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onde ele descobre

HECTOR FORT

Se tem uma coisa que eu odeio, é o celular não carregar durante a noite, e pior, não ter onde nem tempo de carregar depois.

E foi isso o que aconteceu quando acordei hoje cedo e embarquei no ônibus de volta para Barcelona.

Eu conseguia sentir no meu corpo todo que havia algo fora do lugar, que algo estava acontecendo, mas eu simplesmente não sabia o quê.

Quando finalmente cheguei em casa, perto da hora do almoço, me animei ao ver o carro de Ana estacionado na frente e ansiedade corria por mim em desespero de ver logo minha namorada.

Estaciono meu carro na garagem e retiro minhas malas. Ainda estou sorrindo quando abro a porta e distraído demais tentando puxar as malas para dentro da casa.

Estranho quando não sinto o cheiro familiar de Flora, ou seus braços me envolvendo. Estranho ainda mais quando fecho a porta e finalmente me viro para o sofá da sala, vendo um clima terrível ali.

Pior que isso só quando percebi que minha Flor não estava entre eles. E finalmente me dei conta de que a sensação ruim, não era apenas uma sensação.

— Oi, filho — minha mãe fungou do seu lugar no sofá, meu pai estava ao seu lado e passava a mão pelas suas costas.

Franzi meu cenho quando Ana enterrou a cabeça entre as mãos e seus ombros tremiam violentamente, Carlos também estava ali, visivelmente tenso e tentando acalma-la.

— O que aconteceu? — exijo saber caminhando até eles — cadê a Flora?

— Filho — papai me chama e mais uma vez mamãe e Ana choram — você não leu as mensagens? Não olhou seu celular?

O meu Jesus. Acho que vou me explodir.

— Ele não carregou no hotel e não consegui carregar depois — expliquei e a sala caiu em um silêncio novamente.

Decidi pegar logo o carregador e o celular e os conectar em uma tomada qualquer da cozinha, longe do clima daquela sala. Eu não ia conseguir ficar lá por agora, não sem antes saber o porquê daquilo tudo.

Demorou o que pareceu uma eternidade até o celular ligar. E como eu queria que não tivesse ligado.

Meu coração despencou no peito ao ver várias chamadas perdidas dos meus pais e de Ana, e umas mil mensagens deles também. Mas nada foi tão desesperador do que ver só uma, e apenas isso, de Flora.

E como eu não queria ter lido aquela mensagem.

"não quero mais nada com vc, vou voltar pra Colômbia e não me procura mais"

Que caralhos?

Tem algo errado.

Tentei ligar para ela, mas não chamava. Olhei para a última vez que ela viu o aplicativo e tinha sido um minuto depois que enviou a mensagem.

Meu dedo onde tinha a aliança queimava, igualmente ao meu pescoço onde eu guardava a inicial dela. Na verdade, todo o meu corpo queimava.

Respirei fundo. Era impossível que ela tivesse escrito aquilo. Eu não queria acreditar.

Pensando bem, isso não fazia nem sentido. Minutos antes da mensagem estávamos em chamada de vídeo e no nosso normal de sempre. Ela estava muito feliz com os tênis e com o patrocínio que eu consegui, não parecia estranha ou com intenção de terminar.

Não. Realmente algo estava errado.

Voltei para a sala de novo e encarei os quatro ali.

— Podem explicar? — pedi, não queria exigir nada de ninguém, só queria uma explicação plausível pra minha namorada querer terminar comigo.

¡PERFECT! Hector FortHistórias para pegar e não largar. Descubra agora