O calor veio antes da consciência. Acordei sentindo um peso esmagador contra o meu peito e uma quentura densa que contrastava com o ar gélido da manhã. Demorei alguns segundos para processar onde estava, até que o cheiro de uísque, tabaco e sabonete caro invadiu meus sentidos.
Dante.
Ele estava grudado às minhas costas, com um dos seus braços massivos e pesados passado por cima da minha cintura, me prendendo contra o peito nu dele como se eu fosse um bicho de pelúcia. Mas o que fez meu sangue congelar e uma onda de vergonha insuportável subir pelas minhas bochechas foi perceber a minha própria posição: durante a noite, meu corpo, buscando calor no frio daquela madrugada, tinha se encaixado perfeitamente no dele. Minhas pernas estavam entrelaçadas nas dele e eu estava encolhida ali, buscando abrigo no mesmo monstro que, horas antes, tinha me marcado com um cinto.
Uma raiva sufocante misturada com nojo de mim mesma me fez tentar escapar do aperto. Me mexi devagar, mas no mesmo instante o braço dele se tensionou, me puxando ainda mais contra seus músculos rígidos.
— Fique quieta — a voz dele ecoou possessiva, rouca de sono, direto no meu ouvido.
O comando funcionou, me paralisando por mais alguns minutos até que ele finalmente se movesse. Dante se levantou com a crueza de sempre e me puxou junto pelo pulso. Tentei resistir, fincando os pés no chão, mas um gemido de dor escapou dos meus lábios quando o movimento repuxou a pele da minha coxa. Sem esforço, ele me arrastou em direção ao banheiro do quarto.
— Me solta, Dante! Eu sei tomar banho sozinha — protestei, a voz falhando enquanto tentava puxar meu braço de volta, lutando contra a fraqueza do meu próprio corpo.
Ele parou na porta do banheiro, virando-se lentamente para mim. Seus olhos pretos pareciam ler cada centímetro do meu rosto machucado antes de descedem para o meu corpo trêmulo.
— Você mal consegue ficar de pé, garotinha — ele disse, a voz baixa, grave e sem dar margem para questionamentos. — Você vai entrar lá comigo. Eu vou dar o banho em você hoje.
— Não... por favor, eu tenho vergonha — murmurei, desviando o rosto, sentindo minhas bochechas queimarem. — Não olha tanto para mim...
Dante deu um passo à frente, encurtando a distância e segurando meu queixo com uma firmeza surpreendentemente delicada. Ele me obrigou a olhar bem no fundo dos seus olhos obsessivos, um meio sorriso sombrio e possessivo surgindo nos lábios.
— Deixar de olhar? Eu sou o seu marido, Milena. Eu olho para onde eu quiser e a hora que eu quiser em você — ele afirmou, a voz rústica ecoando no espaço fechado. — Agora tire a roupa. Não me faça pedir duas vezes. Eu vou cuidar de você, e nós vamos entrar juntos. Entendido?
A autoridade na voz dele misturada com aquele direito absoluto de posse me fez ceder. Tirei as peças com as mãos trêmulas sob o olhar atento e devorador dele, que se despiu logo em seguida.
Entramos juntos sob o chuveiro e, assim que a água morna começou a escorrer pelos nossos corpos e atingiu a minha coxa direita, eu encolhi os ombros, soltando um choramingo sôfrego de dor. A pele ali estava em carne viva, ardendo de forma insuportável sob o calor da água. Segurei nos braços massivos dele para não cair, as lágrimas voltando a arder nos meus olhos.
Dante travou os músculos na mesma hora. Ele olhou para a marca roxa e vermelha na minha pele alva e soltou um suspiro pesado, o maxilar trincado. Segurando minha cintura para me dar apoio, ele usou o próprio corpo para bloquear o jato forte do chuveiro, deixando apenas um filete suave de água cair sobre o meu ferimento.
— Calma... já vai passar — ele murmurou perto do meu ouvido, a voz mais mansa, limpando o choro do meu rosto com o polegar áspero. Era o jeito dele de se desculpar, sem a fraqueza de pedir perdão com palavras, mas demonstrando uma proteção violenta e cuidadosa. — Eu sinto muito...
VOCÊ ESTÁ LENDO
Rendida ao Monstro
RomanceEla cresceu aprendendo que o mundo não era feito para pessoas frágeis. A infância foi construída entre silêncios sufocantes, olhares tortos e traumas que se alojaram tão fundo em seu peito que transformaram sua existência em um constante estado de a...
