Capítulo 9 - Minha esposa

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Dante

O sangue do infeliz ainda estava fresco nos nós dos meus dedos quando liguei o motor. A minha mente era um labirinto de fúria e possessividade doentia. Trezentos e sessenta e cinco dias. Eu passei cada maldito segundo daquele ano gerenciando os meus negócios na fazenda, lidando com carregamentos, armas e inimigos, mas com uma única imagem fixa na minha cabeça: a garotinha assustada do beco. A menina que aceitou o meu contrato de sangue para salvar a pele do pai.

Eu a vigiei de longe. Sabia que ela não saía de casa, sabia que passava os dias trancada. Eu criei uma fantasia na minha cabeça de que ela estava se preservando para mim. E então, quando finalmente cruzo a porta no dia do aniversário dela, pronto para tomar posse do que é meu, encontro um rato de bochechas vermelhas tentando violar a minha propriedade.

A imagem daquele moleque com as mãos no corpo dela, abrindo a porra da fivela da calça, fez o meu lado maníaco despertar com tudo. Se Milena não tivesse se jogado contra o meu braço, eu teria esmagado o crânio daquele desgraçado no chão da sala. Ela achou que estava salvando a vida dele. Mas a verdade é que ela salvou a si mesma de assistir a uma carnificina.

Olhei de relance para o banco do passageiro. Milena estava encolhida, os cabelos longos e castanhos — que ela deixou crescer só para cumprir a minha exigência — cobrindo metade do rosto pálido. O vestido branco que ela escolheu para mim estava desalinhado. O silêncio dentro do carro era tão denso que eu conseguia ouvir a respiração descompassada dela.

— Quem era o menino? — disparei. Minha voz saiu mais áspera do que eu pretendia, mas o ciúme que queimava o meu peito não me dava margem para delicadezas.

Ela deu um sobressalto, assustada.

— O Igor? — A voz dela saiu trêmula, mas ela respirou fundo, tentando manter a postura firme que, pelo visto, andou treinando. — Ele... ele é apenas meu vizinho. Meu ex-noivo, de antes de o meu pai perder tudo. Eu não queria que ele estivesse lá, Dante. Ele invadiu a casa quando viu meus pais saírem de táxi.

Ex-noivo. Aquela palavra flutuou no ar e fez o meu aperto no volante aumentar até os meus nós dos dedos ficarem brancos. Um fantasma do passado dela que achou que ainda tinha direitos sobre o que agora era meu.

— Ele estava com as mãos em você, garotinha — rosnei, sem desviar os olhos da estrada escura. — Abriu a sua fivela. Se eu demorasse mais um minuto na porra daquele telefone, eu teria voltado para encontrar você marcada por outro homem?

— Não! — A reação dela foi imediata. Ela girou o corpo na minha direção, os olhos castanhos arregalados e brilhando com uma urgência desesperada que me desarmou por um segundo. — Eu tentei empurrá-lo! Eu estava paralisada de medo, a minha voz não saía... Dante, eu passei o ano inteiro trancada naquele quarto esperando por você. Eu limpei meu nome, treinei para ser sua esposa, mudei os meus cabelos... Eu nunca deixaria ele me tocar. Eu sou sua. Você tem a minha palavra de sangue.

O som daquelas palavras — eu sou sua — bateu no meu peito como uma corrente elétrica. Olhei para ela pelo canto do olho. A inocência e a pureza que emanavam dela eram quase palpáveis. Ela não estava mentindo. O pânico de ser violada por aquele imbecil era real. Senti a raiva contra ela se dissipar, sendo substituída por uma satisfação sombria e possessiva. Ela tinha se guardado. Ela realmente entendeu o contrato.

— É bom que saiba disso — respondi, controlando o tom da minha voz para um nível perigosamente gélido. — Porque se eu descobrir que você mentiu para mim, caço aquele rato até no inferno e faço você assistir enquanto arranco as tripas dele.

Ela engoliu em seco e se encolheu. Deixei que o silêncio governasse o resto da viagem. Eu precisava tirá-la daquela cidade. Precisava trancá-la no meu território, onde nenhum outro homem ousaria respirar o mesmo ar que ela.

Rendida ao MonstroHistórias para pegar e não largar. Descubra agora