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6. Tarde de Pesquisa - Giovanni

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Quando entrei no laboratório, Pedro preparava o cérebro de tubarão martelo para ser mostrado na introdução da pesquisa ao trio. Fora sua ideia usar o órgão para auxiliar nas explicações, pois ele tinha grande gosto por anatomia. Eu achava uma dramaticidade desnecessária, mas nada comentei.

Concentrei-me nos papéis a serem entregues aos bolsistas com o resumo de nossa pesquisa anterior, pois a eles caberiam nos auxiliar a catalogar os resultados e fazer os gráficos comparativos das modificações evolutivas das espécies marinhas de nosso estado.

Sentia-me bem dentro do laboratório. Estava acostumado aos armários repletos de vidros com espécies animais mergulhadas em formal, a vidraçaria e aos equipamentos de laboratório. As quatro mesas ao centro, rodeadas de banquinhos eram amplas, tendo bastante espaço para trabalharmos.

Rodrigo e Alice chegaram primeiro, com frustração pensei se Emily tivesse desistido de participar. Pois as alunas, convidadas por Pedro, acharam a bolsa miserável para se dedicarem dois dias de semana á pesquisa e nem apareceram no dia da seleção. Assim apenas o trio fez a prova, e como eu previa passaram sem grandes problemas.

Meu colega jogou os aventais a nossos dois bolsistas e lhes indicou uma das mesas para se sentarem. Enquanto Rodrigo e Alice cochichavam com animação sobre os vidros expostos, Pedro parou ao meu lado com um ar de preocupação fingida.

— Será que tua ruiva te abandonou? — ele cochichou implicante.

Eu não respondi e me virei para a dupla de alunos decidido a começar a apresentação. Emily era apenas uma aluna, por mais que fosse bela, sua falta não tinha o poder de abalar meu desempenho no trabalho.

Nesse instante, Emily entrou graciosa. Meu peito soltou um suspiro aliviado por sua presença, e isso me causou confusão.

Meu amigo se aproximou dela como um gavião espreitando a presa.

— Seja bem-vinda bela ruiva de olhos felinos. — ele beijou-lhe a mão em um cumprimento galante.

Senti repulsa ao ouvi-lo. Emily fitou-o confusa e ao mesmo tempo curiosa, suas bochechas coraram. Ela se agradou dele? Será que seria mais uma a cair na rede dele?

Quis repreender Pedro, contudo se o fizesse só iria atiçar o interesse dele por ela. Aborrecido com a situação, cruzei meus braços e me escorei na mesa a frente da do trio, dando a permissão para iniciarmos as explicações sobre a pesquisa a ser feita.

Pedro aproximou-se com o cérebro de tubarão na mão, representando um daqueles cientistas loucos retratados em filmes. Ele divertia-se com os olhares curiosos do trio, diante de sua performance.

A face rubra de Emily, ainda pelo episódio anterior, começou a ganhar uma tonalidade pálida. Por segundos, contemplei a beleza do contraste do branco com os cabelos acobreados, contudo quando seus lábios também perderam a cor, soube que ela iria despencar do banco. Num reflexo ligeiro, consegui ampará-la antes que tocasse o chão.

Todos os presentes amontoaram-se sobre ela com preocupação, meu coração se acelerou ao pensar que ela poderia ter se ferido se eu não estivesse atento a ela. Ao mesmo tempo, me preocupava a questão de eu estar atento a ela em um primeiro momento. Isso não era certo para um professor.

Baixei sua cabeça, forçando que a pressão voltasse a subir. Já havia tido alunos com a mesma reação diante do odor forte do formol.

Logo Emily recuperou a consciência e sua cor natural. Suas bochechas coraram envergonhadas, deixando seu rosto mais charmoso.

— Sua pressão baixou. — expliquei ao ajudá-la a retornar para o banco.

Confusa com a situação ela acenou e tentou se ajeitar ao banco. Alice e Rodrigo a observavam com olhos esbugalhados, ainda assustados.

Ao perceber que tudo estava sobre controle, Pedro retomou animado seu discurso anatômico. Eu não podia evitar permanecer atento aos movimentos dela até me convencer que não houvesse mais chances de algo dar errado novamente.

Na saída da pesquisa, depois que nossos bolsistas se foram, Pedro ria debochado enquanto fechava a porta da sala.

— Giovanni, se aproveitando de um desmaio para agarrar uma aluna? Sua separação realmente te mudou.

— Deixe de ser tolo. — levei na brincadeira as palavras de Pedro, afinal eram exatamente isso. — Vamos embora logo.

— Vai investir na ruiva?

— Sabe que não saio com alunas. — respondi entredentes, aborrecido com ele.

— Tem certeza? — ele sorriu distraído. — Poderia ter mais algumas gramas de seio e bunda, mas ainda é muito gostosa.

— Não devia falar de nossas alunas desse jeito.

— Mas pensar pode? Sei que deseja provar aquele corpinho. — Pedro bateu em minhas costas me provocando. Engoli culpado, sentindo-me péssimo.

— Pedro, ela é tão jovem. Não deveria falar assim. — tentei repreendê-lo novamente. Ou talvez falasse para mim mesmo?

— Não se engane, essas meninas com rostinho de boneca são as mais safadas. E sabem o que dizem das ruivas, são raras.

— Não tenho que ouvir essas coisas, tchau Pedro.

Aquela conversa me deixava desconfortável. Comecei a me afastar, mas ele gritou meu nome me obrigando a voltar.

— Prepare-se, temos um jantar hoje. — ele comunicou.

— Jantar?

— Minha vizinha, uma doçura de tão gostosa, vai levar uma amiga para jantar lá no meu apê. Preferiria ficar solitário curtindo um vinho com as duas, no entanto ela insistiu para que eu achasse um amigo para fazer companhia à amiga dela.

— Não sei, tinha planos para hoje à noite. — tentei escapar, ainda estava me recuperando da ressaca da festa anterior.

— Nada disso! — ele passou o braço sobre meu ombro, decidido a não me deixar em paz até eu ceder. — Te espero às nove horas, se não aparecer eu vou bater na porta de seu apartamento com o vinho e as gatas.

Concordei com um aceno contrariado, consciente que ele cumpriria sua promessa caso eu não fosse. Além disso, eu não tinha mesmo nenhum plano para a noite e por experiências anteriores, eu sabia que ele tinha bom gosto com mulheres.

Seria uma noite garantida. Boa comida, conversas descontraídas e sexo sem compromisso. Fazer sexo com mulheres desconhecidas não era o que planejei para minha vida, contudo era prazeroso e o que havia me sobrado depois do fracasso de meu casamento. E eu decidi aproveitar as oportunidades jogadas em meu colo.




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