Capítulo 3.

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Capítulo 3.

O sinal bate, e isso indica o segundo horário, uma pirralhada se forma no corredor. Puxo a manga do meu casaco para baixo, e pego minha mochila e adentro o corredor cheio de crianças. (Sim, sou mais velha, tenho 16 anos e ainda estou no 9° ano, fui rebaixada.)
Me bato com a Sophia que me dar uma olhada.

-Aonde você foi ? -Ela me olha com desdém.
-Não te interessa. -Falo e a deixo com cara de ué, e ouço suas amigas purpurinas resmungarem.
-Qual é Soph, vai deixar essa best cão falar assim com você ? -A Rafaela fala. A Rafaela é a mais chata e irritante, vive de rosa, só não entra no colégio de roupa rosa por que não pode.
-Que humilhação Sophia. -A Nicole, complementa e eu paro minha andada e me viro para mesmas.
-Se vocês estão achando ruim, venham e me ensine bons modos, por que acho que não aprendi. Ah, e o cão disse que meia noite manda nossos sútidos, pegar vocês. Cuidado! -Solto uma piscadela e ouço as mesmas falarem.
-Aí, credo, vou colocar o meu cachorro no quarto. -Uma resmunga.
-Vou dormir com meus pais.-E a outra diz.

Eu me aproveito de toda faminha para sair colocando medo nessas garotas, elas são umas nojentas, todas, sem exceção, ficam tentando dar uma de rica, mas não são. 

Entro na sala e me sento na última cadeira da última fileira, que dá para janela, que tem a vista da rua. O professor de Química entra e começa a dar aula. Uma aula muito tediosa por sinal. Procuro meus fones dentro da mochila e quando acho, os encaixo no meu celular e começo a ouvir música.

-Sara Maia.-O professor grita, e eu olho para ele ainda com os fones no ouvido. -Tire já estes fones. -Tiro um só para ouvir com mais clareza o que ele diz.
-Não estou afim. -Reviro os olhos.
-Sara Maia, é a última vez que peço, tire os fones mocinha. -Ele diz e ele coloco meus pés sobre a carteira de um garoto.
-Foda-se se essa é a última vez. -Digo e reviro os olhos. 
-Pra fora agora!!! -Ele diz e eu o olho.
-Me obrigue. -Digo.
-Sara por favor, saia da minha sala. -Ele diz tentando manter a calma.
-Pensei que não teria educação. -Disse e sai da sala. 

Saí da sala, com minha mochila, eu não compareceria as últimas aulas. Pulei o muro do colégio e fui para um parquinho abandonado, é uma parquinho simples com gangorra, balanços e tal, nunca vão ali. Eu gosto de ir para pensar nos meus pais.

Jogo minha mochila em um canto e me sento de baixo da árvore central, a minha preferida.  Ela é grande, porém tem um aspecto tímido, e triste

Plugo meus fones em Ellie Goulding - Army.

Por que será que meus pais me abandonaram naquele maldito orfanato ? Não sei se eles pensam em mim, não sei se eles sabem ao menos da minha existência, eu só queria ter um pingo de amor parternal ou maternal, eu não me importaria em viver passando dificuldades com eles, e se eu passasse idai ? Eu estaria com eles, recebendo o tão esperado e sonhado amor. Acho que se eu encontrasse meus pais, eu nunca os perdoaria. Nunca! O que eles fizeram comigo não tem perdão.

Meu transe pessoal foi cortado por um garoto moreno, de olhos puxados e com um olhar tristonho, o mesmo trajava uma camisa preta, escrito "The Beatles", uma calça preta em jeans e utiliza um tênis da King, ele segurava um livro. 

Olhei pra ele com desdém.

-Não sabia que uma garota frequentava este lugar. -Ele disse e eu revirei os olhos.
-Problema ? Pois se tiver, os incomodados que se mudem.-Rebati.
-Calma, bom dia para você também. -Ele levantou os braços como sinal de rendição e se sentou ao meu lado. 
-Calma aí querido, não lhe dei intimidades o suficiente para você se sentar ao meu lado.-O olhei com reprovação.
-Quem eu saiba isso aqui é público. -Ele revirou os olhos, e abriu o livro que a pouco tempo segurava, o nome do mesmo é "Os segredos de Gabriel."
-Que se dane.-Disse.
-Você é muito bravinha sabia ? Agora cala a boca e faz silêncio.
Que folgado!.
-Você tá pensando que é quem hein ? A boca é minha e eu calo na hora que eu bem entender...-Ele me interrompeu.
-Se você não calar sua boca, eu te beijo. -Ele me olhou dos pés à cabeça -Sua gótica.
- Vá se ferrar. -Começo a resmungar, porém eu calo. 

Fico ali ouvindo minha música e ele calado lendo seu livro. Sua presença me intimida, por isso resolvo voltar pro colégio, já deve está no recreio. Me levanto, e pego minha mochila e começo a caminhar.
-Já vai ? -Ele diz.
-Ficar aqui que eu não vou. -Reviro os olhos e resmungo.
-Já vai tarde. -Ele bufa.
-Garoto, você é muito chato. Vai pro Tobias querido. -Disse e me pus a pular o muro. Mas, sem sucesso, me embaracei na mochila e caí.
-Está bem ? -Ele veio até mim.
-Não te interessa. -O olho.
-Se eu perguntei é por que interessa. - Ele revira os olhos.
-Que seja. -Me levanto e reviro os olhos.
-Como é seu nome ? -Ele me pergunta.
-Gótica suave. -Pisco os olhos para ele.
-Me chamo desconhecido isolado. Até mais gótica suave.-Ele ascena e sai.

Pulo o muro e volto pro colégio.

           ******************

O resto do dia foi a mesma coisa rotineira, trabalho, e casa. Não vi a Sophia desde a discussão, mas também eu nem liguei. Mais tarde ela está de volta.

Me jogo na cama e pego logo no sono, com certeza eu só acordo amanhã, ultimamente me vejo muito cansada.

Os Últimos Cortes.Histórias para pegar e não largar. Descubra agora