Capítulo 36.

1.7K 181 30
                                        

–Me chamo Robson Zacarias, sou um tutor particular do falecido, e venho aqui ler o testamento de bens, dirigidos principalmente a senhorita Bianca.–O moço de cabelos grisalhos, alta estatura e engravatado disse. E a Biaca oportunista como é, abriu logo um sorriso de orelha a orelha.–Bem, maior parte dos bens ficaram para Sara Maia, mansão, carros, e 60% da empresa que ele possuía, e 30% pra senhorita, e o restante, que se totaliza em 10% foi totalmente direcionado ao Rafael Maia. Sei que entre si se entenderão, e essa foi a vontade e direito do falecido, os bens seguintes só poderão ser passados herdeiramentes, assim, na arvore genealógica, se a Sara tiver um filho, todos os bens irão para criança, fora isso, os bens serão direcionados para dona Bianca, que tem o atesteado de convivência por 17 anos, e após isso, vem o Rafael. Entendido ? Alguma pergunta ?–Ele disse atencioso e eu tremi, a maior parte veio para mim, não era necessário, agora eu com certeza estou ferrada, não só eu, mas o meu filho também.
–Mas, espera, como assim os bens vao para essa bastarda ?–A Bianca contesta.

Estava demorando.

–Pelo que sei, ela não tem nada de bastarda, e o único bastardo é o seu filho senhorita, eu soube de tudo, e cuidei de tudo, por isso minha cara, trate-se de se conscientizar da situação e aceitar.–O moço respondeu seco e neste momento juro que engoli uma bela de uma gargalhada.–Passar bem.–Ele se levantou e saiu.
–Rafael, saia daqui agora.–A Bianca ordenou e o Rafael saiu com o rabo entre as pernas.
–Olha, eu não tenho nada haver.–Disse com a voz trêmula. Ela me olhava com muita raiva.
–Dezesete anos, muito tempo do lado desse homem doce. Inveja ? Talvez. Mas tudo, tudo, que eu mais quero é o que era pra ser da sua mãe. Você quer saber como ela era ? Sim ? Eu descrevo, sem problemas.–Ela se aproximou de mim e eu me esquivei, o olhar dela estava tão maquiavélico. –Ruiva, que nem você, corpo lindo, atraente, eu saia com ela e a atenção era voltada para quem ? Para ela. Era Georgia pra cá, Georgia para lá. Um mimimi só. Que ódio. Aqueles olhos olivas me livrei logo, mas quando o seu pai te achou, o inferno começou, a atenção voltou para ti.–Ela falava como se não houvesse um mínimo vazio por dentro de mim.–O jeito que você olhava pro meu filho, era cogitável, maldita, conseguiu o domar também.–Ela disse e socou a mesa.
–Bianca, calma...–Tentei acalma-lá, mas ela me interrompeu.
–Calma ? Calma o escambal.–Ela revirou os olhos e me olhou com furor.–Vou tirar tudo de você, tudo que você mais ama. Incluindo essa maldita criança que você carrega, não é meu neto mesmo.–Ela disse com desdém porem com muito ódio.

Eu não ia deixar ela tirar minha criança, não meu bebê, não na sementinha que eu aprendi a amar. Não o bebê do Rafael.

–Não toca no meu bebê, te juro que se você tentar algo contra, eu te juro, que você vai se arrepender, grava essas palavras, sou pequena, mas não significa que eu sou incapaz.–Disse firme. Me levantei e saí dali pisando duro.

Maldita, quem ela pensa que é pra descontar sua inveja preta em mim ? Não tenho culpa do passado de rejeição dela. E se ela vier descontar na minha criança, eu a mato, nem que pra isso eu morra numa cadeia.
Entrei pisando duro no meu quarto e me sentei na cama, coloquei a mão sobre minha barriga e alisei a mesma e sussurrei baixinho:

–Nada, nada irá te ferir, simplesmente nada.

E nada iria.

Desci pra ir pro velório. Quando lá cheguei já tinha varias pessoas, eu não queria falar, era tanta dor engasgada, que eu entalaria na primeira tentativa de frase. Quando foram colocar o caixão na cova eu saí de lá, não suportaria ver aquela cena.
Quando saí o Pietro veio logo em seguida.

–Hm, sinto muito, sei que não é hora mas, é muito árduo essa indiferença, por isso precisei tomar minhas devidas providencias. E como eu já adivinhava, essa pessoa..–Ele estendeu um CD.–Foi quem lhe traiu, não eu. E não se preocupe, amanhã mesmo eu estou saindo da cidade. Espero que ouça a gravação. –Ele disse e sorriu fraco.
–Eu não quero ouvir. Porque cogitasses que eu iria ouvir ?–Disse fria. Por causa dele meu bebê estava em perigo.–Por causa de você meu bebê corre perigo, por causa de você. E é bom você sair não só da cidade como do mundo, não me aparece mais na minha frente Pietro, me esquece.–Disse fria e saí. Entrei no carro e fui pro parque central, com o CD na mão.

________
Olá, se você está gostando que tal gastar uns minutinhos do seu tempo pra comentar, e votar ? Isso me ajuda na divulgação e na continuação da historia. Obrigado !

Os Últimos Cortes.Histórias para pegar e não largar. Descubra agora