Capitulo 3 - A obsessão do fazendeiro

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DANTE

A noite de Carnaval cheirava a tudo o que eu mais detestava no mundo: suor, cachaça barata e a audácia de gente que não vale o chão que pisa

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A noite de Carnaval cheirava a tudo o que eu mais detestava no mundo: suor, cachaça barata e a audácia de gente que não vale o chão que pisa. Eu tinha acabado de sair de uma daquelas reuniões de negócios malditas em um restaurante no centro, o tipo de lugar cheio de idiotas de terno tentando me bajular por causa das minhas terras.

Eu passei a noite inteira bebendo uísque, tolerando a presença daquela gente hipócrita e o melaço nojento de mulheres interesseiras que tentavam se aproximar com sorrisinhos e grude. Eu repudiava cada uma delas. Só queria ir embora logo, pegar o carro e voltar para a minha fazenda.

O isolamento da terra era o meu único santuário. Eu odiava pessoas. Odiava a voz delas, o hálito delas, a existência medíocre de cada uma.

Eu estava caminhando em direção ao estacionamento quando passei perto daquela biblioteca escura. Foi aí que parei na penumbra e observei tudo desde o começo. Vi quando o sujeito levou a garota para fora, vi quando os três marginais cercaram os dois na calçada.

Para mim, era só mais uma amostra da podridão humana se destruindo mútua e pateticamente. Eu não moveria um dedo por nenhum deles. Mas então, a dinâmica mudou.

A garota abriu a boca.

No instante em que meus olhos focaram nela, meu corpo inteiro travou. Eu fiquei completamente hipnotizado. Foi um choque violento, um soco direto na minha mente perturbada. A beleza daquela garota era algo absurdo, quase irreal no meio daquela rua imunda, mas o que realmente me paralisou foi o jeito dela.

Havia algo de terrivelmente magnético na forma como ela encolhia o corpo. Não era apenas o medo comum de uma garota sendo assaltada; era um pânico profundo, uma fobia social tão nítida que parecia rejeitar a própria presença do mundo ao redor dela. Ela tentava se esconder atrás do pai como se quisesse desaparecer da existência. Ela odiava estar ali, odiava aquelas pessoas tanto quanto eu.

Uma pureza intocada, que me enredou no mesmo segundo.

Uma obsessão doentia e violenta fincou garras no meu peito. Eu não conseguia desviar os olhos. Cada traço do rosto dela, o contraste dos seus cabelos ondulados com a pele alva, a delicadeza dos seus traços sob a luz fraca do poste... tudo nela começou a queimar na minha mente.

Eu a queria. Não como um homem comum quer uma mulher, mas como um predador que encontra a única presa valiosa da face da terra.

Eu precisava trancá-la longe de tudo, onde ninguém além de mim pudesse sequer respirar o mesmo ar que ela.

Minha fúria começou a borbulhar, lenta e perigosa, quando o primeiro soco atingiu o pai dela. Não por compaixão ao velho, ele que se explodisse, mas porque aqueles três imbecis estavam poluindo o meu campo de visão com uma audácia que eu não tolerava. Eles estavam tocando no que, em fração de segundos, minha mente decidiu que já era meu.

Rendida ao MonstroHistórias para pegar e não largar. Descubra agora