PRAN
Enquanto limpa o balcão o Pat termina de contar a história de como acabou parando de trabalhar de barman na boate e se tornou garçom nesse bar. Como sempre o motivo foi o filho, antes ele ganhava mais, mas trabalhava todas as noites, chegava em casa quando estava amanhecendo e dormia na maior parte do dia, mesmo assim ele conseguiu presenciar momentos importantes da vida do Dean, como primeiros passos e palavras, mas um dia ele se viu perdendo muitas outras coisas como passeios no parque, desenhos feitos em paredes e pequenos acidentes, pareciam coisas bobas, mas sempre que os pais contavam as histórias ele se sentia triste. Foi quando ele começou a pegar pequenos turnos no bar também para conseguir dinheiro mais rápido pra terminar de pagar a casa, depois disso saiu da boate.
Ele para de falar e sorri com a lembrança, o Pat tem vários sorrisos perfeitos, mas esse é o que mais me encanta, o sorriso que ele dá sempre que fala do filho.
— Agora eu trabalho aqui duas ou três vezes na semana, não ganho como antes, mas consigo passar mais tempo com o Dean.
— Eu sei que já disse isso, mas você é um pai incrível, Pat!
Ele sorri envergonhado, mas fica sério assim que aquele colega de trabalho encosta no balcão ao meu lado.
— Boa noite, professor!
Eu aceno e volto a minha atenção para o Pat que não parece gostar muito do cara.
— Você está atrasado, Wai, vai atender as mesas.
— Isso aqui está morto, Pat, tenho certeza que você já atendeu todo mundo.
— Não faz diferença, cai fora!
— Ok, eu já vou, mas antes eu quero perguntar uma coisa para o professor...
Isso me surpreende por dois motivos, primeiro porque nem imagino o que ele quer saber, segundo porque o Pat parece prestes a dar um soco na cara do colega.
— Então, professor, é verdade que você é comprometido?
Eu viro para o cara sem acreditar no que ele perguntou, mas agora ele está rindo enquanto olha para o Pat.
— Eu sabia que era mentira, Pat!
— Não é mentira, ele está comprometido.
— Para com isso, Pat! Com quem? Nesse fim de mundo todos já estariam sabendo.
— Comigo, ele está comigo!
Tudo depois disso vira só ruído, sei que eles continuam conversando, mas não ouço mais nada. Eu só posso ter entendido errado, ele não diria algo assim! Eu entendi errado, foi isso, eu entendi errado...
— Professor? Pran?
Quando percebo o Pat está parado na minha frente segurando o meu rosto com as duas mãos, me olhando preocupado.
— Professor, você está me ouvindo?
Que merda ele acha que está fazendo?
Eu afasto as suas mãos, levanto e saio sem dizer nada, assim que a porta fecha atrás de mim escuto ela abrindo novamente.
— Professor?
Eu respiro fundo passando a mão pelo cabelo tentando me controlar, então viro e aponto para a porta.
— É melhor você entrar, eu vou pra casa.
— Não, espera! O que aconteceu? Porque você está assim?
Ele é inacreditável!
— Eu estou cansado, Pat, conversamos outra hora.
Eu viro, mas ele me impede de partir segurando o meu braço.
— Por favor, não vai...
A sua voz treme no fim me fazendo vacilar, mas quando ele dá um passo na minha direção eu solto o meu braço e me afasto.
— Volta a trabalhar, Pat, depois nós conversamos.
— Não... Conversa comigo agora! Qual é o problema?
— Qual é o problema?
Eu tenho que rir apesar da situação absurda, como ele não sabe qual é o problema?
— Are you kidding me?¹ Você tem ideia do que acabou de fazer? This is ridiculous! You idiot! You shouldn't have said that! What the hell were you thinking? That was totally uncalled for!²
— Professor, se acalma, eu não entendo nada do que você está dizendo.
Eu respiro fundo e tento me controlar mais uma vez.
— Você não devia ter feito isso, Pat! E se ele contar pra alguém?
Ele sorri dando mais um passo na minha direção.
— É esse o problema? Não esquenta a cabeça, professor, o Wai é um babaca, mas é meu amigo, ele não vai contar nada. Agora vem aqui!
O Pat se aproxima rápido me beijando, antes que eu consiga reagir ele já está segurando a minha mão me levando para dentro do bar. Olho em volta preocupado, mas tem poucos clientes e ninguém parece se importar com o que está acontecendo.
Quando chegamos no bar o Pat me leva até o banco que eu estava sentado, o outro garçom que agora está atrás do balcão abre uma garrafa de cerveja e coloca na minha frente.
— Essa é por minha conta.
O Pat suspira de forma exagerada, pega a garrafa e bebe tudo de uma vez fazendo o cara sorrir.
— Então, vocês estão juntos mesmo?
O Pat vira pra mim e está na cara que ele quer que eu diga alguma coisa, ele não tem bom senso mesmo!
— Eu sabia que era mentira! O Pat com um cara, que piada, ele quase me enganou!
O cara coloca outra garrafa na minha frente agora rindo de forma exagerada, o Pat bate a garrafa de cerveja que estava bebendo no balcão e se afasta irritado.
— Não é mentira... — O cara para de rir surpreso, mas eu viro na direção do Pat para continuar. — Ele não mentiu.
Com um sorriso lindo o Pat vem na minha direção, segura o meu rosto e me beija. Ele não tem bom senso mesmo! Mas acho que ele precisa disso agora, pra saber que... Não sei... Talvez pra não ficar mal na frente do amigo. Quando acho que já tivemos exposição suficiente por um dia eu o afasto e viro para o balcão mais uma vez, isso vai dificultar as impulsividades do Pat. O cara parece estar em choque, pelo jeito ele acreditava mesmo que era tudo mentira, acho que ninguém acreditaria nessa história, isso é bom, porque se alguma fofoca se espalhar o Pat não vai ser prejudicado.
O Pat volta para trás do balcão empurrando o colega para fora pra limpar as mesas e sorri pra mim.
— Dorme lá em casa hoje de novo, professor?
— Pat... Eu... Não acho que seja legal o seu filho me encontrar na sua casa dois dias seguidos.
— Está tudo bem, os meus pais vão visitar os meus avós, o Dean vai junto, combinamos isso há semanas.
— Mesmo assim...
— Você não quer? Podemos só dormir se você não quiser fazer...
Ele levanta a sobrancelha várias vezes com um sorriso safado. Tento listar os motivos para não fazer isso, mas com o tempo o Pat foi destruindo cada um deles, então quando ele me pede isso com esse sorriso eu só consigo encontrar motivos para dizer sim.
— Ok, eu vou com você, mas nós não vamos fazer nada.
O seu sorriso aumenta deixando claro que ele está satisfeito em apenas estar comigo, enquanto eu já não sei mais o que quero.
Pra falar a verdade eu sei, eu quero ele!
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Notas:
Tradução:
¹ Are you kidding me? - Você está brincando comigo?
² Isso é ridículo! Seu idiota! Você não deveria ter dito isso! O que diabos você estava pensando? Isso foi totalmente desnecessário!
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Daddy
ФанфикшнPat, um pai solteiro que enfrenta as dificuldades de criar seu filho sozinho, e Pran, um professor primário recém-chegado que luta para ser aceito em seu novo emprego, têm seus caminhos cruzados quando Pran começa a dar aulas para o filho de Pat. Em...
