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Capítulo 26 - O carro

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O ronco forte do motor da caminhonete Ram parecia vibrar direto no meu peito, misturando-se com as batidas aceleradas do meu coração. O painel luminoso do carro era a única fonte de luz na cabine escura, e a estrada de asfalto sumia na imensidão da noite conforme nos afastávamos dos limites da capital.

Dentro de mim, o vinho tinto de estômago vazio não estava apenas fazendo a minha cabeça girar; ele tinha rompido todas as trancas da minha timidez. Aquela garota acanhada da roça, que se envergonhava com qualquer olhar mais ousado de Dante, tinha ficado para trás, trancada naquele casarão de mármore. Eu sentia um calor insuportável subir pelas minhas pernas, uma queimação entre as coxas que me fazia arfar.

Olhei para o lado. Dante dirigia com uma das mãos firme no volante, o perfil do seu rosto esculpido em pura tensão. O maxilar dele estava tão trancado que dava para ver o músculo saltar na bochecha. Ele ainda estava cego de ódio pelo que o pai tinha dito, cego de ciúme pelo vestido e pela conversa que ouviu. O silêncio dele, em vez de me assustar, me excitou de um jeito que eu nunca tinha sentido antes.

Levei as mãos aos pés e arranquei os saltos altos com grosseria, jogando-os de qualquer jeito no chão do carro. Dei uma risadinha abafada, arrastada pelo álcool.

— Inferno de sapatos... — murmurei, a voz saindo mais grave, manhosa.

Dante nem mexeu a cabeça, os olhos pretos fixos na rodovia escura.

— Fica quieta aí, Milena.

Em resposta, eu me mexi no banco de couro, abrindo as pernas devagar. A fenda do vestido preto se escancarou inteira, revelando a minha coxa nua até a altura do quadril sob a luz fraca do painel. Comecei a passar a minha própria mão pela pele ali, subindo devagar, apertando a minha carne, sentindo o quanto eu mesma estava quente e necessitada. Olhei de lado para ele com os olhos pesados, nublados de pura luxúria.

— Cowboy... — chamei com a voz arrastada, enquanto meus próprios dedos subiam pela minha coxa, aproximando-se perigosamente da beirada da minha calcinha. — Tá calor aqui dentro. Esse vestido tá me apertando... e eu tô tão... tão quente.

Dante deu uma olhada rápida de canto de olho e o peito dele subiu de uma vez só. O ar faltou nos pulmões dele. Ao ver a minha própria mão me acariciando daquele jeito devasso, ele soltou um rosnado baixo, apertando o volante com tanta força que os nós dos seus dedos ficaram completamente brancos.

— Pare com isso, Milena — ele ordenou, a voz saindo falhada, grossa de um tesão que ele tentava lutar para esconder. — Você tá bêbada. Não sabe o que tá fazendo. Para com essa porra agora se não quiser que eu perca a cabeça no meio dessa estrada.

— Mas eu estou tão agoniada, cowboy — gemi, ainda dolorida de tão molhada.

Antes que ele pudesse responder, apertei o botão do cinto de segurança, ouvindo o estalo. Livre, rastejei pelo console central da caminhonete, invadindo o espaço dele.

Dante arregalou os olhos, tentando manter o carro alinhado na pista vazia.

— Milena, que porra é essa? Fica no seu banco! Vamos sofrer um acidente, caralho! — ele esbravejou, mas a mão direita dele subiu automaticamente para segurar a minha cintura, tentando me afastar, embora o toque dele tenha sido bruto e possessivo.

Eu não voltei. Encaixei o meu quadril de lado, bem em cima da coxa grossa dele, e joguei meus braços ao redor do seu pescoço. O cheiro dele — aquela mistura de homem, loção pós-barba e o couro do carro — me enlouqueceu. Aproximei a minha boca da orelha dele e desferi uma mordida forte, puxando a pele do seu pescoço com os dentes, ouvindo-o soltar um gemido rouco de pura frustração e desejo.

Rendida ao MonstroHistórias para pegar e não largar. Descubra agora