Capitulo 4 - Desconhecido

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— Você irá entender no futuro. Estamos de acordo, garotinha? — O tom dele era uma mistura de calmaria e ameaça que me fez estremecer por completo.

O homem retirou uma das mãos enormes do bolso do terno de grife e a estendeu na minha frente. A palma era larga, marcada, com anéis pesados nos dedos que reluziam sob a luz fraca do poste. Olhei para aquela mão e, depois, para trás, onde o líder dos meus agressores continuava paralisado, empalidecendo a cada segundo.

O pânico dentro de mim era como uma névoa espessa, mas uma faísca de autopreservação acendeu na minha mente. Eu fui criada trancada, isolada do mundo pelas regras do meu pai e pelo meu próprio medo da população, mas não era estúpida.

— Como posso saber que você vai me proteger se nem está conseguindo me ajudar agora? — A pergunta saiu num sussurro trêmulo, mas firme. Lembrei-me da situação caótica ao redor. Meu pai estava estirado no asfalto quente alguns metros atrás, sangrando, e aquele homem gigante permanecia estático, negociando a minha liberdade.

O brutamontes inclinou levemente a cabeça. O canto de sua boca se curvou, repuxando a cicatriz imponente que cortava o lado esquerdo de seu rosto.

— Que menina esperta... Estou cada vez mais curioso sobre você — ele revelou, a voz rouca vibrando tão baixo que pareceu ecoar direto no meu peito. — Você tem uma língua bem afiada para quem estava implorando pela vida há trinta segundos.

— Eu não estou brincando — rebati, tentando não gaguejar, embora meu corpo inteiro tremesse sob o vento frio. — Meu pai está morrendo ali no chão. Se você quer um acordo, faça alguma coisa primeiro!

— Um ultimato? Vindo de uma coisinha tão miúda? — Ele soltou um sopro de risada, parecendo genuinamente fascinado pela minha audácia

Antes que eu pudesse recuar, vi o homem levantar a mão esquerda, despretensioso, fazendo um sinal sutil com os dedos. Na mesma hora, as portas de um sedã preto e luxuoso, estacionado logo atrás dele na penumbra, abriram-se com um estalo seco.

Dois homens altos, vestindo ternos escuros e com feições de granito, saíram do veículo. Eles não disseram uma única palavra. Caminharam com passos marchados diretamente na direção dos meus três agressores.

O líder dos marginais tentou dar um passo atrás, mas foi tarde demais. Minha visão da cena, no entanto, foi interrompida abruptamente.
Uma mão gigantesca e pesada se pôs sobre os meus olhos, funcionando como uma venda biológica e eficaz. O mundo ficou completamente escuro. A mão dele era tão grande que cobria desde a minha testa até a metade do meu nariz, isolando-me do exterior.

Mesmo com os anéis frios pressionando de leve a minha pele, notei que a palma era surpreendentemente macia, quente contra o meu rosto gélido.

— Melhor não olhar a cena — ele afirmou. A voz penetrante resou bem acima da minha cabeça.

— Me solta! O que eles vão fazer? — perguntei, tentando puxar o pulso dele, mas era como tentar mover uma barra de ferro.

— Vão cumprir a minha parte do trato, garotinha. Apenas relaxe.

Senti sua respiração quente e pesada bater contra a curvatura do meu pescoço. Ele estava tão perto, mas tão perto, que o calor de seu corpo imenso envolveu o meu busto despido. Como um ato manual, um reflexo involuntário do meu pânico misturado a uma sensação térmica desconhecida, todos os pelos do meu corpo se arrepiaram.

Minha mente perturbada pela fobia social gritava que eu estava encostada em um estranho, mas o meu corpo parecia paralisado por aquela proximidade esmagadora.

Em poucos segundos, o silêncio do beco foi estraçalhado.

CRAQUE.

Comecei a escutar o som pavoroso de ossos quebrando, um barulho úmido e sólido que revirou o meu estômago. Logo em seguida, gemidos abafados e gritos de puro sofrimento cortaram o ar. Os homens que há pouco tempo me batiam e me despiam estavam sendo massacrados sem qualquer piedade. Era uma execução física, rápida e bárbara.

Rendida ao MonstroHistórias para pegar e não largar. Descubra agora