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onde eles estão nos Estados Unidos

HECTOR FORT

Eu estou em desespero.

Não sei mais o que eu faço.

Depois da minha festa surpresa, deixei uma Flora quase que paralisada em casa e eu deixei que ela ficasse assimilando a mensagem do pai até que eu tivesse voltado do treino no final da tarde. Pedi a Idalete, que acompanhava Pau Victor nos Estados Unidos, que checasse ela de uma em uma hora.

As duas tinham se conhecido em um dos churrascos do Raphinha e criaram um tipo de amizade. Idalete adora Flora, assim como minha namorada também adora ela.

De acordo com ela, Flora não saiu do quarto, não comeu, fez absolutamente nada. E isso me assustava pra caralho.

Era nosso primeiro dia nos Estados Unidos, e amanhã seria o primeiro amistoso, contra o Manchester City. Os principais jogadores, foram todos jogar a Euro ou a Copa América, então teriam férias até os playoffs acabarem, era a chance dos secundários jogarem, isso incluía eu e muitos dos meus amigos da LaMasia.

Entrei no nosso quarto, avistei minha namorada virada de costas para mim e quando cheguei mais perto vi que estava dormindo. Decidi tomar banho primeiro, já que havia acabado de voltar do treino e, mesmo com a ducha no final, ainda sentia suor e cheiro de chuva e grama molhada em mim.

No banheiro pensei no que faria com a situação de Flor. Eu não suportava vê-la assim. Eu não entendia como ela se sentia, e estava desesperado para entender, desesperado para tirar a angústia dela.

Troquei a roupa depois de me secar, saí do banheiro e Flora continuava dormindo. Fui até o criado ali perto da cama, onde tinha o telefone, telefonei para a recepção e pedi algumas frutas que eu sabia que ela gostava. Me deitei do lado dela e comecei a passar minhas mãos pelos seus braços descobertos pela regata rosa.

— Flor — a chamei e a ouvi resmungar — acorda, por favor — pedi, seus olhos se abriram e sua cabeça se virou para mim.

— Você voltou? — murmurou com a voz rouca e sorri levemente para ela.

— Voltei — assenti e deixei um beijo no seu ombro —a gente pode conversar? — ela pensou por bons e longos segundos, mas assentiu e se levantou.

Encostei ela na cabeceira da cama e fiquei na frente dela, com minhas mãos em seus joelhos.

— Conversar sobre o que? — perguntou parecendo apreensiva e movi meu dedão em um carinho reconfortante.

— A gente pode falar sobre a mensagem? — pergunto, hesitando ao tocar no assunto. Flora mexe nas mãos em ansiedade, mas mesmo assim concorda — me diz o que você tá pensando, o que você tá sentindo, amor — pedi, quase implorando — eu quero tirar isso de você, quero te ajudar a passar por isso. Me ajuda a te entender, eu preciso disso, linda.

Tiro uma mecha do seu cabelo do rosto e vejo seus olhos marejados. Ela começa a morder os lábios, como se não quisesse chorar.

— Pode chorar, Flor — a aconselho — você não precisa mais chorar escondida, não precisa mais guardar tudo pra você, fala comigo, chora comigo, eu tô aqui pra você, princesa, tô aqui pra te ouvir e te ajudar.

As lágrimas começaram a cair e não pararam mais. Meu coração partiu no meio quando ouvi o primeiro soluço. Me movi para ficar ao seu lado e a abracei. Minha namorada se agarrou a mim como se sua vida dependesse disso e tive que fazer muito esforço pra não chorar também.

Meu coração não aguentava toda a tristeza e sofrimento que aquelas lágrimas e soluços significavam. Deixei que chorasse até quando quisesse parar e estivesse pronta para falar.

¡PERFECT! Hector FortHistórias para pegar e não largar. Descubra agora