Feliz

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PAT

Tento ligar para o professor mais uma vez enquanto o Dean espera abraçando o seu dinossauro feio, queria passar o dia com os dois, mas não consegui ver o Pran na escola e ele não atendeu o telefone durante toda a tarde, estou indo trabalhar e ainda não consigo falar com ele. Quando a ligação cai na caixa postal eu desisto e mando mais uma mensagem pedindo pra ele ir no bar se não estiver ocupado, agora já me contentaria em apenas dormir com o professor nos meus braços.

Deixo o Dean na minha mãe e vou para o bar, no meio do caminho eu mudo de ideia, faço um desvio e vou para a casa do Pran. Paro na frente do portão e tento ver se tem alguma luz acesa, mas não parece ter ninguém em casa, mesmo assim toco a campainha algumas vezes e espero. Ligo para o Pran de novo, mas nada, ele não atende. Eu só queria poder ver ele hoje, mas pelo jeito não vai acontecer.

Chego no bar e aproveito que não tem quase ninguém para atender e vou organizar o estoque, o meu humor foi diminuindo no decorrer do dia até não sobrar quase nada, vai ser péssimo atender clientes assim.

O chefe vem no estoque algumas vezes para pegar algum produto pra repor, mas não pede para eu parar, o Wai apareceu logo que chegou e não voltou mais, ele está estranho desde o dia que trouxe os caras do futebol aqui, acho que o Pran falou algo que ele não gostou, eu perguntei, mas ele desconversou, então deixei pra lá. Já percebi que o Pran é como uma salamandra ciumenta, deve ter acontecido algo que o incomodou.

Paro na frente da ultima prateleira e lembro de transar com o Pran aqui, quase derrubarmos essa prateleira, mas nossa, foi puro tesão!

A porta abre e o chefe olha em volta, depois de conferir o estoque sorri.

— Você trabalhou bem hoje, Pat, o movimento está fraco, vai pra casa descansar.

— Tem certeza? Se quiser eu posso ficar até fechar.

— Não não, pode ir pra casa. Nos vemos no sábado.

Eu acho estranho, porque ele não gosta de liberar antes de fechar, as vezes chega um grupo de pessoas do nada e tudo vira uma loucura, mas se o chefe está liberando não vou discutir.

Depois que ele sai eu termino o que estou fazendo, quando saio me despeço do chefe e do Wai, e vou pra casa. No caminho eu passo pela casa do Pran, mas as luzes continuam apagadas.

Antes de pegar o Dean na minha mãe eu decido passar em casa, tomar um banho primeiro, esfriar a cabeça e fazer um jantar.

Abro a porta batendo em alguma coisa, isso me deixa alerta, afinal quando eu sai não tinha nada aqui, forço para abrir ouvindo alguma coisa arrastando no chão, coloco apenas a cabeça para dentro, mas não tem nada pra ver. Entro na casa e acendo a luz, o vaso de uma planta velha que a minha mãe me deu está caído, ele estava bloqueando a porta, talvez algum gato na vizinhança tenha entrado aqui. Pela primeira vez eu percebo que a planta está verde, achei que ela já tinha morrido há muito tempo, a minha mãe deve estar cuidando dela.

Estou virado arrumando o vaso no lugar quando sou pego de surpresa, viro devagar e não sei como reagir ao ver o Pran andando na minha direção com o Dean nos braços. O meu filho está segurando um pequeno bolo e os dois cantam Parabéns.

O Dean para de cantar primeiro e me olha preocupado, o Pran continua andando e cantando até chegar na minha frente, com um sorriso lindo ele fala alguma coisa no ouvido do Dean, que concorda estendendo os braços na minha direção e diz.

— Faz um pedido, papai!

— Um pedido?

Por um momento a ideia me parece estranha, claro que sempre fazemos festa nos aniversários do Dean e ele sempre faz um pedido na hora de assoprar as velas, mas eu não comemoro o meu próprio aniversário há... Provavelmente tanto tempo quanto comemoro os aniversários do meu filho.

O professor continua sorrindo enquanto espera, em um instante várias perguntas surgem na minha cabeça. Onde ele esteve o dia todo? Como soube do meu aniversário? Como entrou na casa? E Dean aqui com ele? E finalmente a pergunta que responde as duas últimas, mas me deixa apreensivo, a minha mãe fez alguma coisa pra ele?

— Faz um pedido, Pat!

A sua voz suave me causa um arrepio, estou me apaixonando por tudo nele, mas a sua voz me conquistou há muito tempo.

Fecho os olhos e penso em alguma coisa, mas nada ocorre, então eu apenas desejo que esse momento seja algo sempre presente. Uma nova alegria, esperança e amor, é isso que o Pran trouxe para a minha vida, quero que seja assim para sempre.

Com um assopro a vela se apaga e o Dean grita comemorando, pego o bolo da sua mão, ele vem para os meus braços e beija o meu rosto.

— Feliz aniversário, papai!

— Obrigado, Goldeanzinho!

Beijo o seu rosto também e o coloco no chão, dou um passo na direção do Pran que levanta a mão e toca o meu rosto. Acho que devia estar envergonhado por ter chorado por algo tão bobo, talvez fosse assim com qualquer outra pessoa, mas não com o Pran, com ele eu posso ser eu mesmo.

— Feliz aniversário, Pat!

Para a minha surpresa ele se aproxima e me beija, a mão que está no meu rosto desce para o meu pescoço me puxando até o meu corpo estar colado ao seu e a sua língua invade a minha boca de uma forma que só me faz pensar em sexo, isso tudo me deixa desconcertado e feliz, afinal o professor não gosta de me beijar na frente do Dean, parte de mim aceita isso como uma pequena vitória. Quando se afasta eu percebo que o professor está com a mão na frente dos olhos do Dean impedindo que ele nos veja, mas é uma vitória mesmo assim.

— Eu fiz o jantar, vamos comer?

— Sério?

Ele pega o bolo, segura a minha mão e responde com uma voz doce.

— É seu aniversário, eu fiz algo especial pra comemorar.

O seu sorriso some de repente, então o professor solta a minha mão e abaixa para falar com o Dean.

— Vai lavar as mãos e não esquece, não pode colocar a mão dentro do vaso sanitário, não é higiênico.

— Tá.

O Dean se afasta correndo e o Pran volta pra mim, com um olhar preocupado ele limpa o meu rosto que está molhado e pergunta.

— Você está bem, Pat?

— Eu estou... Feliz...

Parece bobo agora que eu disse, mas é verdade.

O Pran volta a sorrir, não aquele sorriso doce de sempre, um sorriso torto e diabólico, que não tem nada do professor, esse é 100% Pran. Ele se aproxima devagar, beija o meu rosto e fala no meu ouvido.

— Espera pra ver o seu presente!

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HBD Pat 🎂💚❤️

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