Segredo

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PAT

Fico observando enquanto o professor se despede dos alunos um a um, acho curioso que eles sempre dão um soquinho ou o professor bagunça os seus cabelos, mas esse é o máximo de contato que eles têm, o que é bem diferente do meu filho que está sempre abraçando e beijando o professor. Me pergunto se é diferente por ser o Dean ou tem mais alguma coisa, o Pran é tão misterioso e introspectivo que na maioria das vezes chego a conclusão de que existe algo mais.

— Boa tarde, pai, quer que eu traga o seu filho aqui?

Estava tão concentrado no Pran que não vi a enfermeira se aproximando, mas o professor com certeza viu e pela sua cara não gostou nada disso. Será que ele é ciumento? Isso seria novidade pra mim, alguém possessivo, acho que vou gostar disso, mas não vou provocar, a última coisa que eu preciso e estragar tudo agora por uma bobagem, então olho rápido pra enfermeira e nego.

— Esta tudo bem, estou esperando pra conversar com o professor.

— Ah...

Ela continua parada ao meu lado, mas eu parei de prestar atenção nela no momento em que o Pran pegou o Dean no colo e começou a caminhar na minha direção, mais uma vez só uma palavra parece apropriada pra descrever os dois juntos, perfeito, é realmente perfeito!

O Pran fala alguma coisa pro Dean que vira pra mim sorrindo e acenando com os bracinhos levantados.

— Daddy!

A enfermeira ri, mas para quando o Pran se aproxima, ficamos em silêncio por um momento até ela gaguejar que vai embora e nos deixar sozinho.

— Bom dia, professor!

Ele revira os olhos e entrega o Dean pra mim, pelo jeito ele é ciumento como uma salamandra¹.

— Porque você está sorrindo, Pat?

Eu fico sério pensando em algo pra dizer e  olho nos seus olhos..

— Você tem olhos adoráveis, professor!

— Pat!

Em uma fração de segundo ele olha em volta e para o Dean preocupado, apesar da vontade de beijar e morder quando ele fica fofo assim, eu falo com o Dean.

— Você não acha os olhos do professor adoráveis, GolDeanzinho?

O meu filho concorda prontamente, fazendo o Pran baixar a guarda na hora.

— Te encontro em casa?

Pela cara do professor é melhor ir embora antes que ele desista de ir almoçar com a gente.

— O titi vai em casa?

Acho que o Pran me mataria nesse momento se pudesse, ele é muito fofo quando está irritado, o meu gatinho arisco, um gato salamandra.

— Vai, mas é segredo, GolDeanzinho, não pode contar pra ninguém.

— Porque?

— Depois eu explico.

Nenhum dos dois parece satisfeito com a minha resposta, então eu beijo o rosto do Dean, pisco para o Pran e vou embora antes que eu arrume problemas.

Estou abrindo o portão quando a minha mãe aparece na frente da casa dela secando as mãos no seu avental, pelo jeito eu não vou gostar nada do que está por vir.

— Dean, entra e troca de roupa, eu já vou fazer o almoço.

— Posso vestir dinossauro, papai?

— Hoje não, está muito quente, escolhe outra coisa.

DaddyOnde histórias criam vida. Descubra agora