Ela cresceu aprendendo que o mundo não era feito para pessoas frágeis. A infância foi construída entre silêncios sufocantes, olhares tortos e traumas que se alojaram tão fundo em seu peito que transformaram sua existência em um constante estado de a...
A força com a qual ele me apertava contra o seu peito aumentou, me esmagando contra seus músculos rígidos até que o ar faltasse nos meus pulmões. Dante respirou fundo, um som pesado e ruidoso que fez seu tórax vibrar contra o meu, antes de se afastar o mínimo necessário para olhar bem no fundo dos meus olhos. Na penumbra da sala, suas pupilas estavam tão dilatadas que o castanho de seus olhos havia sumido, transformando-se em duas esferas pretas, fixas e perigosas.
— Que fantasmas? Quem te falou essas baboseiras? — A voz dele saiu severa, cortante. O olhar obcecado não desviava de mim por um segundo sequer, mapeando cada microexpressão do meu rosto.
— Eu... ninguém — menti, sentindo o coração falhar uma batida.
Eu era uma covarde. Se Dante descobrisse que a loira estava me ameaçando, ele seria capaz de fazer algo terrível. E, na minha mente distorcida pela fobia social, o medo de gerar mais violência ou de ser o pivô de uma briga me calava. Eu só queria sumir.
Dante semicerrou os olhos, a mandíbula travando com a mentira óbvia, mas a irritação dele mudou de foco quando seus polegares tocaram o meu rosto. Ele praguejou baixinho, os nós dos dedos ásperos arranhando de leve a minha pele.
— Droga, seus lábios estão azuis... Você está tremendo. Por que diabos você dormiu aqui neste sofá? — ele me repreendeu. O tom bruto contrastava com o calor do seu polegar, que começou a acariciar e pressionar a minha boca com uma insistência pesada, quase dolorosa, tentando forçar o sangue a circular ali.
Ele me pegou no colo, subindo as escadas.
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— Eu tive um pesadelo muito feio — confessei, afundando o rosto na curva do seu pescoço, inalando o cheiro dele. Dante exalava uísque, fumo e uma colônia importada tão forte que impregnava a minha garganta, me deixando tonta. — Eu não lembro o que era, mas tinha um fantasma embaixo do sofá.
— Fantasmas não vivem embaixo do sofá, boneca. Eles vivem na sua cabeça — ele rebateu, a voz grave
— Mas eu não quero que eles fiquem na minha cabeça — balancei a cabeça com sono, sentindo uma pulsação quente começar a nascer no pé da minha barriga com aquele atrito pesado.
— Eu já tentei me livrar dos meus por anos, e nunca consegui — Dante sussurrou perto do meu ouvido, a respiração quente e descontrolada. O aperto dele em mim aumentou a ponto de me tirar um gemido baixo. — Até encontrar outra coisa que dominou completamente os meus pensamentos.
Ele abriu a porta no final do corredor com um chute suave. Era um banheiro imenso, com paredes de pedra rústica e uma banheira gigante. Dante me sentou na tampa do vaso sanitário com firmeza e, sem pedir permissão, segurou a barra do meu vestido branco, puxando-o para cima.
— Ei! — Bati na mão dele, o rosto queimando de vergonha enquanto eu tentava abaixar o tecido e cruzar os braços. — Você é homem... não pode me dar banho!