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38. Minha escolha - Emily

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Não podia ir com ele, sentia-me frustrada e magoada. Ele iria me deixar. Meu peito doía, minha cabeça girava. Tudo parecia tão irreal. Por que ele teria que ir embora agora?

Nos dias seguintes, Giovanni me ligou algumas vezes, eu precisava pensar e não estava com vontade de falar com ele. Contudo ainda não estava pronta em finalizar nosso namoro e, por fim, aceitei que ele viesse até meu apartamento.

Sabia que ambos tentaríamos fazer o outro mudar de ideia, e também sabia que ambos fracassaríamos nisso. Mesmo que Sérgio tenha achado minha decisão precipitada e Gustavo tenha dito que eu não devia me preocupar com ele, eu ainda mantinha minha escolha.

Eu tinha uma vida além de Giovanni e, agora eu entendia que ele tinha também a dele e se o destino era ficarmos separados que assim fosse. Minha mente entendia isso, mas meu coração esbravejava choroso o contrário.

— Essa é sua decisão final? Não vai comigo! — Giovanni suspirou frustrado, contudo aceitava agora minha escolha. —Namoraremos à distância e nas férias você me visita, tudo bem?

— Namorar à distância por dois anos? — Olhei-o frustrada. Como poderíamos realmente namorar pela internet? Do que me adiantava dizer que tinha um namorado se nem podia tocá-lo? Lembrei-me de histórias que minha mãe contara dos relacionamentos fracassados entre pessoas de sua equipe que tentaram manter namoros quando foram transferidos. — Não acha que é muito tempo para se namorar a distância?

— É um longo tempo, sim. Mas nos veremos nas férias. — ele sorriu, tentando fingir calma. — Eu te amo e quero continuar a ser seu namorado.

— Não sei, Giovanni. Olha o monte de coisas que acontecem em um semestre, como poderíamos ser namorados sem nos vermos todos esses meses?

— Namoramos pela internet. Muita gente faz isso, qual o problema?

— Giovanni. — fitei-o profundamente, minha garganta estava apertada, contudo não conseguia me sentir bem com a ideia de ficarmos ligados um ao outro por um rótulo de relacionamento, quando não se podia prever como seria ficarmos longe ou se nosso amor sobreviveria ao tempo. — Assim que for para a Inglaterra, daremos um tempo no nosso namoro porque não acredito em namoros à distância. — ele me abraçou frustrado.

— Não vejo sentido nisso. — ele suspirou. — Mas é sua decisão. E, quando eu voltar, iremos ficar juntos.

Concordei com a cabeça e nos beijamos demoradamente.

****

Os dias seguintes foram os mais estranhos, pois passávamos muito tempo junto fingindo que não nos separaríamos como se apenas fosse mais um belo dia de namorados. Contudo, compras de malas, arrumação de roupas, organização do apartamento, conversas com Nina sobre como era a Inglaterra me traziam à dura realidade e, muitas vezes, pensei que não conseguiria deixá-lo pegar o avião.

Não desejava que ele fosse embora, no entanto, eu o deixei ir. A despedida no aeroporto foi um das coisas mais doloridas de minha vida, sentia dor física. Só não peguei o próximo avião para segui-lo por falta de dinheiro e também pelo meu maldito orgulho.

Passei o resto do dia meio anestesiada, como se esperasse que ele apenas voltasse. Ao me dar conta que isso não ocorreria, chorei até não ter mais água que pudessem formar lágrimas.

Eu não tinha mais namorado. Giovanni seguiria sua vida e eu a minha, pelo menos seria assim por longos dois anos. Sentia-me confusa, havia finalizado nosso namoro oficial, contudo emocionalmente ainda estava presa a ele e ele a mim. Será que fiz uma besteira? A solidão e a dúvida me fizeram recomeçar a chorar copiosamente.


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