Capítulo 19 - No dia seguinte

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O peso do meu corpo contra o colchão parecia triplicado quando abri os olhos. Demorei alguns segundos para reconhecer o teto de madeira escura do quarto principal e mais tempo ainda para assimilar o silêncio absoluto que dominava o ambiente. A claridade da manhã entrava tímida pelas frestas da cortina, desenhando linhas douradas no chão de taco.

Passei as mãos pelas laterais do meu corpo, esperando encontrar a textura áspera, úmida e fria que minha mente fragmentada lembrava ter deixado para trás antes de apagar. Mas o tecido sob os meus dedos era liso, seco e cheirava a amaciante fresco. Os lençóis estavam impecavelmente brancos.

Um sonho, pensei por um segundo, o coração dando um salto descompassado no peito. Um delírio da minha cabeça doente por ler aquelas páginas até tarde.

Uma fisgada aguda, uma ardência física e profunda na minha intimidade, me fez soltar um gemido baixo e travar no lugar. Minhas coxas protestaram, os músculos da minha lombar pareciam moídos e cada centímetro da minha pele parecia vibrar com uma sensibilidade dolorosa. Não tinha sido um sonho. A realidade me atingiu com a força de um soco: Dante tinha me tomado, repetidamente, até que meu corpo simplesmente desistisse e apagasse sob o peso dele.

E, no entanto, eu não conseguia — e nem tentava — esconder de mim mesma que tinha gostado. Uma sensação morna, intensa e arrebatadora se espalhou pelo meu peito. Eu estava realizada. Aquela barreira invisível de medo que existia entre nós tinha sido pulverizada pela possessão dele. A verdade estava escancarada: eu gostei do controle absoluto dele, da forma selvagem como ele me quis, e de como meu corpo tinha correspondido com tanta força àquela entrega. Pela primeira vez desde que cheguei àquela fazenda, uma onda de felicidade genuína me invadiu. Eu estava, finalmente, feliz com o meu casamento por ele ser meu.

Virei o rosto para o lado e, na cabeceira de madeira, vi minha velha boneca de pano, o único pedaço da minha vida antiga que eu tinha trazido para aquele inferno. Peguei-a com os dedos trêmulos, trazendo-a contra o peito com um sorriso bobo nos lábios enquanto encarava o teto.

— Ele fez, Lili... — sussurrei para o brinquedo, a voz saindo rouca, gasta pela noite anterior, mas carregada de uma leveza nova. —  Foi bruto, doeu... mas ele me limpou. Eu lembro da água morna. 

Fiquei ali por alguns minutos, abraçada à boneca, saboreando aquela sensação inédita de plenitude antes de levantar. Cada passo até o banheiro foi uma provação; eu andava com as pernas ligeiramente afastadas, sentindo o incômodo real da posse de Dante, mas cada fisgada era um lembrete delicioso de que eu pertencia a ele.

Quando parei em frente ao espelho do banheiro, o fôlego sumiu dos meus pulmões, mas não por medo. O reflexo mostrava que meu corpo era um mapa do apetite dele. Havia hematomas roxos nos meus pulsos, marcas de dedos na curva da minha cintura e, no meu pescoço e colo, uma constelação de chupões escuros e marcas de mordidas avermelhadas. Eu estava completamente marcada. Visivelmente carimbada como a propriedade daquele cowboy, e aquela visão só fez meu estômago dar voltas de puro desejo acumulado.

Como a casa parecia vazia e eu não sentia a menor necessidade de esconder o que tínhamos vivido, decidi vestir algo que me deixasse confortável e livre. Escolhi um vestido bem solto, de tecido leve e florido, que caía suavemente pelas minhas curvas sem apertar minha intimidade dolorida. Ele não tampava tudo, o decote sutil ainda deixava visível o início de um dos chupões no meu colo 

Segurei no corrimão da escada, descendo um degrau de cada vez, sentindo-me radiante apesar da dor física. Eu ia começar as obrigações da casa com um ânimo que há muito tempo não sentia.

Mas o cheiro que vinha do corredor mudou o meu foco. Cheiro de fumaça, gordura e carne.

Quando entrei na cozinha, a cena me fez parar na porta. Dante estava de costas para mim, parado em frente ao fogão industrial. Ele usava apenas a calça jeans e as botas de couro; as costas largas e musculosas exibiam alguns arranhões novos e avermelhados — marcas das minhas unhas de ontem à noite. Ele estava com uma espátula na mão, fritando ovos com bacon na frigideira de ferro. Exatamente a refeição que eu sabia preparar e que vinha fazendo nos últimos dias.

Rendida ao MonstroHistórias para pegar e não largar. Descubra agora