poison.

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》Onde o capitão do Black Soul, Han Jisung, é atacado pela marinha real

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》Onde o capitão do Black Soul, Han Jisung, é atacado pela marinha real

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O vento soprava carregado de sal, chicoteando as velas inchadas que estalavam como couro sob chicote

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O vento soprava carregado de sal, chicoteando as velas inchadas que estalavam como couro sob chicote. O convés do grandioso navio Black Soul rangia em lamentos sob os pés dos homens, cada madeira impregnada do cheiro de sangue antigo e maresia. No meio da rotina incessante - cordas sendo puxadas, barris rolando, botas deslizando no convés molhado - uma voz grave ergueu-se, áspera, como o estalar de uma corda prestes a partir.

- "Oh mar aberto, guarda os mortos, guarda o horror..."

Era apenas um, um velho de barba grossa e dentes falhos, que puxava o verso como quem cospe a vida no oceano. A princípio, alguns riram baixo, mas outro marinheiro, mais jovem, largou o balde de água salgada e bateu a mão contra a madeira do corrimão, marcando o compasso. Sua voz, mais alta, respondeu:

- "Oh mar sangrento, bebe o vinho, bebe a dor..."

E então vieram outros. Homens de cicatrizes abertas pelo tempo, tatuagens desbotadas nos braços, bocas que cheiravam a rum. As vozes surgiam aos poucos, como feras despertando no escuro, até que o coro ganhou corpo. Batidas de botas no convés se tornaram tambores de guerra, palmas contra coxas ecoaram como trovões. O navio inteiro passou a vibrar como um monstro vivo.

- "Se a morte chama, que chame forte, que chame já!"
- "Se o mar devora, que nos consuma, que nos terá!"

Eles riam entre versos, cuspindo no chão, urrando como animais, batendo uns nos ombros dos outros enquanto cantavam. A canção não era bonita. Era brutal, arranhada, feita de gargantas gastas pelo sal, uma música que parecia arrancar forças da própria carne. Cada palavra era uma afronta ao céu e um brinde à morte.

O coro foi crescendo até se tornar ensurdecedor. O navio Black Soul inteiro era um tambor de ossos, e o mar parecia responder, levantando ondas contra o casco. Um homem ergueu a garrafa de rum, despejando o líquido sobre o convés como oferenda, enquanto outro bateu com a ponta da adaga contra a madeira, no ritmo da música.

swallow - minsungOnde histórias criam vida. Descubra agora