Vertigem

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NOTAS INICIAS DA MORCEGA

É, preciso admitir que estava MORRENDO DE SAUDADE disso aqui, me divirto demais com os comentários e foi uma delicia ser recebida com tanta alegria depois de tanto tempo. <3

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O movimento doeu.

Madu fez careta mas insistiu, pegou o aparelho com os dedos ainda trêmulos, trouxe até o peito e olhou para a tela iluminada. Havia mensagens antigas, notificações ignoradas, o grupo da família com dezenas de coisas, mensagens da irmã, da avó, da tia e da mãe.

Os olhos de Maria Eduarda se encheram ao abrir a conversa, a última mensagem de Simone era de poucas horas antes:

"Filha, eu sei que você está dormindo, mas eu precisava escrever. Me perdoa por tudo o que eu não consegui ser hoje e antes. Eu estou aqui. Vou continuar aqui. Te amo infinitamente."

Só isso, sem defesa nem justificativa, sem "mas", nem explicação política, moral ou adulta demais. Só amor. Duda ficou olhando a mensagem por longos segundos e então, com dedos lentos e pesados, escreveu de volta:

"Quero te ver amanhã cedo."

Pensou em apagar, em escrever mais, até em dizer que estava confusa, triste, cansada, com saudade e com medo, mas não tinha força, mandou só aquilo.

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Do outro lado da cidade, já deitada no quarto de hospedes, Simone ouviu o som do celular vibrando no criado-mudo improvisado. Ela se levantou num susto, Alessandro ergueu a cabeça do travesseiro imediatamente.

— O que foi?

Simone pegou o aparelho, leu a mensagem e levou a mão à boca, os olhos se inundaram na mesma hora.

— É a Madu.

— O que ela disse? A voz de Alessandro saiu quase sussurrada e Simone olhou para ele como quem recebeu, dentro do cansaço, uma pequena tábua de salvação.

— "Quero te ver amanhã cedo."

O silêncio que se seguiu foi enorme, não pesado, enorme. Simone sentou na cama de novo, olhando para a tela como se tivesse medo de que as palavras desaparecessem.

— Ela me respondeu.

— Eu sei.

— Ela me respondeu, Alessandro.

A repetição veio infantil, atônita, quebrada e ele se aproximou e abraçou os ombros dela por trás, apoiando o rosto ali.

— Eu sei, amor.

Simone chorou de novo, mas dessa vez o choro vinha atravessado de esperança e então respondeu com dedos trêmulos:

"Eu vou. Te prometo."

Mandou, ficou esperando os três pontinhos aparecerem. Não apareceram. Ainda assim, sorriu entre lágrimas e Alessandro beijou-lhe a têmpora.

— Agora tenta dormir um pouco.

— Eu acho que não consigo.

— Então fecha os olhos mesmo assim. Já ajuda.

Ela assentiu, deitou e virou de lado ele se acomodou atrás, envolvendo-a com cuidado, sem apertar demais, só o bastante para que ela sentisse que não estava sozinha nem por um segundo.

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⏰ Última atualização: 3 days ago ⏰

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