Meg&Bea

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- Eu realmente não sei o que pensar.

Megan só conseguiu dizer isso a Beatrice quando soube o que de fato estava acontecendo naquele Domingo. Se tudo estivesse normal, as duas estariam agora no altar de uma igreja, sendo felizes e sorrindo para todos os convidados daquele casamento tão planejado. Beatrice, a noiva. Megan, a madrinha. Sonharam com isso por anos e por mais que o casamento não fosse a realização de suas vidas, ainda era um momento marcante. Onde uma das duas começaria uma vida nova, junto de alguém querido.

Isso se tudo estivesse normal, o que não era o caso.

Talvez tenha sido boa demais. Se tivesse sido um pouco mais atenta, poderia perceber o mal caratismo do noivo da amiga. Ela tinha dom pra essas coisas. Nunca fora do tipo que confiava piamente e naquele momento, falhou. John era agradável, gentil e divertido, alguém que parecia realmente se importar com Bea e suas necessidades. Megan jamais imaginaria que fosse o ponto problemático da relação. Logo ele, com uma amante de menos de vinte anos. Não sabia de quem sentia mais raiva. Dele ou do ex namorado.

Edwin não retornou as duas ligações seguintes que fizera. Permaneceu em silêncio, como um covarde. Outra surpresa. Por mais que fosse um homem calmo e reservado, não parecia ser medroso. Megan percebeu que ele e John estudaram de fato na mesma faculdade: a da canalhice.

Como o previsto, a chuva persistiu. Uma tarde de Outubro molhada e triste. Nem de longe parecia o dia perfeito para um casamento. Megan ficou mais aliviada. Dessa forma Beatrice teria do que rir. Ainda mais sabendo que o noivo estava no altar, mas casando com outra pessoa.

Quando Beatrice tentou cancelar o salão de festas, recebeu a notícia de que já haviam efetuado o serviço. O noivo tratara de tudo antes, mas manteve a igreja. A igreja que Bea escolhera com tanto cuidado e amor, pois a adorava desde criança. Megan quis sair de casa e quebrá-lo ao meio. Ele e ela. John além de um total covarde, era sem caráter. A amiga da noiva acordou de manhã cedo com o telefone tocando, mas não era o dela. O barulho vinha do quarto de Bea, que respondia em tom baixo e calmo alguma coisa. Quando Megan levantou da cama e saiu para ver o que era, encontrou a amiga aos prantos em frente ao notebook, mandando mensagens urgentes por telefone e internet. Os convidados receberam o cancelamento do evento e alguns (curiosos) estavam confusos e queriam explicações.

Deviam guardar as roupas? Quando seria a nova data? Era por causa da chuva? Aconteceu alguma coisa? Eram muitas das perguntas direcionadas a Bea, que não sabia mais o que fazer. Megan pegou o celular e tirou a bateria, deixando-o em cima do criado mudo. Quanto ao notebook, fechou-o. Sua amiga não tinha o que responder e nem poderia. O noivo já tinha feito o favor de avisar aos convidados de Beatrice que não haveria casamento. Ela não precisaria reforçar.

- É... espero que tenham reservado pra festa um lugar ao ar livre. - comentou Bea, rindo um pouco. Megan gargalhou. - É, seria uma boa. Você quer mais chá? - perguntou, se levantando do chão da sala onde conversavam e ouviam música, como antigamente. O som ajudava a minimizar a tristeza que Bea sentia. Megan também se sentia melhor quando ouvia uma música animada saindo dos auto-falantes. Era como se voltassem a infância, onde os problemas eram pequenos e insignificantes. Viveram intensamente cada um deles e com esse não seria diferente.

- Você já está arrumando suas malas? Sabe muito bem que na segunda vamos a agência e depois pedir as férias, não deixa tudo pra última hora! - Megan relembrou, voltando com o chá quente em mãos. Entregou a caneca de Bea e bebericou a própria, sentando-se na poltrona. - Acha que vamos conseguir ir a praia? - perguntou, animada. Queria ajudar Bea a pensar em outra coisa que não fosse canções matrimoniais e sinos. Todas as vezes que a igreja marcava as horas, sentia dor no coração. Via o semblante da amiga.

- Sabe, Meg... eu acho que é a melhor coisa que vamos fazer em anos. - iniciou Beatrice, ainda deitada no chão, imóvel. - A quanto tempo não viajamos? É muito estranho só perceber isso agora. Será que fiquei cega desde que conheci o John? - suas perguntas pareciam tanto para si mesma como para a amiga e Megan a observou, como sempre fazia. - Você não ficou cega, Bea. Só estava aproveitando a sua relação. Qualquer um pensaria mais no noivo às vésperas do casamento. - disse, tentando confortá-la. - Não é por isso que estamos afastadas ou não somos mais amigas. Só vivíamos fases diferentes. Nós sempre fomos assim. - lembrou, rindo.

- Porque eu não agarrei o cara da direita? - arrependeu-se Bea, começando a chorar novamente. Meg foi a seu encontro, a abraçando. - Como ele pode fazer isso comigo, Meg? Logo eu que o amava tanto! - desabafou a garota, em prantos. - Ele podia esperar, não podia? Podia mudar de igreja, fazer qualquer coisa, mas isso... Isso é demais pra mim. - finalizou, voltando a molhar a roupa de Megan com lágrimas.

- Sabe, eu acho que vou lá bater nele de novo. - Megan comentou, pensativa, fazendo Bea rir entre todas as lagrimas.


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