Caminhei lentamente pela calçada movimentada, cheia de pessoas que caminhavam parecendo pessoas tementes de algo. Não sei o que sinto exatamente, não sei mais o que sinto pelo Rafael. Ele me magoou, me traiu, não entendo o porquê disso tudo, também não entendo o porquê dos meus sentimentos pelo Pietro. Gostaria de entender, mas é inexplicável.
Cheguei ao café marcado pelo Rafael, logo o avistei, ele estava inquieto, olhava para ambos lados. Me aproximei vagarosamente e me sentei na cadeira de frente pra ele.
–Oi.–Ele disse seco e eu dispensei.
–Vamos logo ao que interessa Rafael.–Revirei os olhos.
–Ok, ok. Você está esperando um filho ou filha meu ?–Ele disse inquieto.
–Se for, pode ter certeza que sua presença paterna não fará falta.–Disse curta e grossa. Não entendi o porquê do meu jeito grosso com ele, se fosse há um tempo atrás, eu estaria o tratando há flores.–Você acha que eu não sei de você com a Ana.–Revirei os olhos.
–Então é isso..–Ele se jogou pra trás e depois inclinou-se para mim.
–Não, é indisso.–Ironizei.
–Para de marra Sara.–Ele fechou a cara.–Se você está carregando um filho meu, eu tenho o direito de saber.–Ele franziu a testa.
–Tá, é verdade Rafael. Mas, não importa, sabe porque ? Porque eu se você não foi homem suficiente pra ser fiel à mim, num relacionamento privado, você não será homem suficiente pra ser pai do meu filho.–Disse. Ele abaixou a cabeça, ficou longos segundos pensando e se manisfestou.
–Mas Sara..–O interrompi.
–Sem mais nem menos Rafael, se quiser outra chance vá jogar video game. Acabou por aqui tá legal ? Se você está descontente cara, termina. Não traí. Se valorize, me valorize. Se respeite, me respeite.–Peguei minha bolsa e saí.
Caminha às pressas pela calçada, assim que saí não pude deixar de notar um carro preto me seguindo. Apressei meus passos e logo cheguei na mansão. Parecia que eu tinha acabado de me livrar de um peso, e que grande peso. Subi as escadas e me joguei na cama, fiquei ouvindo música até anoitecer, só saí pra pegar uma fruta pra comer. O Pietro já tinha voltado pro colégio, as aulas tinham se antecipado porque estavam em atraso. Eu não fui, graças à Bianca que tinha me transferido. Não sei como vai ser quando eu voltar pra quele colégio. Vai ser um inferno, isso é garantia na certa. Ainda mais quando minha barriga começar à aparecer. E se aparecer.. Sei lá, não me vejo com filho por agora, isso não me ajudaria em muita coisa, só iria fazer atrapalhar meus planos, estudos e vida. Acho que um aborto cairia bem. Apesar do Rafael já saber, e não duvido muita coisa dlee ter ido contar os detalhes da nossa discussão pra mamãe dele. Infantil! Phuff!
Peguei um livro qualquer e me pus a ler. Até que me lembrei da Sophia, corri até o telefone da casa e liguei pro hospital.
–Boa noite, aqui é Sara Maia, irmã da Sophia Maia.–Me identifiquei. Precisei colocar como irmã, pra poder assinar o termo de responsabilidade.
–Boa, o que desejas senhorita ?–A secretaria me perguntou.
–Informação sobre a paciente.–Afirmei.
–Numero de matrícula? –Pediu.
–9234.–Passei.
–Só um minuto..–Ela disse e depois de uns dois minutos voltou a falar.–A paciente está sedada, está no quarto, foi feita a lavagem estomacal, e quando a mesma acordar, encamiharemos pra um psicólogo, como pedido pela senhorita.–Ela disse e eu me despreocupei mais.
–Hum, obrigado pela informação. Até mais. Amanhã ligo.–Agradeci e desliguei.
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Os Últimos Cortes.
Random"Nunca tive o corpo SUFICIENTE. Nunca fui amável o SUFICIENTE. Nunca fui legal o SUFICIENTE. Nunca fui SUFICIENTE. "
