Olá para todos os leitores de "Aquela Noite"! Gostaria de agradecê-los por lerem minha história. Quando comecei a escrever somente tinha a certeza que eu seria o primeiro leitor, jamais sonharia que tantas pessoas a leriam e gostariam dessa forma diferente e esquisita de escrita rápida, onde o mais importante é a história, deixando boa parte dos detalhes para a imaginação de quem lê. Como um quadro ou uma poesia que terá sua avaliação diferente dependendo da pessoa.
Quem quiser acompanhar a página do livro acessem o link: https://www.facebook.com/aquelanoite2016/
Eu manterei alguns capítulos aqui no Wattpad, pois a história acabou de entrar em pré-venda pela editora PenDragon. É possível adquirir o livro pelo site da editora
http://www.editorapendragon.com.br/ ou http://goo.gl/84eJub
Fábio Vera Cruz
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Eu não entendi o que tia Anne quis dizer com aquilo, mas me senti acolhida, ela me fazia lembrar de como éramos eu e minha mãe no passado, quando mais próximas.
- Você não tinha algo para fazer Douglas? – Perguntou Tia Anne quebrando novamente o silêncio.
- Hum... – Douglas parou para pensar, me pareceu ter visto a tia Anne fazer algum tipo de sinal para ele. – Ah! Lembrei-me. Realmente eu preciso caçar algo na mata, estamos ficando sem suprimentos.
Tia Anne me entregou novas roupas, dessa vez roupas femininas, uma camisa rosa com um bordado em branco escrito Riacho Doce e uma bermuda branca jeans, aparentemente vestíamos o mesmo número. Após um demorado banho, do qual eu me senti mais aliviada e leve, ela me conduziu até seu quarto para conversarmos. Notei que o padrão da casa seguia-se ali também, tudo impecavelmente limpo, me senti um pouco envergonhada com a arrumação do meu apartamento em Casimiro de Abreu em comparação a essa casa.
- O que você quis dizer com alcatéia Tia Anne? Perguntei-a. – Ela me olhou nos olhos seriamente, analisando suas próximas palavras com cuidado.
- Me chame apenas de Anne, por favor! – Rimos juntas quebrando aquele ambiente estranho.
- Claro, Anne. – Consertei-me.
– Somos Lobisomens! – Agora eu estava em choque! Como ela poderia estar brincando com uma coisa dessas? Não. Ela me olhava com seriedade.
- Mas... Você está brincando não é? – Esbocei uma careta.
- Infelizmente não minha filha! E mais uma coisa, você é uma de nós! – Eu estava voltando a ter um ataque de pânico, senti minha visão perder o foco momentaneamente, tia Anne me segurou e me ajudou a sentar em sua cama.
- Desculpe-me Sarah! – Tia Anne continuou. – Não há um modo fácil de dizer isso, então falei logo. Ufa! Me sinto mais leve.
Tia Anne realmente parecia mais alegre agora, voltou a sorrir.
- Eu não posso ser uma... Lobisomem. – Essa ultima palavra quase não saiu da minha boca. – Eu sou uma pessoa normal.
- Uma pessoa normal que não se lembra da noite anterior e aparece nua a quilômetros de onde estava. - ela me lembrou.
- Bom, deve haver alguma explicação para isso, alguma explicação... Você não precisaria ser mordido para virar isso?
- Existem duas formas, a primeira como você bem mencionou e a segunda é nascendo com a maldição, como é o meu caso, do Douglas e do meu outro sobrinho Diego, irmão mais novo do Douglas. Somos uma pequena Alcatéia.
- Mas eu não nasci com essa maldição! Meus pais teriam me contado e não me lembro de ter sido mordida.
- Não aconteceu algo estranho com você recentemente? – Tia Anne também parecia poder ler meus pensamentos. Tudo que eu mais queria na minha vida era poder esquecer aquela noite, a noite que eu quase fui morta por aquele bandido. Apenas me lembro daquele homem também sendo atacado.
Tia Anne percebendo que eu não me sentia à vontade para falar sobre o assunto ou lendo minha mente, vai saber. Continuou.
- Não precisa me contar, tenho certeza que foi nesse momento que adquiriu a maldição dos lobos. O cheiro dele ainda é recente em você.
- Isso explicaria muita coisa na verdade! – Assenti. Não me lembrava direito do desfecho daquela noite, no dia seguinte o ferimento da facada que tinha levado do bandido estava cicatrizando.
- Vamos, não é a pior coisa do mundo! Deixe-me mostrar onde você vai dormir esta noite. Amanhã iremos para a cidade e poderá retornar para sua casa.
Eu queria saber mais, sabia que tia Anne estava me escondendo muita coisa ainda, mas também sabia que não conseguiria agüentar mais nada hoje, ainda estava processando a informação, incrédula.
- Pode ficar à vontade aqui. É o quarto do Diego! Como ele não está aqui, problema resolvido.
- Por que ele não está aqui com vocês? – Perguntei, curiosa.
- Temos uma casa em Riacho Doce, um município aqui de Minas Gerais, fica a uns quarenta ou cinqüenta quilômetros daqui. Como ele nunca se transformou, prefere ficar na cidade com os amigos. Afinal de contas só ficamos aqui mesmo por alguns dias.
- Você é a chefe dessa alcatéia?
- Não! Nós classificamos o "chefe" ou líder da alcatéia como Alfa, o nosso é o Douglas. Isso é decidido instintivamente, não é uma escolha por votos ou por antiguidade. Simplesmente ele é o mais forte para nos proteger, portanto somos seus Betas. Você minha filha, ainda não tem uma descrição apropriada, não foi assumida ainda pelo lobisomem que a transformou. Lobisomens sem um bando são classificados como Ômegas.
Como em um estalo de consciência, lembrei-me que estava sumida sei lá há quantos dias.
- Anne, você tem um celular? Preciso urgentemente falar com minha mãe.
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Aquela Noite...
LobisomemAquela noite mudou toda minha vida! não sou mais a mesma pessoa de antes. Meu humor, meu corpo, meus pensamentos e até mesmo meus olhos não são mais os mesmos. Vivo segundo a segundo, noite após noite tentando me adaptar a este, ao que parece incont...
