Capitulo 22 - O Jantar

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O som da cadeira de madeira arrastando contra o piso ecoou como um trovão na cozinha. Dante se acomodou ao meu lado, mas a proximidade era tão esmagadora que o espaço entre nós parecia carregar uma corrente elétrica. Ele largou o garfo sobre a mesa e me encarou. Não era o olhar do meu marido protetor; era o olhar de um predador calculando o momento exato de dar o bote.

Tentando manter o meu papel, espetei um pedaço da lasanha com os dedos de leve no talher. Minhas mãos tremiam tanto que o metal bateu contra a porcelana com um tilintar denunciador. Levei o garfo à boca devagar, deslizando os lábios pelo alimento e fazendo questão de umedecer o lábio inferior logo em seguida, sentindo a textura do batom vermelho que ele havia borrado segundos antes.

O efeito foi imediato. O maxilar de Dante travou de tal forma que a linha de sua mandíbula parecia esculpida em pedra. Ele respirou fundo pelo nariz, os olhos fixos na minha boca, as pupilas tão dilatadas que engoliam o castanho de suas íris.

— A lasanha ficou boa, não acha? — perguntei, a voz saindo em um tom absurdamente manso, quase infantil, enquanto eu mastigava devagar. — Acho que acertei no ponto do queijo hoje...

— Você sabe muito bem o que acertou hoje, pequena — ele respondeu, a voz tão rouca que pareceu arranhar o ar. — E eu garanto que não é no raio da receita.

Dante pegou o próprio garfo, fingindo focar na comida, mas foi pura encenação. Antes que eu pudesse morder o próximo pedaço, senti o primeiro toque. A mão direita dele, enorme, pesada e calejada pela lida bruta da fazenda, desceu da mesa e encontrou a minha coxa nua por baixo do tecido escorregadio da seda vermelha.

A pele dele contra a minha arrancou um arrepio violento da minha espinha. Os dedos dele subiram com uma lentidão torturante, subindo pelo vão do vestido, roçando os calos da palma contra a maciez da minha pele. Ele sabia exatamente onde tocar. Quando o polegar dele pressionou com firmeza o início da minha intimidade desprotegida, um som agudo e sufocado escapou da minha garganta.

— O que foi? — Dante perguntou, cravando os olhos nos meus, um sorriso cínico e implacável brincando nos cantos de seus lábios. 

Minhas pernas tremeram, ameaçando se fechar, mas a mão dele agiu como uma morsa, mantendo-me aberta para o seu escrutínio. O prazer começou a nublar minha mente, mas a teimosia e a ousadia que eu vinha cultivando o dia inteiro me deram um último fôlego de controle. Sustentei o olhar dele, prendendo a respirar para não gemer alto, e apoiei os cotovelos na mesa.

— Nada...— rebati, sustentando o teatro, embora minhas entranhas estivessem derretendo com o ritmo lento e cruel que os dedos dele faziam ali embaixo. — Só achei que você estivesse com mais fome. Está apenas beliscando... 

Dante soltou um riso baixo, perigoso, e inclinou-se na minha direção, a boca quase colada à minha bochecha.

— Eu tenho o maior apetite do mundo, pequena. Só estou saboreando o prato principal devagar. Mas se você continuar me provocando desse jeito, eu quebro essa mesa em duas antes de você terminar a primeira garfada.

Aquele foi o ápice do meu controle. Eu sabia que se continuasse ali sentada, desfaleceria nos dedos dele. Era hora de executar o restante do plano que aquela mocinha do livro havia me ensinado.

Com um movimento milimetricamente calculado, inclinei o pulso e deixei o meu garfo escorregar dos dedos, caindo ruidosamente no chão, ao lado das botas dele.

— Que cabeça a minha... — murmurei, sonsa.

— Deixa que eu... — Dante começou, ameaçando se inclinar.

— Não! Deixa que eu pego — atalhei rapidamente, com um sorriso moldado pela dissimulação. — A culpa foi minha.

Antes que ele pudesse se mover para impedir, eu já estava me inclinando para frente. Escorreguei da cadeira e guiei o meu corpo para o vão escuro embaixo da mesa de jantar. Dante tensionou o corpo inteiro, a mão que estava na minha coxa subindo imediatamente para o tampo da mesa.

Rendida ao MonstroHistórias para pegar e não largar. Descubra agora