar quem era a pessoa que estava com você antes?

Ela continua jogando várias perguntas uma atrás da outra como se não esperasse resposta,  está muito irritada, faz tempo que não a vejo assim, acho que desde que a mãe do Dean foi embora.

— Você tinha que arrumar uma boa moça que cuidasse de você e do Dean, casar e ter mais filhos, arrumar um emprego decente e...

Acho que esse é o seu limite, porque a minha mãe parece amolecer ao cair no sofá chorando, eu aproveito que ela colocou tudo que conseguiu pra fora e me aproximo, ao invés de sentar ao seu lado me abaixo na sua frente.

— Mãe, olha pra mim!

Espero o seu choro parar, enquanto seguro a sua mão, quando ela está mais calma eu tento novamente.

— Mãe?

Fico preocupado que ela continue assim e o Dean acabe nos vendo, então decido falar mesmo que isso a deixe nervosa novamente.

— Eu gosto dele, mãe.

Ela me olha assustada e nega várias vezes.

— Não! Você não pode!

Antes que ela continue eu me ajoelho e deito a cabeça no seu colo, o seu silêncio mostra que a surpreendi, mas quando ela toca a minha cabeça sei que vai ficar tudo bem, é a minha mãe, ela sempre me apoiou acima de tudo.

— Eu gosto muito dele, mãe, ele é especial...

Não dizemos mais nada por um longo momento, dou um tempo para ela processar o que eu disse sentindo os seus dedos acariciando os meus cabelos como ela sempre fez quando eu precisei de colo.

— Você sabe o que vai acontecer quando descobrirem, filho?

Sinto um alívio enorme, porque sei que o pior passou, então me afasto para poder olhar pra ela.

DaddyOnde histórias criam vida. Descubra agora