PRAN
Eu não devia ter feito isso! Eu sabia que isso não daria certo, porque deixei as coisas irem tão longe? Agora acabou, já vi isso acontecendo muitas vezes com os meus amigos,os pais descobriram sobre os seus relacionamentos e eles desistiram de tudo por medo, vergonha ou respeito aos pais, isso era nos Estados Unidos, aqui é tudo muito pior!
Ando de um lado para o outro sem saber o que fazer... Para ser sincero eu sei, o melhor que eu posso fazer é ir embora, poupar o Pat de ter que terminar comigo, se é que tem algo para terminar aqui.
Olho em volta, mas as minhas roupas não estão aqui, lembro que tiramos na sala. God, o que a mãe dele deve ter pensado?
— Damn, I can’t believe this happened!¹
Pego as minhas roupas pelo caminho e me visto o mais rápido que consigo, a última coisa que quero é encontrar com a mãe do Pat ou com o Dean assim. Quando estou voltando para o quarto bato com o dedo na beira do sofá.
— WHOLE SHIT!
— Titi?
Viro rápido encontrando o Pat e o filho me olhando com as mesmas caras assustadas, teria achado fofo em qualquer outra situação, mas nesse momento eu estou uma pilha de nervos. Graças a Deus estou vestido, não saberia o que dizer ao menino se me encontrasse de outra forma. Depois de um breve momento de espanto o Pat me presenteia com aquele sorriso lindo e despreocupado, instantaneamente sinto parte da tensão indo embora e começo a relaxar. Ele toca a cabeça do filho e fala ainda olhando pra mim.
— O professor vai passar o dia com a gente, Goldeanzinho...
— Pat...
Ele sorri mais uma vez e se abaixa para ficar na altura do filho.
— Vamos assistir um monte de filmes, só nós três. Você quer?
O menino acena várias vezes para o pai, então olha na minha direção com um sorriso encantador, que é a cópia fiel do sorriso do Pat.
— A vovó me deu um dinossauro novo, Titi.
Fico indeciso por um momento, mas olhando do Pat para o Dean eu sei que nunca conseguiria decepcionar nenhum dos dois, então apenas me rendo a eles.
— Posso ver o dinossauro?
Sob o olhar apaixonado do pai, o menino corre na minha direção e segura a minha mão, quando começa a me puxar na direção do quarto o Pat nos alcança e segura a minha mão livre.
— O professor já vai com você, Dean, porque você não pega todos os dinossauros pra mostrar pra ele?
Tento soltar a minha mão, mas o Pat me impede entrelaçando os nossos dedos, nego discretamente, mas ele apenas sorri. O Dean não parece feliz com a sugestão, mas solta a minha mão e vai para o quarto um pouco menos animado.
— Pat, você não...
Não consigo concluir a frase porque a boca do Pat ataca a minha com ferocidade, ele me empurra contra a parede e passa a mão pelo meu corpo de uma forma diabolicamente sedutora, eu evito tocar nele, já está sendo difícil me controlar sem isso. Quando finalmente para de me beijar o Pat descansa a testa no meu ombro enquanto respira com dificuldade, ouvimos um barulho na porta ao nosso lado e olhamos na sua direção, quando vou dizer que estou indo para o quarto o Pat se aproxima e fala no meu ouvido.
— Eu quero muito que você termine o que começou mais cedo, professor... Eu... Adoraria te comer no banho!
Ele se afasta piscando e vai para a cozinha me deixando para trás com um puta tesão.
Adoraria comer ele no banho!
— Titi?
O Dean surge na porta segurando um dinossauro muito feio quase do seu tamanho, parece essas réplicas mal feitas, mas pelo jeito que o menino está agarrado ao brinquedo tenho certeza que a sua opinião é diferente da minha, então tento me recompor e sorrio indo até ele.
— Que dinossauro bonito!
— Que?
Ele afasta o dinossauro confuso e analisa a pelúcia com uma expressão seria.
— Não é não! Ele é muito feio!
A sua sinceridade me surpreende e diverte.
— Mas você gosta dele?
— Sim! O tio do parquinho disse que ia vender mais barato porque ninguém queria, então eu quis.
— Porque era barato?
Ele nega e abraça o brinquedo novamente.
— Porque ninguém queria ele.
Quanto mais eu conheço essa criança, mais difícil é não me apegar, ele tem pensamentos peculiares e uma mentalidade tão pura quanto a do pai.
— Você fez muito bem! Quer me mostrar os outros dinossauros?
O Dean segura a minha mão e me arrasta para o quarto, percebo que a sua mão está grudenta, mas não digo nada.
Passamos quase 20 minutos no quarto até o Dean conseguir mostrar a grande coleção de dinossauros de todos os tipos e tamanhos, de legos a pelúcias, cada um com o seu próprio nome, alguns muito criativos como floquinho, brigadeiro e arco íris, outros carregam os seus nomes de desenhos e filmes que o menino assistiu, esses ele leva um tempo para contar a história. Quando termina todos os brinquedos estão espalhados no chão do seu quarto, não estava muito diferente quando chegamos, mas agora a bagunça é maior. Fico observando ele brincando por uns dez minutos enquanto me pergunto o que o Pat está fazendo, quando já deixei o Dean brincar por tempo suficiente me levanto da cama e sento ao seu lado no chão.
— Vamos guardar os brinquedos e ver o que o seu pai está fazendo?
O menino olha em volta como se esse conceito fosse totalmente novo pra ele, não me surpreenderia se fosse, então eu mesmo observo o quarto todo, levanto e dou o dinossauro mais próximo na sua mão.
— Vamos começar com os grandes, podemos guardar na prateleira de cima, nas outras podemos colocar os que você brinca com mais frequência, se sobrar algum guardamos no cesto junto com os outros brinquedos.
— O papai não pede pra guardar.
Passo a mão na sua cabeça e me abaixo para ficar na sua altura.
— O papai muitas vezes está cansado, porque trabalha a noite. Você já é grandinho, pode ajudar guardando os brinquedos pra ele não se cansar tanto.
Ele pensa no que eu falei, concorda com um aceno e anda pelo quarto pegando os brinquedos decidindo onde colocar, quando está quase terminando a porta abre, o Pat encosta no batente e fica assistindo o filho trabalhando em silêncio, em nenhum momento ele olha para mim, nesse momento o Dean é o mundo todo dele, algumas pessoas poderiam achar isso incomodo, eu acho encantador.
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Notas:
¹Droga, não acredito que isso aconteceu
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Daddy
FanfictionPat, um pai solteiro que enfrenta as dificuldades de criar seu filho sozinho, e Pran, um professor primário recém-chegado que luta para ser aceito em seu novo emprego, têm seus caminhos cruzados quando Pran começa a dar aulas para o filho de Pat. Em...
