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Capítulo 25 - O jantar

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O som de saltos altos desconhecidos ecoando pela escada de madeira do casarão me despertou antes mesmo que o sol terminasse de subir completamente no horizonte da fazenda. Quando abri os olhos, o lado da cama de Dante já estava vazio, mas o lençol ainda guardava o calor do seu corpo.

Enrolei-me no lençol e caminhei até o closet, onde a movimentação estava concentrada. Duas mulheres vestidas com terninhos impecáveis terminavam de empilhar grandes caixas de papelão preto com o logotipo dourado de uma grife famosa. Atrás delas, com os braços cruzados sobre o peito e uma xícara de café fumegante na mão, Dante vigiava cada movimento com o semblante fechado. Ele ainda usava a calça de moletom cinza da noite anterior, os cabelos desalinhados e a barba por fazer dando-lhe um ar implacável.

— Podem descer e pedir para a Marta servir um café para vocês na cozinha — a voz de Dante ressoou grossa, sem paciência. — Eu resolvo daqui para a frente.

Assim que as funcionárias saíram apressadas, entrei no closet. Meus olhos de menina brilharam diante de tanta riqueza. Havia seda, cetim e pedrarias reluzentes espalhadas pelas poltronas. Dante largou a xícara de café e começou a revirar as opções com os dedos grossos, mas o clima calmo da manhã mudou em um piscar de olhos quando ele puxou um vestido vermelho-vivo. O tecido era fluido, mas as costas eram completamente nuas, indo até o limite do quadril, e a frente tinha um decote que mal cobria os mamilos.

O maxilar de Dante trancou na hora. As sobrancelhas se colaram e os olhos pretos faiscaram de puro ódio.

— Mas que porra é essa aqui? — ele rosnou, a voz subindo uma oitava, o ciúme cego explodindo no peito largo. Ele rasgou o cabide da arara com tanta força que o plástico estalou. — Eles acham que eu vou levar a minha mulher para a capital vestida de puta?

Ele jogou o vestido vermelho no chão do closet como se fosse lixo. Avançou para o próximo, um modelo dourado cheio de transparências na barriga e nas coxas, e o arremessou logo em cima do outro.

— Esse aqui também não! Nenhum homem vai colocar os olhos no que eu pego toda noite. Ninguém vai ver um centímetro da sua pele além do que eu permitir. Aquelas costureiras desgraçadas vão ouvir de mim.

Ele estava bufando, descartando tudo o que considerava "exposto demais" com movimentos brutos. Foi nesse momento que eu ignorei a arara que ele revirava e bati os olhos em uma capa protetora de veludo preto, meio escondida no canto. Aquilo me puxou como um ímã. Aproximei-me e puxei o zíper devagar.

Meus olhos se fixaram na peça. Era um vestido preto de alfaiataria pesada, colado, com um decote tomara que caia reto, clássico, e uma fenda profunda na perna direita que subia até o meio da coxa. Lindo. Poderoso. No mesmo instante, senti meu coração ditar: vai ser esse.

— Nem pense nisso, Milena — a voz de Dante veio atrás de mim, ríspida, a ciumeira estalando no tom de voz. Eles largou as caixas e puxou um cabide com um vestido azul bebê, fechado até o pescoço e com mangas longas. — Você vai usar este aqui. É comportado. Elegante.

Olhei para o vestido que ele exibia e depois para o preto que eu havia escolhido e que tinha me ganhado no primeiro olhar. Uma onda nova de firmeza, algo que eu nunca tinha sentido antes, subiu pelo meu peito. Eu estava cansada de me esconder atrás de panos largos.

— Não, Dante. Eu vou usar o preto — mudei o tom, enfrentando os olhos dele com mansidão, mas sem recuar.

Dante semicerrou os olhos pretos, o maxilar trancando na hora. Ele deu um passo à frente, a possessividade emanando do seu corpo imenso.

— Você ficou louca, menina? — ele rosnou baixo. — Olha o tamanho dessa fenda na perna. Olha esse decote que não tem nem alça para segurar.

— É um jantar em família, não é? — retruquei, sustentando o olhar dele, sentindo-me estranhamente empoderada. Peguei o vestido preto do cabide e o abracei contra o meu corpo. —Eu vou como a sua mulher. E eu escolhi esse.

Rendida ao MonstroHistórias para pegar e não largar. Descubra agora