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41. A mensagem - Emily

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Assim que passamos a enorme porta de vidro do aeroporto, e avistei Giovanni eu tive a certeza que se ele me pedisse eu ficaria ali com ele na Inglaterra, não me importava mais nada, apenas ele.

Não tinha mais sentido sofrer em casa quando simplesmente podia partilhar o resto do tempo de seu doutorado ao seu lado. E quando ele, finalmente, fez o pedido só me restou aceitar.

Sentia-me feliz comigo mesma por ter amadurecido ao ponto de aceitar mudar minha vida, mesmo que só por algum tempo. Seria uma gigantesca mudança, porém a apreensão não me dominava mais.

Após o tesão de nossa saudade ser saciado, ainda deitados na cama, organizamos como seria minha estadia na Inglaterra. Decidimos que eu poderia me inscrever em alguns cursos sobre Biologia se não conseguisse vaga na universidade para continuar minha graduação.

A alegria por finalmente ter Giovanni de novo, me fez querer contar a novidade para Gustavo. Assim que amanheceu eu já o chamei na internet. Ele ficou orgulhoso com minha decisão. E nós três juntos planejamos tudo: voltaria para minha casa no final da semana com Nina seguindo o planejamento anterior, e juntaria minhas coisas, avisaria Sérgio e os outros, trancaria minha faculdade e retornaria para os braços de Giovanni ainda no começo da outra semana.

****

Seguindo os planos para a semana de visita a Inglaterra, arrumei-me para o almoço com meu pai. Havia comentado com meu pai que estaria na Inglaterra durante a semana e ele disse que viria até Londres com Megan e Suelly para almoçarmos juntos.

Giovanni estava bastante nervoso com o almoço, lembrando-me de mim quando fui conhecer sua família. Ele acordou cedo e passou um longo tempo escolhendo uma roupa para vestir.

— Giovanni, por que está nervoso? — eu o observava ainda deitada na cama. — Você não estava assim quando foi conhecer minha mãe.

— Engano seu, — ele sorriu e ajeitou novamente os óculos. — é que não me viu escolher a roupa.

Eu sorri, achava graça.

Nina estava contente em finalmente ter contato com outra criança, provavelmente esperava fazer uma amizade com minha meia-irmã Megan. Eu não acreditava nessa possibilidade, pois Megan era uma criança com mania de parecer gente grande mesmo tendo quase a mesma idade de Nina.

Optamos por almoçar no restaurante do flat. Cumprimentamo-nos educadamente e meu pai me deu um abraço ao dizer:

— Seu namorado é bem apessoado. Pena que não terei netos ruivos.

Eu sorri e Giovanni fez o mesmo, pois meu pai só pensou ter sussurrado. Meu ouvido permaneceu zumbindo por alguns segundos. Nina tentava se comunicar com Megan por gestos, pois não sabia falar inglês e Megan, além de não a entender, não fazia muita questão de tentar, deixava claro com longos suspiros que detestava permanecer ao lado de Nina.

Meu pai e Giovanni passaram o almoço numa conversa educada sobre suas profissões, como fazem pessoas que não tem nenhum assunto real em comum. Eu participava da conversa, enquanto Suelly e Megan permaneciam entediadas. Nina se emburrou e de tempos em tempos cutucava discretamente Giovanni, na tentativa de poder ir embora.

Realmente não foi um almoço muito agradável, só valeu pelo fato de ter visto meu pai e ele ter conhecido o Giovanni. Não contei para ele sobre minha mudança para a Inglaterra, o queria fazer sem a presença da sua mulher e outra filha.

Nina entrou no flat, aliviada, tirou os sapatos e esticou os pés no sofá para ver TV.

— Emily. — ela me olhou séria. — Ainda bem que você não é como a sua irmã.

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