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onde ele defende ela

FLORA MARTINS ORTIZ

Eu estava preparada pra tudo. Sério. Tudo mesmo. Até encontrar meu pai dentro de casa. Mas minha mãe beijando um homem no sofá de casa? Definitivamente não.

Só para constar, não estou chateada nem me sentindo traída ou algo parecido. Só é muito estranha situação. Foi sem aviso prévio e uma grande surpresa isso.

Mas estou feliz por ela. Mamãe merece ser feliz, sozinha ou acompanhada, como se sentir melhor.

— Flora, amor! — minha mãe ofega depois de se levantar assustada — não te ouvi chegar — colocou a mão no peito aparentemente tentando se acalmar — oi, Hector — cumprimentou meu namorado ao meu lado que também tinha os olhos arregalados e surpresos.

— Oi, Ana — pigarreou.

— Filha, esse é o Carlos — apresentou o homem, que era bem bonito e de alguma forma me lembrava alguém, o cara deu um aceno envergonhado na nossa direção — ele é... um amigo, do trabalho.

Tive vontade de rir dela. Porque, sinceramente, que amizade.

— Sim, mãe — cruzei os braços decidindo provocá-la — eu e o Hector também éramos amigos — conto e vejo os dois corarem e uma risadinha do meu namorado.

— Eu acho que já vou, Ana — Carlos falou desajeitado e hesitante, apontou para a porta mas não se moveu.

Mamãe parecia chateada quando ouviu isso, senti vontade de fazê-lo ficar, de fazer algo por ela.

— Carlos — o chamo e ele me olha, eu via um medo e apavoro no seus olhos — fica mais um pouco — o convido e de canto de olho percebo minha mãe me olhar confusa, mas radiante — claro, se você puder, janta com a gente — o convido.

Os três presentes me olham surpresos e vejo o casal mais velho trocar olhares em um diálogo silencioso.

— Você é o melhor ser humano do mundo, sério — Hec sussurra no meu ouvido e o vejo sorrindo orgulhoso para mim.

— Eu só quero devolver a minha mãe tudo o que ela já fez por mim — dou de ombros e sinto seu braço enlaçar na minha cintura e um beijo na minha têmpora — não é nada demais, quero conhecer ele, parece ser uma boa pessoa.

— Ele vai ficar — anunciou minha mãe e sorri animadora — pode ser pizza?

[...]

— Então vocês dois jogam no Barcelona? — Carlos pergunta depois que terminamos de contar a história de como eu e Hector nos conhecemos, como ele havia ficado curioso.

— Jogo no futebol e ela no vôlei — meu namorado assente apontando de mim para ele.

Fazia uns 30 minutos que nos sentamos na mesa para jantar a pizza e começamos a nos conhecer melhor.

Carlos era jornalista esportivo e passou a vida viajando por aí com seleções e times de vários países. Sua esposa havia morrido a alguns anos e ele conseguiu um emprego em um jornal virtual, assim como minha mãe.

Porém, enquanto ele era da área dos esportes, ela cuidava da parte da moda.

— Legal — assentiu sorrindo — vou cobrir o seu jogo contra o Athletic no próximo sábado — apontou para meu namorado — junto com a minha filha.

Opa, essa parte aí ele não havia falado antes.

— Sua filha? — pergunto confusa olhando dele para minha mãe.

— Sim — concordou — ela é fotógrafa ou pelo menos quer ser isso, tem quase 17 anos, conseguiu um estágio lá no Barcelona mesmo, vocês nunca a viram por lá?

¡PERFECT! Hector FortHistórias para pegar e não largar. Descubra agora