Impulsivo e irresponsável

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PRAN

No momento em que vi o Pat com essa roupa eu sabia que isso não daria certo, o calção branco, fino demais, parece ter vida própria, ou talvez sejam as mãos do Pat que não param quietas e puxam ele pra cima o tempo todo, seja o que for a cada movimento que faz o calção parece encolher e agarrar no eu corpo, o volume na sua virilha agora parece duas vezes maior, já que ele, por algum motivo desconhecido, resolvou prender o calção na cueca. A minha vontade é de ir até ele e arrumar uma roupa que cubra não apenas apenas as pernas longas que estão à mostra, mas todo o seu corpo.

O Pat para na minha frente com as mãos na cintura e sorri, tento permanecer sério enquanto abro os braços me preparando para defender o gol.

Os jogadores dos dois times assistem ansiosos, faltam poucos minutos para o jogo acabar e estamos vencendo pela diferença de um ponto. Se o Pat fizer esse gol eles empatam, se errar...

Um jogador do time adversário grita pra ele acabar comigo, me chamando de garoto estrangeiro, o Pat olha na sua direção um pouco irritado, então sorri, eu me preparo quando começa a correr, mas para a minha surpresa ele passa direto pela bola, antes que eu possa impedir ele segura o meu rosto e me beija. Os gritos a nossa volta fazem eu querer sair correndo, talvez chutar o Pat para fora do campo, depois sair correndo, de qualquer forma a fuga é uma opção dada a vergonha do momento.

Claro que não demorou muito para os amigos do Pat entenderem que tinha algo diferente entre nós, pois ele não perdia uma oportunidade de me abraçar, mesmo sendo do time adversário, eles passaram o jogo inteiro fazendo piadinhas, mas até esse momento era tudo brincadeira entre amigos, agora o Pat confirmou o que todos desconfiavam.

O Pat se afasta andando para trás e segurando o seu braço está o capitão do seu time, o cara chama ele de Romeu e fala para o Pat se concentrar, porque eles precisam vencer. Eu tento ignorar os outros que ainda estão fazendo piadas e fingindo beijar um ao outro e me posiciono novamente, fico atento aos seus movimentos tentando antecipar ao chute, se é que posso chamar isso de chute, nem chegou a bater na trave e foi tão fraco que nem sei se o Pat estava realmente tentando acertar.

Uma nova onda de gritos começa e o Pat cai no chão com as mãos no rosto, os jogadores do meu time se aproximam e me levantam, pelo que comentaram antes do jogo começar não é comum eles vencerem, a alegria ao saberem que eu era goleiro no time do ensino médio foi evidente, eles culpam a série de derrotas a falta de um goleiro de verdade.

O Pat levanta sorrindo e os companheiros se aproximam sérios, por um momento eu fico preocupado, primeiro o beijo, depois perder o gol e como consequência o jogo, tudo pode acabar muito mal. Quando o primeiro empurra o Pat eu vou até eles, o Pat levanta os punhos e em um instante estão todos se batendo, depois de alguns passou percebo que estão apenas brincando, então paro e observo a distância aliviado.

Apesar do que o Pat fez durante o jogo eu tento manter uma distância segura, ele é impulsivo demais, não quero que faça algo que complique tudo, afinal estamos no bar, a tranquilidade que os seus amigos aceitaram tudo por si só já é preocupante, não quero que mais pessoas saibam ou que histórias se espalhem por aí.

Aquele outro garçom coloca uma garrafa de cerveja na minha frente e senta ao meu lado, instintivamente eu olho para o Pat, ele não esconde a insatisfação, mas quando olha pra mim sorri e levanta a garrafa que está na sua mão.

— O Pat está feliz...

Espero o rapaz continuar, mas ele não diz mais nada, fico em dúvida se o que ele falou foi uma pergunta, afirmação ou acusação, não sei como o Pat era antes, mas ele agora realmente parece feliz.

Depois de um tempo um dos amigos bate na mesa chamando atenção e pede mais uma cerveja, o sorriso do Pat diminui um pouco, mas ele vira para atender o pedido.

— Você pretende continuar com isso?

Quero muito ignorar o babaca ao meu lado, mas a curiosidade vence, então eu viro para poder olhar pra ele.

— O que seria isso?

Ele não me olha, apenas bebe mais um pouco de cerveja antes de responder.

— O Pat não é assim, sabe? Ele não se envolve, não namora, não se apaixona... — Depois de uma pausa a sua voz soa um pouco estranha ao continuar. — Ele está apaixonado, é a primeira vez desde o ensino médio.

O meu coração acelera ao ouvir as suas palavras, mas tento me manter calmo.

— Isso é um problema?

— Depende, professor.

— Depende do que?

O rapaz bebe o resto da cerveja e levanta, olha na direção do Pat, então se aproxima falando tão baixo que tenho certeza que ninguém além de mim pode ouvir.

— O Pat já sofreu demais, ele não precisa de alguém de fora ferrando com a sua vida. Então se você está só brincando com ele é melhor ir embora, professor.

A última palavra vem carregada de desprezo, sei que ele está me chamando assim porque é como o Pat me chama na maior parte do tempo, mas vindo dele não é nada além de deboche e desdém. Sem esperar por resposta o garçom se afasta e vai para trás do balcão, pega várias cervejas e distribui entre os jogadores.

Tento não me abalar com o que aconteceu, mas  parte de mim sabe que eu não devia ter deixado as coisas chegarem nesse ponto, o Pat pode ser impulsivo, mas eu fui irresponsável, cedi ao meu desejo mesmo sabendo dos problemas que viriam a seguir.

Todos ficam em silêncio de repente olham na minha direção, quando percebo o Pat está me virando de lado, abrindo as minhas pernas e se encaixando entre elas, ele segura o meu rosto com as duas mãos e me beija, a sua língua gelada invade a minha boca e com ela um pedaço de gelo, quando se afasta sorrindo eu cubro a boca mordendo o gelo e todos a nossa volta gritam, aquele garçom joga um pano no balcão e sai irritado, começo a questionar qual o verdadeiro problema aqui, isso não parece preocupação de amigo. Não perco muito tempo pensando nisso, porque o Pat ainda está parado na minha frente sorrindo pelo seu grande feito, precisamos conversar sobre esses rompantes dele, mas não aqui, falaremos disso mais tarde.

— Pega essa cerveja pra mim, Pat?

— Pego. Na verdade, você pode me ajudar, professor? Preciso pegar mais cervejas no estoque.

Ele puxa a minha mão e me leva por uma porta ignorando os gritos dos amigos. O Pat abre outra porta e me empurra para dentro de um estoque, quando se aproxima o seu olhar feroz deixa claro as suas intenções.

— Pat, nós não vamos fazer isso aqui.

Com aquele sorriso que sempre me faz perder a cabeça ele puxa o calção para cima prendendo na cueca, assim como fez no jogo, vejo o volume marcado pela roupa aumentando, fecho os olhos tentando não ceder, mas no momento em que os seus lábios tocam o meu pescoço eu esqueço de tudo e me entrego a ele. No fim é isso que somos, ele impulsivo e eu irresponsável.

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