Capítulo 38.

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Quando voltei pra casa acompanhada do Pietro o Rafael me olhou feio, mas não dei bola, perguntei pela Sophia e me informaram que ela estava lá em cima, que não tinha descido desde que saí. Bati diversas vezes na porta do seu quarto mas ninguém atendeu, comecei a ficar preocupada, algo dentro de mim dizia que algo bom não tinha acontecido. Por isso fui na cozinha e peguei uma chave reserva dos quartos de hóspedes, e quando abri a porta do quarto da Sophia a cena que vi partiu meu coração. Ela estava jogada no chão, seus pulsos estavam cortados e remédios estavam jogados e espalhados pelo tapete.

-Pietro, Rafael, subam aqui.-Gritei pros meninos que vieram imediatamente.
-O que aconteceu?-O Pietro perguntou.
-Num é obvio que ela tentou se suicidar ?-O Rafael retrucou.
-Não sou cego.-O Pietro rebateu.
-Calados vocês dois. Me ajudem a coloca-lá na cama. Liguem pra uma ambulância. Checa pra ver se ela não está morta.-Disse aflita.

O Rafael desceu as escadas pra ligar pra ambulância que logo chegou, ela ainda estava viva, mas se demorassem muito ela poderia morrer, pelo que entendo ela precisava fazer uma lavagem estomacal urgente, e enquanto aos pulsos estava tudo bem, os cortes foram profundos, mas não atingiram nenhuma veia importante.

-Ela vai ficar bem ?-Perguntei pro Pietro. Eu estava aterrorizada com tantas coisas ruins que estavam acontecendo com minha vida.
-Vai sim, não pensa no pior tá ?-Ele disse e me abraçou.
-Ok, hm, Pietro, temos que conversar. -Disse e me afastei do abraço dele.-Não podemos ficar juntos, não por enquanto.-Disse meio desconfortável com a situação.
-Mas por que ?-Ele não entendeu.
-Você sabe que eu estou carregando um filho do Rafael..-Me expliquei.
-Ah, entendi. Tudo bem.-Ele sorriu fraco.-Vou descansar um pouco qualquer coisa estou aqui.-Ele disse e foi pro quarto.

Meus dias não eram dos melhores, sem contar que as férias estavam acabando, as férias do terror, e graças aos céus eu ia voltar pro colégio e esse inferno irá acabar. Ou não. Antes de ir pro meu quarto pegar umas coisas pra ir pro hospital, a Bianca me barrou, e me entregou um papel, e nele pedia uma transferência de colégio, e transferência essa concedida.

-Mas que diabos é isso ?-Perguntei.
-Uma transferência.-Ela disse como se fosse algo simples.-Você vai voltar pro seu antigo colégio, você e aquela sua amiguinha nojenta. Consegui sua guarda, veja que maravilha, só não me chame de mãezinha, porque eu não quero me acostumar, já que você ficará pouco tempo viva pra isso.-Ela disse cínica.
-Nojenta.-Disse com bastante raiva.
-Hm, não me insulta garota.-Ela disse e foi se aproximando de mim.
-Se afasta de mim.-Disse e me afastei dela.

Fui pro meu quarto e peguei as coisas depressa e fui pro hospital. Está tudo dando errado, meu pai, meu bebê, ameaças, minha falsa-amiga à beira da morte, uma traição do pai do meu filho, oh céus, a única coisa boa é saber que o que sinto pelo Pietro é recíproco. Cheguei ao hospital logo, fiquei lá, plantada umas duas horas ate uma enfermeira ruiva me dar informações.

-Parente da paciente Sophia ?-Ela perguntou.
-Sim.-Confirmei.
-A paciente está fora de perigo, fizemos uma lavagem estomacal de urgência, ela respondeu bem, só está sonolenta, depois ela vai comer e ai sim poderá receber visitas.-Ela disse.
-Obrigado, hm, prefiro que não a avise que estive aqui.-Disse meio sem graça.
-Porque ? Não gostaria de ve-lá?-Ela perguntou.
-Problemas familiares e pessoais.-Disse e sorri fraco.
-Ah, entendo, pode deixar.-Ela sorriu fraco e saiu.

Peguei minhas coisas e fui pro parque da cidade. Inúmeras coisas passaram pela minha cabeça, até suicídio. Mas, eu prefiro dar vida a meu filho primeiro, não quero tirar o direito de dar vida ao mesmo. Muitas coisas ruins vem me acontecendo, não pedi isso, mas tenho que encarar, é o melhor pra mim, e pra todos que me circundam, mas se a Bianca pensa que pode ferir meu bebê ela está muito enganada. Sei que o Rafael não liga, mas, eu ligo.
Em pensar no diabo.. Logo vi o nome estampado do Rafael na tela do meu celular, logo atendi, e ele disse que tinha uma coisa muito importante para tratar comigo, e logico que eu também, ia colocar as cartas na mesa. De agora em diante, nada de fugir, encarar a realidade e apostar sem medo.

Os Últimos Cortes.Histórias para pegar e não largar. Descubra agora