Como ele prometeu, ele me beijou e só cessou quando meu corpo se acalmou, eu nunca senti algo confortável e aconchegante como é estar com ele, mesmo sentindo a fúria e o ódio dele, em todo momento eu não deixei o medo me abalar.
Me ajeitei no banco de couro do carro, tentando aliviar a rigidez nos músculos. Eu estava na mesma posição por horas. A paisagem urbana tinha ficado para trás há muito tempo e, quanto mais Dante dirigia, mais penetrávamos em uma floresta densa, fechada por árvores antigas e sombras gigantescas. Concluí que iríamos ficar no interior, isolados de tudo. Olhei de relance para ele: o terno sob medida perfeitamente alinhado, o relógio caro no pulso, a postura imponente. Tão moderno, com aquela pose de homem de negócios implacável da cidade... Eu juraria que ele seria o tipo de cara que odiaria a natureza.
— Quem era o menino? — a voz de Dante cortou o silêncio do carro como uma lâmina fria.
O susto me fez sobressaltar no banco. Aquela foi a primeira vez que ele abriu a boca desde que tinha destruído a minha sala e me arrastado para o carro. Seus olhos continuavam fixos na estrada escura, mas as mãos apertavam o volante com tanta força que as veias dos braços pareciam saltar. A fúria dele não tinha sumido; estava apenas controlada sob uma camada de gelo.
— O Igor? — perguntei, a voz saindo quase sumida pela fobia social que ameaçava travar a minha garganta. Respirei fundo, lembrando-me do meu treino no espelho. Eu precisava responder. — Ele... ele é apenas meu vizinho. Eu não queria que ele estivesse lá, Dante. Ele invadiu a casa quando viu meus pais saírem de táxi.
Dante soltou um riso nasalado, um som sombrio que me causou arrepios.
— Ele estava com as mãos em você, garotinha. Abriu a sua fivela. Se eu demorasse mais um minuto na porra daquele telefone, eu teria voltado para encontrar você marcada por outro homem?
— Não! — neguei imediatamente, virando o meu corpo na direção dele, desesperada para que ele entendesse. — Eu tentei empurrá-lo! Eu estava paralisada de medo, a minha voz não saía... Dante, eu passei o ano inteiro trancada naquele quarto esperando por você... Eu nunca deixaria ele me tocar. Eu sou sua. Você tem a minha palavra.
Dante permaneceu em silêncio por longos segundos, processando minhas palavras. A mandíbula dele relaxou minimamente, mas a possessividade maníaca continuava ali, emanando de cada poro do seu corpo.
— É bom que saiba disso — ele murmurou, a voz grave vibrando no painel do carro. — Porque se eu descobrir que você mentiu para mim, caço aquele rato até no inferno e faço você assistir enquanto arranco as tripas dele.
Engoli em seco, o estômago revirando diante da crueldade explícita daquele homem, mas no fundo, uma parte obscura de mim sentia-se estranhamente protegida por aquela obsessão doentia.
— Estamos chegando — ele declarou algum tempo depois, mudando de assunto e quebrando a nova onda de silêncio, percebendo a minha curiosidade sobre a paisagem que se transformava lá fora.
Abri um pouco a janela, permitindo que o vento gelado da tarde me entrelaçasse, bagunçando meus cabelos compridos. Apesar do medo que ainda flutuava no meu peito, a calma daquele lugar e o som distante dos animais começaram a me encantar. Mas a fantasia de um refúgio bucélico durou pouco. Logo adiante, avistei uma fazenda que era consideravelmente grande — uma propriedade colossal, cercada por muros altos e cercas reforçadas.
Ao longe, vi alguns homens armados patrulhando os limites da propriedade. Minha fobia social começou a dar sinais de vida. Olhei para o meu vestido branco e me senti terrivelmente insegura.
— Por que há tantos seguranças aqui? — questionei em um sussurro, encolhendo os ombros, insatisfeita com a minha própria imagem.
Dante reduziu a velocidade, conduzindo o carro pelos portões maciços de ferro.
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Rendida ao Monstro
RomanceEla cresceu aprendendo que o mundo não era feito para pessoas frágeis. A infância foi construída entre silêncios sufocantes, olhares tortos e traumas que se alojaram tão fundo em seu peito que transformaram sua existência em um constante estado de a...
