O tremor começou nas minhas costelas e se espalhou pelos meus dentes no instante em que Dante me puxou para fora da água. O calor do meu próprio corpo havia se dissipado na correnteza esmeralda, e o vento do fim da tarde batendo na minha pele nua era como pequenas agulhas de gelo.
Antes que minhas pernas vacilassem no cascalho, os braços de Dante me envolveram. Ele me ergueu do chão com uma facilidade assustadora, colando meu peito molhado ao seu tronco ainda quente.
— D-Dante... está frio — gaguejei, encolhendo-me contra o pescoço dele.
Ele não respondeu imediatamente. Caminhou pisando firme até a rocha onde nossas roupas estavam jogadas. Com uma das mãos, deitou a própria camisa jeans escura, que ainda guardava o calor do corpo dele e aquele cheiro característico de fumo de corda, loção pós-barba e couro. Ele a jogou pelos meus ombros, cobrindo minha nudez, e o tecido grosso me trouxe um alívio instantâneo, embora o perfume dele tenha invadido meus sentidos, deixando-me tonta.
Dante me colocou de pé sobre a rocha seca, mas não me soltou. Seus olhos pretos passaram pelo chão, vasculhando a pedra até encontrar o cropped branco e a saia rosa rodada. Ele se curvou, recolhendo as peças com um puxão ríspido. Foi quando ele franziu a testa, revirando o tecido rosa entre os dedos grossos.
— Onde está o resto, Milena? — a voz dele saiu baixa, vibrando com uma nota de advertência.
— O r-resto do quê? — perguntei, apertando a camisa jeans contra o meu peito.
— A porra da sua calcinha — ele disparou, erguendo os olhos para mim, as sobrancelhas quase se colando de tão fechado que estava o semblante. — Onde você enfiou?
Engoli em seco, sentindo minhas bochechas queimarem mais do que o frio que sentia na pele.
— Não tem... resto — sussurreu, desviando o olhar para a água. — Eu não coloquei.
O silêncio que se seguiu foi pesado. Dante deu um passo na minha direção, o maxilar tão trancado que a linha da sua mandíbula parecia esculpida em pedra.
— Você saiu de casa sem calcinha, Milena? Com uma saia rodada que voa com qualquer golpe de vento? — Ele soltou um riso amargo, incrédulo. — Você perdeu a noção do perigo de vez? Você andou pela minha fazenda inteira desse jeito? Pelo pátio? Perto dos peões?
— O atrito de ontem estava me incomodando! — defendi-me, a voz subindo de tom pela vergonha. — A saia é comprida, Dante! Ninguém ia ver nada! Eu só queria caminhar um pouco, respirar...
— Ninguém ia ver nada? — ele rugiu, segurando meu queixo com dois dedos firmes, forçando-me a olhá-lo. — Você não conhece a laia que trabalha no trecho, menina. Um peão sente o cheiro de uma mulher indefesa a quilômetros. Quem você viu no caminho?
O pânico de vê-lo tão furioso me fez fraquejar. Tentei recuar, mas a rocha atrás de mim limitava meus passos.
— Eu... eu só cumprimentei as pessoas de longe — soltei, com o coração batendo na garganta. — Alguns funcionários mais velhos, o senhor do milho...
— E algum deles chegou perto de você? Algum deles ousou esticar o pescoço para olhar debaixo dessa saia? — o aperto no meu queixo ficou ligeiramente mais firme, a posse dele emanando como calor puro.
— Não! — respondi rápido demais, e a mentira vacilou nos meus olhos. Dante percebeu na hora. Desesperada para não piorar as coisas, acabei soltando a verdade: — Só... só conversei comum que entrou no galinheiro.
Dante semicerrou os olhos, a expressão tornando-se perigosamente calma.
— Um? Quem?
— Um jovem... da minha idade — murmurei, sentindo que tinha cavado um buraco fundo demais. — Ele... ele achou que eu era uma funcionária nova. Nós conversamos só um minuto, Dante. Eu juro por Deus! Eu saí correndo logo depois. Ele não me tocou, não fez nada!
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Rendida ao Monstro
Storie d'amoreEla cresceu aprendendo que o mundo não era feito para pessoas frágeis. A infância foi construída entre silêncios sufocantes, olhares tortos e traumas que se alojaram tão fundo em seu peito que transformaram sua existência em um constante estado de a...
