onde ela supera o medo
FLORA MARTINS ORTIZ
Observo minhas olheiras profundas pelo espelho do banheiro. Eu não durmo direito a duas semanas, o tempo em quem meu pai me trouxe de volta para Colômbia.
Toda noite eu chorava de saudade. Saudade na minha mãe, da cidade, dos treinos, da rotina e, especialmente, de Hector.
A gente não se falava desde a ligação que Nina conseguiu fazer rapidamente. Após aquele dia, papai descobriu sobre a invasão e colocou redes de "proteção" na minha janela. Além disso, proibiu ela e tia Teresa de entrarem na casa e falarem comigo.
Por isso eu também não tinha celular, computador, absolutamente nada que eu possa usar para me comunicar com elas.
Mas eu tinha alguém. E ela se chamava Martina.
Martina era a noiva do meu pai. E eu sinceramente me pergunto todos os dias como ela poderia se casar com alguém como ele. Ela era uma das mulheres mais carinhosas e cuidadosas que já conheci, e, mesmo eu escutando os dois discutindo sobre mim na mesa do jantar e papai lhe dando ordens para não falar comigo e apenas me dar comida e água no quarto, ela nunca o escuta.
De manhã ela prepara um café da manhã e espera até meu pai ir embora para me chamar para descer e poder comer na mesa. Depois, nós duas aproveitamos que papai fica trabalhando durante o dia todo e Martina sempre inventa algo para fazermos juntas dentro de casa.
Assistimos filmes na sala, fazemos palavras-cruzadas e ela me deixa sair para o quintal treinar vôlei as vezes. Martina era um anjo na minha vida.
Ela não só faz tudo isso, como também atende Teresa e Nina quando elas vem até aqui para me ver e se certificar de que está tudo certo e conseguir mandar notícias para minha mãe. Ela me deixa conversar com elas por alguns poucos minutos, mas é o suficiente se pensar que nem atende-las era para ela estar fazendo.
Porém, a vida não é como flores e hoje era o dia de folga do meu pai. Portanto, ele estaria em casa e eu proibida de sair do quarto.
Escuto batidas na porta, eu sei que não eram de Martina, eram fortes demais.
— Entra — digo com voz entediada e abro um dos mil livros que meu pai adquiriu para eu estudar e passar em uma universidade, fingi que estava grifando um texto qualquer quando ele adentrou meu quarto com uma semblante duro.
— Como você conseguiu? — exigiu batendo a porta com força.
O olhei confusa. Do que caralhos ele estava falando?
— O quê? — franzi o cenho e escutei sua respiração profunda.
— Não se faça de retardada, Flora — se aproximou — sua mãe tá lá embaixo, quero saber como ela tá sabendo do novo endereço e porque ela está aqui!
Meu coração disparou mais ainda no peito ao saber que mamãe conseguiu chegar até mim.
— E-eu juro que não falei nada, p-pai — gaguejei nervosa com seu olhar irado na minha direção — eu nem teria como.
— Foi aquela sua amiguinha e a mãe dela, não é? — esmurrou a parede, o rosto ficando todo vermelho — porra, eu sabia que não era pra deixar ela ser sua madrinha!
Meu nariz ardeu com vontade de chorar, mas eu não iria, não na frente dele, não agora.
— D-desculpa — engasguei na palavra, não sabia exatamente o que dizer, provavelmente nada melhoraria a situação.
VOCÊ ESTÁ LENDO
¡PERFECT! Hector Fort
Fanfictiononde Flora se muda por causa do divórcio dos seus pais ou onde Hector, jogador do Barcelona, está treinando na academia e encotra a nova aluna da escola
