Aqueles que se foram

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PAT

Estaciono na frente do cemitério e mesmo sem olhar para o Pran eu consigo sentir que ele não está bem, tiro o cinto de segurança e pego a sua mão, na hora ele solta olhando para trás nervoso, tento não deixar isso me afetar, afinal ele precisa do meu apoio, não é hora para me irritar com coisas pequenas.

Saio do carro e observo o Pran soltando o Dean da cadeirinha, o professor não aceitou sair sem isso, então tive que ir atrás da minha mãe pra saber onde estava. Por sorte ela tinha usado na sexta, por isso estava limpo e pronto pra uso.

O Pran levanta com o Dean no colo e os dois sorriem pra mim, sei que tudo está indo rápido demais, mas isso, esse momento, eles... Não tem como ter dúvidas, é perfeito!

Pego as flores que compramos no porta malas e vou até eles, caminhamos em silêncio pelos corredores do cemitério, o Dean parece assustado olhando para as lápides e o Pran cada vez mais ansioso, quando não consigo mais me controlar seguro a sua mão, ele aperta com força e não solta, o que me faz pensar como deve estar a sua cabeça agora.

De repente o Pran para e fica olhando pro nada, eu dou um tempo até ele estar preparado pra continuar.

- É ali, Pat... Ela está ali...

Trago a sua mão até os meus lábios o beijo, quando ele me olha só consigo ver tristeza no seu rosto. Na hora eu me arrependo, trazê-lo aqui foi uma péssima ideia!

- Quer ir embora?

Apesar da dor ele nega, o Dean assiste tudo em silêncio, mas acho que entendeu um pouco do que está acontecendo, ou sentiu a tristeza do Pran, porque deitou a cabeça no seu ombro e ficou quietinho.

Paramos na frente de uma lápide simples, feita de mármore preto com o nome da mãe do Pran e a inscrição "Amada mãe", achei meio deprimente, ela era uma boa professora, uma boa pessoa. Tenho certeza que não fui o primeiro, nem o último aluno que ela ajudou, mas nessa cidade nada disso tem valor.

O Pran fica olhando para frente enquanto passa a mão nas costas do Dean, os seus olhos cheios de lágrimas são de partir o coração. Espero ele dizer alguma coisa, mas nada acontece, quando uma lágrima solitária desce pelo seu rosto eu controlo a vontade de o abraçar e me aproximo colocando as flores no chão.

- Oi, professora Dissaya, lembra de mim? Desculpe não ter vindo te visitar antes.

Olho para o Pran que agora chora sem parar, com dois passos volto para ele, tento limpar o seu rosto e seguro a sua mão novamente.

- Eu não estou sozinho, professora, a senhora já deve ter percebido... Eu trouxe comigo duas pessoas muito especiais. - Penso em pegar o Dean, mas desisto, acho que o Pran precisa dele. - Esse é o meu filho, Dean, eu estou cuidando bem dele, como prometi. Ele é saudável, esperto e muito educado, a senhora teria gostado muito dele... Sinceramente? Ele parece muito mais com o seu filho do que comigo.

O Pran não esconde a surpresa quando eu seguro a sua cintura e o puxo para mim, o Dean não se mexe, acho que acabou dormindo, mas consigo ver porque o seu rosto está virado para o outro lado.

- Por falar no seu filho, eu o conheci... Ele é um homem adorável e um professor incrível, quando quer proteger alguém ele é forte e destemido, tem o coração mais puro que já conheci, a voz mais doce, o sorriso mais lindo e as covinhas mais fofas do mundo. - O professor continua me encarando em choque, mas eu não paro. - Eu quero que ele seja meu namorado, professora, espero que a senhora não se importe, sei que os pais sempre querem o melhor para os filhos e que ele merece mais, mas prometo que vou fazer o meu melhor pra merecer ele... Acho que é isso...

O Pran agora me olha meio indignado, acho que acabei exagerando na parte do namorado, mas eu meio que dei a dica quando o chamei pra vir aqui.

- Você é um idiota, Pat!

Merda! Devia ter segurado a minha língua, mas é difícil acompanhar, nunca sei se vou devagar ou aposto tudo com ele.

- Me desculpe...

Ele interrompe a minha tentativa fraca de me desculpar.

- Porque você disse isso? Você...

Ele fecha os olhos por um momento, troca o Dean de braço e vira pra mim.

- Você é incrível, Pat, como pai, como homem, como filho. Veja tudo que você construiu nos últimos anos sozinho, tudo o que você passou! Não consigo imaginar ninguém melhor que você para ter ao meu lado, então nunca mais repita isso!

Levo um tempo para processar o que ele acabou de dizer, ele está irritado porque...

O professor continua com a mesma cara revoltada quando vira pra frente e fala sério.

- Mãe, esse é o Pat, meu namorado. Tenho certeza que você está feliz, porque eu estou feliz. Obrigado por cuidar e ajudar ele a ser essa pessoa incrível!

Ele continua falando sobre a mudança, a escola e como a sua vida está hoje, eu ouço tudo com atenção, adoro como ele fala e se expressa, adoro principalmente como a sua voz muda quando está falando sobre o Dean ou sobre mim, posso estar exagerando, mas acho que ele também está apaixonado...

Ficamos no cemitério por muito tempo, eu aproveitei que o Pran estava distraído, fui atrás dele e o abracei, ele ficou rígido quando o beijei nas primeiras vezes, mas depois foi relaxando, algumas vezes até se encolheu rindo quando beijei o seu pescoço.

Quando o professor não tinha mais nada pra dizer nos despedimos e fomos para o carro. Caminhamos de mãos dadas e ele parecia mais feliz e confortável, talvez esse dia ajude a diminuir as suas preocupações.

Eu abro a porta do carro e o professor arruma o Dean na cadeirinha, fico esperando e abro a porta do passageiro pra ele, quando sento ao seu lado aproveito antes de ligar o carro para o beijar. Fico surpreso e feliz quando o Pran segura o meu pescoço me trazendo mais pra perto e retribui como se também não aguentasse mais esperar por isso, a sua outra mão se apoia na minha coxa por um tempo, então começa a deslizar pra cima, isso é tudo que eu preciso pra ficar com tesão e querer abrir a minha calça pra facilitar pra ele. Quando a sua mão chega na minha virilha o Dean resmunga nos assustando, olhamos para tras ao mesmo tempo, mas ele ainda está dormindo. Apesar de querer continuar com o que estávamos fazendo eu beijo o rosto do Pran e viro para ligar o carro, ele tira a mão de onde estava, mas eu seguro e coloco lá de novo, quero estar pronto pra foder ele quando chegar em casa.

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