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onde ela conta para ele sobre o passado


HECTOR FORT

Era o terceiro dia que eu não via minha namorada. E isso me deixava louco. Claro, conversávamos por mensagem e ligação, mas ela me afastou da casa dela.

Desde que chegamos dos Estados Unidos a três dias e encontramos seu pai sentado na sala de estar conversando com Ana, ela parece que voltou para quando recebeu a mensagem do casamento e no primeiro dia de viagem.

E eu já falei que isso me deixa desesperado pra um caralho? Porque Flora fica totalmente reclusa, constrói uma barreira em volta de si mesma e não consegue nem falar o que sente.

Parece que ela volta a um estágio de depressão. E isso é demais pra mim. Eu não consigo ficar sem fazer nada.

Bato na porta da casa dela no domingo à tarde, troco o pequeno buquê de tulipas de mão e espero. Quem me atende é Ana, que me mostra um sorriso. E, sinceramente, era diferente, parecia um sorriso preso, meio falso.

— Oi, Hector, tudo bem? — me cumprimentou e deu espaço abrindo mais a porta — entra aí.

Entrei e fiquei olhando para a sala, a cozinha, o quintal e as escadas, procurando qualquer sinal da minha namorada.

— Oi, Ana — sorrio contido e ela sinaliza que posso me sentar no sofá da sala, enquanto ela se senta na poltrona — a Flor tá aí? Eu precisava falar com ela.

— Ela saiu com o pai dela — me responde e começo a ficar um pouco mais maluco do que eu já estava — acho que eles já estão voltando, quer esperar?

— Eu espero — confirmo e me encosto no sofá colocando as flores no meu colo.

— Muito bonitas — elogia apontando para ela, agora sim vejo um sorriso mais verdadeiro — gosto que você sempre de flores para ela — sinto meu rosto esquentar e sorrio envergonhado.

— Eu gosto de dar flores pra ela — admito — ela sempre fica mais feliz.

O silêncio vem novamente. Eu realmente não sei dizer se era confortável ou não, estava ocupado demais martelando apenas uma pergunta na minha cabeça.

— Ana — a chamo, cauteloso — posso te fazer uma pergunta?

— Claro — respondeu ela e cruzou as penas — vá em frente.

— Qual a relação entre a Flora e o pai? — pergunto de uma vez, eu precisava dessa resposta como precisava de comida — eu nunca entendi direito, ela já falou uma coisa ou outra, mas parece tão confuso.

Ela solta um longo suspiro e mexe nos dedos nervosamente, assim como Flora faz quando esta ansiosa.

— Eu não sei até que ponto ela te falou, Hector — confessou olhando para as próprias mãos — o que posso dizer é que sempre foi complicado.

— Como assim? — questiono preocupado.

— Meu ex-marido é muito instável, querido — contou o que já sabíamos — tinha dias que ele estava de tão bom humor que levava ela pra passear e fazia tudo o que ela queria, porém, se Flora fizesse qualquer mínima coisa que ele não gostava ou que saísse do plano dele, ele surtava com ela. Flora estava sempre pisando em ovos com ele.

Jesus Cristo. Era pior do que eu pensava.

Passo minhas mãos pelos meus cabelos em um gesto ansioso.

— Surtava como? — pergunto trêmulo e com medo demais da resposta.

— Ah, querido — suspirou novamente e negou com a cabeça — eu realmente não sei se ela quer que eu te fale isso, mas eu vejo uma preocupação genuina em você, isso me faz querer que eu te conte — mordeu a bochecha e coçou o braço — era sempre a mesma coisa, se a ela tirava nota baixa na escola, se ela quebrasse um mínimo copo sem querer, se ela pedisse algo pra ele que não custe dinheiro, se ela perdesse algo que ele deixou ela cuidando — citou nos dedos — Rafael a chamava de tudo quanto era coisa.

¡PERFECT! Hector FortHistórias para pegar e não largar. Descubra agora