Comprometimento

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PRAN

O Pat deita na cama e se apoia nos cotovelos para poder olhar pra mim, do jeito que está a camisa de uniforme que usa para trabalhar abre expondo o seu peito. O seu olhar animado me faz sorrir, as vezes ele parece uma criança, tão doce e travesso.

Vou até a mesa ao lado da cama e pego o presente que guardei na gaveta. O Pat senta rápido tentando ver o que é quando eu me aproximo e ajoelho na sua frente. O seu choque me deixa feliz e nervoso, pensei muito no que comprar e nada parecia bom o suficiente para o primeiro aniversário que passamos juntos, mas quando vi isso tinha certeza de que ele ia gostar. Eu achei que ia gostar...

Abro caixa mostrando pra ele e ainda sob o seu olhar chocado eu tento explicar.

— Eu não entendo muito da cultura daqui, mas no país que eu cresci alianças são um simbolo de comprometimento. Sei que não vai ser fácil e que muita coisa pode acontecer, coisas boas ou ruins, mas hoje eu quero te dar esse presente, Pat, o meu comprometimento.

Pego a aliança maior, seguro a sua mão e antes de colocar no seu dedo eu olho nos seus olhos.

— Eu te amo, Pat... Amo o seu jeito simples e descomplicado, a gentileza, a impulsividade e a sinceridade. Amo principalmente como você me faz sentir especial. Amo como você me olha e como sorri quando me vê. Amo o homem que você é, o amante e o pai. Eu te conheço há pouco tempo, mas foi tempo suficiente pra eu me apaixonar por tudo em você.

Ele continua me encarando sem dizer nada, enquanto a aliança desliza pelo seu dedo, quando está no lugar eu vou até ele e me encaixo entre as suas pernas, ainda de joelhos, toco o seu rosto e apesar do nervosismo tento sorrir.

— I love you!

Sei que posso estar sendo precipitado, estamos juntos há pouco tempo, mas quanto mais tempo passamos juntos, mais certeza tenho sobre os meus sentimentos. Eu quero ele, estar com ele e lutar por ele. Nada disso estava nos meus planos quando voltei e por isso tentei não me render, mas o Pat me conquistou aos poucos e hoje eu quero viver isso, quero estar ao seu lado. Tenho certeza que esses sentimentos só vão aumentar e queria dar um presente especial pra ele.

Depois de um longo momento de tensão a sua mão trêmula vem até o meu rosto, há tanto carinho no seu olhar que eu não precisaria de nenhuma palavra pra saber o que está passando na sua cabeça, mas me surpreendo quando ele simplesmente diz.

— Obrigado.

Ok, não é bem o que eu esperava e com certeza é cedo demais pra isso.

Ficamos em um silêncio desconfortável por algum tempo, até que finalmente, tentando não deixar as coisas mais estranhas do que já estão, eu levanto com a caixa da joalheria na mão, quando vou guardar a outra aliança o Pat me impede.

— O que você está fazendo?

— Eu... Vou guardar isso ali...

Aponto para a gaveta de onde tirei o presente, que agora me arrependo de ter comprado, mas o Pat ignora e levanta ficando na minha frente. Ele abre a caixa novamente e pega o outro anel, mas agora... Não sei... Não quero que ele se sinta obrigado a nada.

O Pat segura a minha mão direita e aproxima a aliança, quero achar um bom jeito de evitar que isso continue, porque está vergonhoso, estressante e totalmente fora de controle, mas o Pat não me deixa escolha, segurando o meu queixo levanta a minha cabeça, me obrigando a olhar pra ele.

— Obrigado, professor... Obrigado por me amar e por aceitar o meu amor... — Ele sorri e expira com força. — Nossa! Eu queria tanto ter falado isso primeiro, mas não queria que você... Eu tinha medo que... Eu achei que...

Ele para como se estivesse procurando as palavras certas, então diz com uma voz suave.

— Eu também te amo, Pran!

O Pat coloca a aliança no meu dedo e a beija, com a boca ainda na minha mão ele olha pra cima, beija mais uma vez e se afasta andando para trás.

Ainda estou tentando assimilar o que acabou de acontecer, por um momento eu achei que tudo estava errado e que estava me enganando sobre nós, mas agora estou olhando para o Pat se despindo na minha frente. Quando as suas pernas batem na cama ele olha para trás e pra mim.

— E o outro presente, professor?

O seu sorriso deixa claro sobre o que ele falando, e se confirma assim que tira a cueca e deita na cama. Ando até ele lentamente, quando estou próximo o suficiente o Pat estende a mão, eu seguro e ele me puxa.

O Pat tira a minha roupa devagar, apesar do que estamos fazendo ele mantém os olhos presos aos meus, não há urgência no seu toque, nem luxúria no seu olhar e por isso sei que esse momento não é sobre sexo pra ele, é sobre entrega, sobre comprometimento.

Quando o Pat deita sobre mim e sorri eu me entrego totalmente, permitindo que os seus lábios e mãos passeiem pelo meu corpo com uma intimidade que só um verdadeiro amante poderia ter. Cada beijo, toque e carícia é como um doce poema que ele está escrevendo enquanto fazemos amor.

~•~

Sinto a respiração do Pat no meu peito e os seus dedos tocando levemente a minha barriga, então levanta a cabeça dando um beijo rápido no meu peito e deita novamente. Ele fez isso várias vezes nos últimos minutos, quando me beija o meu coração acelera e ele deita para escutar, quando os batimentos se acalmam repete o gesto. Poderia ter feito ele parar, mas é simplesmente adorável vê-lo encantado por algo tão bobo.

Depois de mais alguns minutos o Pat finalmente e olha pra mim, percebo que o sorriso que sempre chamou a minha atenção está diferente, antes era algo travesso e sedutor, agora é sincero, não que antes não fosse, mas faltava alguma coisa, algo que agora faz o Pat brilhar.

— Queria poder dormir com você todos os dias, professor. É tão bom poder ficar com você antes de dormir.

Ele deita no meu peito novamente e sorri, com certeza dessa vez o meu coração está acelerado, não esperava esse tipo de conversa tão cedo, principalmente porque não tem como eu dormir aqui, não temos como explicar para o Dean.

Ignorando o meu breve conflito o Pat me beija e fala sorrindo.

— Eu te amo, professor!

Ele ri mais uma vez, deitando no meu peito, escutando o meu coração, mas no ritmo que está mesmo longe qualquer um poderia ouvir. Para acabar com as brincadeiras e conversas preocupantes eu seguro o seu rosto e faço olhar pra mim. Nos encaramos em silêncio e mesmo com as brincadeiras eu posso ver que o Pat estava falando sério, isso me preocupa, não sei se conseguiria negar um pedido real vindo dele. A minha vontade é ir para o mais longe possível e acabar com tudo, mas tenho certeza que não teria forças suficientes pra isso, porque sei que magoaria o Pat e o Dean, então por ora descarto a ideia e as preocupações, e tento me concentrar apenas nele.

— Feliz aniversário, Pat!

Sem precisar de mais nada o Pat me beija, reinvidicando novamente o seu presente de aniversário.

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