22. Discussão - Emily

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— Como pude me enganar tanto sobre seu caráter? — Giovanni gritou. Assustei-me, nunca esperaria por tal reação. O observava sem saber que atitude tomar, não conseguia compreender o que fizera de errado para ele se mostrar tão transtornado ao meu lado no carro. — Como pôde namorar dois irmãos ao mesmo tempo? E, pior, ainda estar com o Gustavo?

— Não estou com o Gustavo! — senti o aperto em meu coração com o modo enojado que Giovanni me encarava. Falei num sussurro. — E não namorava os dois de verdade.

— MENTIROSA! Os professores me contaram tudo. Por que me enganar sobre seus sentimentos?

— ELES NÃO SABEM DE NADA! — gritei mais alto que ele, magoada. — Eu nunca te enganei!

As desconfianças dele esmagaram meu peito. Seus olhos estavam nauseados e o medo de perdê-lo me sufocou. Agora percebia por que evitava discussões com ele, eu não podia prever suas reações ou seus sentimentos como facilmente acontecia com Ricardo.

O medo transmutou-se em ira. Como ele podia duvidar de meu caráter? Enfureci-me com suas insinuações sobre eu e Gustavo e bradei novamente:

— NÃO NAMOREI NENHUM DOS DOIS! Não minto. — Respirei fundo para controlar o tom de minha voz. — Eu e o Ricardo não chegamos a ser namorados, nós ficávamos quando nos dava vontade, mas nunca namoramos realmente. Não tínhamos nenhum compromisso um com o outro. E depois não te devo explicações sobre o meu passado.

— E o Gustavo? Vocês também se divertem quando dá vontade? — ele me fitou com expressão enlouquecida. — Riem pelas minhas costas! Como pude ser tão tolo?

Abati-me. Realmente nada de bom tinha vindo daquela maldita festa! Não era nada agradável vê-lo com desconfianças sobre eu e meu melhor amigo. Amava Giovanni, mas se eu tivesse que escolher entre um ou outro, o Gus era minha opção. Ele era mais que um amigo, talvez mais que um irmão e eu nunca deixaria que nada nos separasse ou trairia a confiança que ele depositava em mim.

— Era só um acordo! Giovanni, tem que acreditar em mim. — disse entredentes e com olhos marejados. — O Gus era alvo constante de piadas e brincadeiras de mau gosto. Isso o matava por dentro, eu só queria ajudá-lo a ser mais bem visto na escola.

Por mais que eu tentasse, ele não queria acreditar em mim. Sua voz estava áspera e malevolamente irônica. Seu rosto estava vermelho de raiva. Pensei que nestes meses todos de convivência, que entre amizade e namoro já decorria uns seis, ele compreendia quem eu era.

— Eu já disse, eu e Gustavo nunca tivemos nada, foi apenas fingimento. — soltei em um suspiro doído, já previa um fim trágico para nosso namoro.

— Quero acreditar no que me diz, mas... — ele apertou o maxilar ao mirar suas pernas.

Por que Giovanni não consegue compreender que tudo o que fiz foi para ajudar o meu melhor amigo? Por que as pessoas sempre tem que pensar de forma maliciosa? Ricardo sempre me apoiou nessa farsa e não havia desconfianças. O único constrangimento veio quando fomos vistos em algumas festas juntos. Tive que aguentar algumas piadinhas sobre minha integridade, contudo Ricardo era bom de briga e resolveu o assunto de forma rápida, persuadindo nossos colegas a não mexerem mais comigo. Eu não me importava com as concepções alheias, pois se Gustavo estivesse bem, eu e seu irmão também estaríamos.

Eu queria que Giovanni pudesse confiar em mim. Fitei os olhos dele, que me miravam indecisos. Passei a mão vacilante em seus cabelos. Ele arrumou os óculos, atrapalhado. Meu coração batia tão forte que eu conseguia ouvi-lo.

— Por que eu ia querer namorar contigo se eu tivesse com outra pessoa? Qual o sentido disso? — suspirei chorosa. — Não tem por que brigarmos por algo do passado!

— Ou você é uma mentirosa muito boa ou é sincera. — ele soltou um suspiro ferido. — Não entendo por que mentiria sobre isso para ficar mal falada ente seus colegas.

— Gustavo é meu irmão, se for para ele ficar feliz não me importo com o que as pessoas das quais nem gosto falam. — ele me observava com dubiedade. — Eu gosto de você, Giovanni. Ou você acredita em mim ou vá embora! — encarei-o com lágrimas nos olhos, cansada de tentar explicar algo que nem era minha culpa.

O silêncio tomou conta do carro. Ele não tinha certeza do que queria, então, mesmo com meu coração sangrando eu abri a porta do carro e saí.

— Acredito em suas palavras! — a voz de Giovanni soou próxima as minhas costas antes que eu alcançasse o portão do prédio.

Ele pegou minha mão, eu mevirei em sua direção. Nossos olhos se estudavam ambos ainda magoados eindecisos de qual o próximo passo a ser dado. Suspiramos e nos entregamos àssensações que percorriam nosso peito ao permitir que nossos lábios se selassemem trégua. 


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