Depois de mais de 15 anos eles reapareceram, meus pais. Depois de terem feito eu me tornar essa criatura rejeitada por todos, depois de terem feito um ódio brotar em mim, eu não os aceitaria, tudo que eu senti antes por aqueles malditos seres não são nada comparados a um simples abraço, eles fizeram uma nova Sara nascer depois daquele maldito dia em que eles me deixaram lá.
A mulher que me abraçou é linda, de belo porte, cabelos avermelhados, e olhos cinzentos, vi falsidade naquele jeito extrovertido dela. Ela fitava a Sophia com um olhar meio estranho. Eu por minha vez só fiquei atônita, o rapaz de cabelos grisalhos me fitava a espera de alguma reação.
-Meus pais...-Foi a única coisa que sairá da minha boca.-O que querem ?
-Sim Sara, somos seus pais querida. Queremos te levar embora deste inferno anti social.-A ruiva disse se referindo a Sophia.
-Vocês não vão leva-lá. -A Sophia plugo seu braço dentre o meu.
-Eu não vou. -Disse.-Vocês somem por mais de não sei lá quantos anos e agora aparecem pensando que eu vou voltar com vocês, sem mais nem menos ? Não mesmo. Você não sabem o quanto eu sofri só por não ter um amor paterno e materno. -Disse enquanto tentava segurar as lágrimas, e eu escandalizava o que trazia a atenção de todos ali presente.
-Sara querida, você precisa vir conosco. -A moça insistia.
-Eu não vou, esta surda ? -Disse grosseiramente, o que trouxe a atenção do porteiro.
-O que está acontecendo aqui ? -O porteiro chegou e perguntou enquanto olhava para mim.
-Eles querem me levar, não deixa. -Disse enquanto segurava umas lágrimas.
Eu não queria abandonar a Sophia, eu quero uma família, mas eu não quero essa que me trouxe tanto medo, tanta angústia, tanta solidão.
-Sara, quem são eles ? -O porteiro perguntou.
-São meus pais.-Disse baixo.-Bom, é o eles dizem.
-Somos, aqui olha. -O moço de madeixas grisalhas estende um papel, que contia os dados da adoção.
-Eu não vou.-Gritei e sai correndo dali.
Adentro o colégio e saio, sinto lágrimas escorrerem sobre meu rosto, os alunos me olham sem entender o que está acontecendo, seguro minha mochila e vou até o muro que dar no parquinho, pulo o muro e vou para de baixo da árvore, abro minha mochila e tiro minha gilete de dentro dela, estendo meus pulsos e começo a fazer cortes e mais cortes, pauso para pegar meu celular, daí plugo em Our Time, e as lágrimas começam descer com mais velocidade, volto aos meus cortes, passo a gilete com muita força, o que trás até mim uma dor misturada com um choque instantâneo pelo meu corpo, depois de ter feito vários cortes e ter tirado minha raiva de tempo, coloco minha gilete ao lado e arregasso as mangas do meu casaco, coloco minha cabeça dentre as pernas, e choro em silêncio.
Sinto alguém afagar meus cabelos, levanto meu olhar e é o Rafael, o olho assustada.
-Hei, o que houve ? -Ele me pergunta enquanto passa seus dedos delicadamente sobre meu rosto, e junto ao seus dedos vai minha maquiagem preta. Permaneço calada. -Pode confiar, prometo te ajudar. -A voz dele me trás uma calma, e o mesmo me abraça e o choro volta outra vez. Depois de um tempo eu resolvo contar o que houve para o mesmo.
-Sou órfã, meus pais apareceram, e eu não quero ir, criei um ódio nunca sentido na minha vida por eles. -Digo baixo.
-Você prefere agir como uma covarde orgulhosa então ? -Ele me olha.
-Ãnh? Por que eu seria covarde orgulhosa ? -O olho sem entender.
-Você não sabe o que houve, você só criou um ódio e pronto, acabou, não existe mais explicações. E aproveita enquanto seus pais te procuraram, por que tem muitos pais que nem ligam. -Aquelas palavras não só invadiram meus ouvidos como meu coração também.
- Mas e a minha amiga ? -Pergunto baixo.
-Ela é alguma criancinha ? -Ele me olha com desdém.
-Não ué. -Dou de ombros.
-Então ela sabe se virar. -Ele disse e deu um sorriso que deu para ver suas covinhas, e eu fiquei perdida naquele sorriso. -Bem, tenho que ir. -Ele disse e se levantou.
- Também vou indo. Até mais. -Me levantei e peguei meus materiais.
-Até mais Sara gótica. -Ela acenou e sorrio.
-Até mais Rafael estranho. -Sorri de volta e pulei o muro.
Quando voltei ao colégio os "meus pais" ainda estavam lá, sentados na calçada acompanhados da Sophia.
-Querida. -Meu pai me abraçou, e juro que é estranho ver o mesmo como meu pai.
-Eu vou.-Disse baixinho quase sussurrando.
-Graça aos céus. -Ele sorrio e eu fiquei alegre em ver um sorriso saindo do seu rosto.
-Vai me abandonar ? -A Sophia se levantou da calçada num só solavanco.
-Olha Soph, não vou te abandonar, eu vou voltar.-Tentei amenizar a situação.
-Que seja, não me procura mais. -Dito isso ela adentrou o colégio eu me senti muito culpada por aquilo tudo, mas eu precisava de um tempo mais familiar, eu nunca tive isso, é talvez eu precise, talvez a Soph entenda o meu lado, pois não é como se eu estivesse abadonando-a.
-Vamos. -O meu pai abriu a porta do carro e eu entrei no mesmo, o carro era todo arrumado, tinha cheiro de ar condicionado. A mulher ruiva me olhará e algo me dizia que aquela não era minha mãe, ela tem um olhar muito falso, e não tem genética alguma comigo.
Depois de uns minutos dentro daquele carro a olhar para tudo que estava ficando pra atrás através do vidro fumê, o carro adentrou um jardim, que mais adiante tinha uma casa, e que casa, enorme, branca, com uma varanda bem espaçosa. Abri a porta do carro eufórica, e o meu pai sorrio ao ver minha euforia, a mulher só revirou os olhos e bufou, essa mulher está muito longe de ser minha mãe, mas, não tenho nada que prove que não, então prefiro acreditar que sim.
-Antes de tudo Sara, essa casa é sua, me chamo Jonas Maia Gallinari, e ela é a sua mãe, bem, sua madrasta, se chama Bianca Toledo Maia. Lá dentro eu lhe conto tudo o que houve e que estará por vir.-O meu pai disse antes de entrarmos na casa, ele é muito legal e simpático, ao contrário da Bianca, cara de nojenta, só não entendi por que ela disse "Minha filha", eu só queria saber da minha mãe naquele momento.
-Hum, tudo bem.-Disse após meu transe.
Assim que entramos na casa eu não pude deixar de notar na decoração luxuosa, sofá de couro, lareira, uma TV de 48 polegadas, um local onde só tinha vinhos chiques e importados, uma decoração muito bonita, com o acompanhamento do piso banhado a prata.
-A Bianca tem um filho, por isso não se acanhe, acho que ele já chegou, vá lá chama-ló Bianca. -Ele disse.
- Tá.-A Bianca disse e adentrou a casa.
-Venha, sente-se. -Ele disse enquanto se assentava no sofá. Eu me sentei meio acanhada.-Suco, água ?
-Suco por favor. -Disse com um sorriso fraco.
-Janaina traga um suco para minha filha. -Senti borboletas voarem no meu estômago quando ele disse "Minha filha".
Depois de um tempo a tal Janaina apareceu na sala com um suco de framboesa, a mesma aparentava ter lá seus 23 anos de idade, morena e com um belo corpo.
Depois veio a Bianca acompanhada do seu filho, eu o conhecia, espera, esse é o Rafael. Meu queixo foi ao chão ao ver ele ali, e quando ele me viu ele ficou sem reação.
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E não se esqueçam de conferir a obra da LauraScull, Sonho de Inverno.
Beijos da Rol ♥
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Os Últimos Cortes.
Random"Nunca tive o corpo SUFICIENTE. Nunca fui amável o SUFICIENTE. Nunca fui legal o SUFICIENTE. Nunca fui SUFICIENTE. "
