Dante
O estalo da porta do meu escritório foi o último som limpo que ouvi antes de descer para o pátio. Deixá-la ali, jogada na borda daquela mesa de mogno, com as pernas trêmulas e o meu sêmen escorrendo pela pele dela, foi o maior teste de fôlego para o meu autocontrole. Eu queria mais. Queria ter rasgado aquele vestido ali mesmo e fincado os meus dentes nela até que ela esquecesse o próprio nome.
Passar as quatro horas seguintes lidando com capatazes lerdos e relatórios de carregamento desviado foi um inferno. Minha mente não estava nos desfalques e nem nas ameaças dos clãs rivais. Estava no rastro de umidade que deixei naquela madeira e no cheiro dela que tinha ficado impregnado nas minhas mãos calejadas. A semanas eu vinha observando aquela garotinha se encolher pelos cantos da minha casa, me olhando como se eu fosse o próprio diabo. Mas ela não entendia que, para um homem bruto que foi criado no meio da poeira, do sangue e do gado bravo, ela era a única coisa pura que já tinha cruzado as minhas terras. Uma flor delicada que eu precisava cercar, proteger do mundo... e marcar como minha de um jeito que ninguém nunca pudesse arrancar.
Quando finalmente passei pela fechadura do quarto principal, já passava da meia-noite. O cansaço físico pesava no meu coldre de couro, mas o tesão e a obsessão que acumularam desde a tarde explodiram assim que bati os olhos na cama.
Lá estava ela. Acordada, exatamente como ordenei, mas com o livro aberto sobre as coxas. Uma provocação silenciosa que fez meu peito arder.
— Você não aprende mesmo, não é, garotinha? — minha voz saiu mais grossa do que eu planejava, o rosnado áspero arranhando a garganta.
Apertei o passo até a lateral da cama. A vergonha e o medo dançavam nos olhos dela, mas a teimosia continuava ali, linda e irritante. Não dei tempo para desculpas. Desci a mão e arranquei o papel dos dedos dela com força suficiente para rasgar as páginas. Olhei para aquela capa ridícula e senti uma onda de ciúme primitivo. Ela queria ler sobre homens tocando mulheres? Ela queria sentir o que o papel descrevia? Pois ela ia aprender com o homem que de fato era o dono do destino dela.
— Eu mandei você me esperar acordada, não se alimentar de mais fantasias de papel — sibilei, jogando o volume no canto do quarto. O baque surdo foi o aviso do fim das regras dela.
Ela tentou gaguejar uma defesa, dizendo que a culpa era da minha demora. Uma audácia que só me deu mais vontade de domá-la. Segurei o queixo dela com o polegar e o indicador, apertando o suficiente para que ela sentisse a rigidez dos meus ossos, forçando a cabeça dela contra o travesseiro. Eu queria que ela olhasse bem para os meus olhos injetados e entendesse que a brincadeira tinha acabado.
— Acabou a palhaçada de ler sobre homens tocando mulheres, Milena. A partir de hoje, você vai encenar cada página que eu escolher. Você quer saber como é a sensação? Quer sentir o que esses personagens fazem? Você vai aprender comigo. Agora.
Solteis-a e dei um passo para trás, cruzando os braços largos para assistir ao início da minha posse. Ordenei que tirasse a camisola.
A reação dela foi a de sempre: negação, o pudor de quem ainda não entendia que o seu corpo já pertencia à minha terra. Mas quando ela finalmente cedeu e puxou o algodão branco pela cabeça, revelando o corpo nu e tentando esconder os seios com os braços, meu coração bateu forte contra o peito, enlouquecido. Ela era perfeita. Uma obra de arte que parecia esculpida só para caber nos meus abraços brutos.
Dei um passo à frente, meus olhos descendo direto para a cintura dela. O detalhe me fez travar por um segundo, e o meu pênis pulsou com uma força violenta dentro da calça jeans.
— Olha só... — murmurei, a voz falhando de leve pelo tesão que subia, misturado com um orgulho possessivo que quase me tirou o chão. — Já está sem calcinha, garotinha? Facilitando as coisas para o seu homem? Sabia que eu não ia ter paciência de tirar?
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Rendida ao Monstro
Storie d'amoreEla cresceu aprendendo que o mundo não era feito para pessoas frágeis. A infância foi construída entre silêncios sufocantes, olhares tortos e traumas que se alojaram tão fundo em seu peito que transformaram sua existência em um constante estado de a...
