Os dias que se seguiram à visita do pai de Dante trouxeram uma calmaria estranha e deliciosa para a fazenda. O jantar na capital havia ficado marcado para a semana seguinte, um compromisso que pairava sobre nossas cabeças como uma nuvem de tempestade, mas, por enquanto, as regras dentro de casa eram outras. Dante havia reclamado muito, resmungando alto e bufando pelos cantos de que a fazenda era dele e ele gastava o dinheiro como bem entendesse. Depois de muita insistência da parte dele e de uma teimosia boba da minha parte, ele finalmente venceu: contratou uma funcionária para fazer a limpeza pesada apenas três vezes por semana.
— Não quero você se matando com o grosso dessa casa, pequena. Deixa isso para quem eu tô pagando — ele havia ordenado, com aquele tom de "dono" que agora fazia meu estômago dar voltas de uma forma totalmente diferente.
Naquela primeira noite após a briga com o patriarca, nós apenas dormimos. Dante me puxou para o seu peito largo com um cuidado extremo, respeitando o meu corpo. Ele manteve a distância pelos dois dias seguintes, me poupando da dor e da recuperação da minha perda de virgindade. Ele achava que estava sendo o protetor perfeito, me deixando descansar. O que o meu cowboy nem imaginava, porém, era que enquanto ele passava os dias na lida, eu ficava acordada na cama, revivendo cada toque áspero de suas mãos, cada roçar de sua barba e fantasiando, desesperadamente, com a próxima vez que ele me tomaria daquele jeito selvagem.
No dia atual, o quarto ainda estava completamente escuro quando senti um beijo terno e demorado na minha testa. Abri os olhos, sonolenta e tonta de sono, encontrando a silhueta massiva de Dante de pé ao lado da cama, já de botas e chapéu.
— Tenho que resolver umas coisas complicadas na cidade, pequena — ele sussurrou, a voz rouca de madrugada enviando um arrepio pela minha espinha. — Só volto às 23h. Fica quieta em casa e se cuida, entendeu?
Concordei com a cabeça, afundando o rosto no travesseiro com um resmungo manhoso. Mas assim que o som da sua caminhonete ecoou diminuindo na estrada de terra, meus olhos se arregalaram no escuro.
Às 23h. Eu teria o dia inteiro sozinha.
Uma possibilidade ousada começou a martelar na minha mente, uma ideia inspirada em um dos capítulos daquele livro de romance que eu lia antes de Dante sumir com ele. Havia uma surpresa específica que a mocinha fazia para o herói que tinha me atormentado a cabeça por dias, e agora eu tinha a oportunidade perfeita.
Passei a tarde inteira na cozinha. Preparei uma lasanha caprichada, com camadas generosas de queijo e molho, deixando o cheiro tomar conta de toda a casa. Arrumei a mesa de jantar de forma impecável: pratos alinhados, talheres brilhando e as velas acesas, esperando apenas o momento certo.
Quando o relógio marcou 22h, o nervosismo começou a me sufocar. Subi para o quarto e abri o guarda-roupa com as mãos trêmulas. No fundo da gaveta, resgatei uma peça que nunca tivera coragem de usar na vida: um vestido de seda vermelha. Ele era curto, terminando bem menos que na metade da minha coxa, e o tecido deslizava pela pele, apertando e moldando cada uma das minhas curvas de um jeito que me deixou sem fôlego frente ao espelho. O decote deixava à mostra a base dos chupões que ele tinha gravado na minha pele.
Peguei os estojos de maquiagem que guardava escondida. No primeiro ano da juventude, eu havia treinado muito em segredo do meu pai severo, tendo a minha mãe como minha única e fiel cúmplice. Fiz uma maquiagem marcante, destacando os olhos e a boca com um batom vermelho-vivo, e finalizei prendendo o cabelo em um rabo de cavalo alto e firme, deixando o meu pescoço e colo completamente expostos para o que vinha a seguir.
Faltando dez minutos para as 23h, coloquei a lasanhas no prato e guardei o resto na geladeira Minhas mãos suavam. Eu andava de um lado para o outro na sala, olhando para as minhas pernas de fora e reclamando comigo mesma em voz alta:
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Rendida ao Monstro
RomanceEla cresceu aprendendo que o mundo não era feito para pessoas frágeis. A infância foi construída entre silêncios sufocantes, olhares tortos e traumas que se alojaram tão fundo em seu peito que transformaram sua existência em um constante estado de a...
