O estalo da porta do escritório se fechando pareceu ecoar como um tiro no silêncio que se instalou de repente. Fiquei paralisada, exatamente na mesma posição em que Dante me deixou: deitada na borda da mesa de mogno, com o vestido amassado erguido até a cintura e as pernas caídas e trêmulas.
O silêncio da casa era quase sufocante, quebrado apenas pelo som da minha própria respiração descompassada e pelo eco distante das vozes dos homens no pátio da fazenda. Devagar, apoiei os cotovelos na madeira, olhando para o teto, tentando processar o caos na minha mente.
— O que está acontecendo comigo? — sussurrei para o cômodo vazio, a voz saindo fraca, embargada.
Olhei para baixo, sentindo um calafrio quando a realidade do que acabara de acontecer me atingiu em cheio. Entre as minhas pernas, a sensação era avassaladora. O sêmen de Dante, espesso, quente e viscoso, escorria lentamente pela minha pele, sujando a superfície polida da mesa e contrastando com a calcinha fina rasgada ao meio.
Nenhum daqueles livros que eu devorava escondida, com suas descrições milimetricamente detalhadas, tinha me preparado para a crueldade da realidade. Não era romântico, não era delicado. Era uma possessão física que parecia ter arrancado algo de dentro de mim, deixando no lugar um vazio primitivo e um desejo biológico bizarro. Um formigamento que eu odiava admitir, mas que continuava ali, me queimando de dentro para fora.
Forcei minhas pernas a se moverem, descendo da mesa com dificuldade. Meus joelhos quase fraquejaram quando meus pés tocaram o chão.
— Viu limpar isso antes que ele volte ou que alguém veja — Falei a mim mesma, num sussurro frenético, tentando recuperar um pouco de dignidade.
Caminhei até o banheiro social do corredor a passos lentos, sentindo o líquido dele escorrer pelas minhas coxas. Peguei um pano limpo, umedeceu-o na água e limpei a mim mesma com o pano, sentindo a minha intimidade arder levemente pelo toque recente e vigoroso. e voltei ao escritório. Esfregando a madeira de mogno para apagar a marca úmida que o corpo de Dante havia deixado foi uma tortura psicológica. Cada movimento do pano parecia reviver o atrito bruto do membro dele contra a minha carne, o cheiro de tabaco e uísque que ainda pairava no ar do cômodo.
Quando terminei, joguei o pano fora e seguir para quarto principal para tomar um banho demorado. Debaixo da água quente, esfreguei meu corpo com força, tentando arrancar o rastro dele e aquela sensação persistente de pecado da minha pele, mas por dentro eu ainda parecia queimar.
Ao sair do box, me enxuguei e fui até a gaveta de roupas íntimas. Peguei uma calcinha de renda preta, mas meus dedos hesitaram. Fiquei encarando o tecido por longos segundos, o coração acelerando enquanto um debate interno e vergonhoso começava na minha cabeça.
"Se eu colocar, ele vai rasgar de novo?", pensei, sentindo meu estômago dar voltas. "Se ele chegar e me ver de calcinha, vai achar que estou tentando me proteger dele... ou pior, se eu não colocar, ele vai achar que eu passei a tarde inteira esperando para me entregar?"
Aquela dúvida me sufocou. Era uma humilhação silenciosa perceber que até a escolha de uma peça de roupa agora girava em torno do que passava na mente daquele homem, joguei a calcinha de volta na gaveta e fechei-a com força.
Vesti apenas uma camisola de algodão simples, de alças finas, sentindo o tecido roçar direto na minha pele desprotegida, e me deitei na imensa cama de casal.
A ordem de Dante martelava na minha cabeça: "Me espere acordada."
— Se eu dormir, o que ele vai fazer? — perguntei-me, encarando o teto escuro do quarto.
O medo de desobedecê-lo era real, mas a raiva por ter sido deixada naquela situação na mesa também era. Olhei para o criado-mudo e vi o segundo volume daquela maldita trilogia erótica, que eu havia subido comigo. Num misto de rebeldia, ansiedade e uma necessidade doentia de preencher o tempo para não cair no sono, puxei o livro para o meu colo.
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Rendida ao Monstro
RomanceEla cresceu aprendendo que o mundo não era feito para pessoas frágeis. A infância foi construída entre silêncios sufocantes, olhares tortos e traumas que se alojaram tão fundo em seu peito que transformaram sua existência em um constante estado de a...
