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onde ela volta


FLORA MARTINS ORTIZ

O dia seguinte foi um alívio pra mim.

Depois que desliguei a ligação com Hector, Nina subiu e me emprestou roupas para tomar um banho. Acabei não vendo quando seus pais voltaram junto com minha mãe e Carlos. Depois do banho eu simplesmente capotei na cama.

E acordei agora. Ouço vozes no andar de baixo e reconheço cada uma. Mamãe, Carlos, tia Teresa, tio Ernesto, Nina e o advogado. Me sinto leve em perceber que meu pai não está entre eles.

Ainda de pijama, desço até a cozinha para me juntar a eles. De início, quando me veem, há um silêncio.

— Bom dia, meu amor — mamãe é a primeira a me cumprimentar, ela tinha um sorriso cauteloso no rosto.

— Bom dia — os outros seguiram seu exemplo.

— Bom dia, gente — sorri fechado para eles.

— Como você se sente, Flora? — Carlos me perguntou.

— Melhor, só de ter vocês aqui eu já me sinto muito melhor — sou sincera e eles sorriem para mim.

— Que bom, Florinha — tia Teresa, a mais perto de mim, passa a mão pelo meu braço — se senta e toma café. Vamos contar as novidades, acho que você vai gostar — piscou para mim.

A ansiedade começou a correr pelo meu corpo. O que será que tinha acontecido?

— Bom, Flora — começou o advogado — muito prazer, sou Roberto, advogado do senhor Castillo — apontou para Carlos — estou cuidando do seu caso e o da sua mãe, e ontem conseguimos por um ponto final nesse pesadelo.

Apenas assenti com a cabeça, esperando por mais explicações.

— Depois do ocorrido com Martina e seu discurso— continuou ele — conseguimos, com muito esforço, controlar seu pai, não foi nada fácil — negou com a cabeça.

— Imagino — assenti.

— Conseguimos chegar a um acordo, ele continuaria pagando a pensão sua e do seu irmão, mas não voltaria a se aproximar de vocês e nem da sua mãe — explicou.

— Mas isso não precisaria de uma medida protetiva? — questionei confusa.

— Sim — concordou ele.

— Mas essas coisas não demoram? — foi Nina quem perguntou agora.

— Sim, exato — confirmou — mas quando ameaçamos levar o caso para um juíz, ele se opôs e custou para fazermos o acordo sem precisarmos de uma autoridade. Claro, foi um acordo informal, mas fiz questão de fazer uma documentação com as assinaturas, para servir de prova caso isso seja quebrado.

— E se for? — perguntei, com medo de que realmente acontecesse.

— Levaremos o caso a um juíz, e pode ter certeza, Flora, se isso acontecer, ele perde total direito de ver vocês e muitos outros — gesticulou com as mãos — entenda, o que ele fez com vocês durante esses anos, pode ser considerado um tipo de tortura psicológica, te causou danos — apontou para mim — e teríamos várias testemunhas a nosso favor, incluindo sua antiga psicóloga, que, creio eu, ainda tem relatos seus contando sobre as brigas.

— Tem — confirmo me lembrando que as únicas vezes que eu chorava na terapia era quando eu falava do meu pai, ou quando me sentia mal por não conseguir conversar com ela — então, acabou?

— Acabou, filha — concordou mamãe — vamos voltar para casa.

Juro que quase cedi de alívio e felicidade ali mesmo, se não fosse por eu estar sentada.

¡PERFECT! Hector FortHistórias para pegar e não largar. Descubra agora