Em seu apartamento eu me sentia confiante em estar ali sozinha com ele, decidida a aproveitar o momento. Giovanni colocou um dos filmes escolhidos e nos sentamos abraçados no sofá.
Antes que o filme começasse, ainda nos trailers, ele se inclinou em minha direção e me beijou com suavidade. Bastou apenas esse simples ato para que meu coração, já acelerado, se entregasse. Seus beijos percorreram meu pescoço, um arrepio subiu pela minha nuca e tomou conta de todo o meu corpo. Seus dedos ágeis desabotoaram minha blusa e eu podia sentir o calor de minha própria pele contra sua mão.
Alguns flashes do passado se intrometeram em minha mente. A angústia tomou conta de mim e sem perceber meu corpo se movimentara e eu estava em pé próxima à porta do apartamento. Giovanni havia se levantado e me olhava com olhos arregalados.
— O que aconteceu?
— Nada. — falei com a voz sumida me recompondo, voltei para o sofá, tentava encontrar o que dizer. Por que tinha que pensar no passado justo agora? Isso é tão injusto! Giovanni pousou a mão sobre as minhas, totalmente confuso. — Não é seguro. — Disse sem jeito.
— Eu tenho camisinha. — ele sorriu com certa malícia ao passar a mão no meu cabelo.
Não era isso que quis dizer, contudo não tinha palavras em minha garganta para expressar o verdadeiro medo que esmagava o meu peito. Senti-me desamparada, o passado se projetava fresquinho em meus pensamentos. Todas as coisas e sentimentos que eu havia empurrado para o fundo estavam de volta e, sem controle, comecei a chorar compulsivamente.
Chorava e chorava sem conseguir parar. Giovanni olhou-me chocado, como nunca o havia visto. Ele me abraçou fortemente contra seu peito. Escondi minha cabeça em sua blusa aberta e chorei como se tivesse liberado algo profundamente guardado.
Depois que consegui me acalmar, baixei a cabeça envergonhada pela grande cena que fizera. Tinha certeza que meu rosto estava vermelho e inchado pelo excesso de choro. Giovanni me observava com as sobrancelhas curvadas de preocupação.
— Me desculpe... — ele soltou em um suspiro confuso.
— Não é sua culpa. — minha voz saiu tremidamente envergonhada. Meu coração ainda doía, então suspirei. — São só fantasmas do passado.
Seus olhos se arregalaram em preocupação, para em seguida transmutarem-se em fúria.
— Se te fizeram alguma coisa... — ele levantou e andou de um lado a outro. — eu nem quero pensar o que farei com essa criatura.
— Não, ninguém me fez mal. — estendi a mão para ele. Giovanni ainda me observava sem compreender, mas voltou a sentar-se ao meu lado. — Eu que...
Permanecemos um tempo em silêncio, era difícil contar-lhe tudo. Eu respirei fundo, puxando um último soluço remanescente do choro e decidi seguir o conselho de Gustavo: "Não adianta fazer de conta que não aconteceu. Em algum momento você vai sentir a necessidade de contar ao Giovanni." Suspirei novamente e decidi que falaria tudo, mesmo que isso pudesse significar que ele se desapontaria comigo.
— Eu engravidei, no ano passado. Mas eu perdi... —baixei minha cabeça ao confessar com voz sumida. — achei que havia superado, mas agora tudo retornou aos meus pensamentos e... senti-me insegura, como se fosse acontecer de novo.
Seu olhar era perplexo. Quando fiz menção de me levantar, afinal ele provavelmente devia me considerar uma irresponsável ou talvez uma louca. Giovanni passou os dedos no meu rosto e me olhou amavelmente.
— Sinto muito por sua perda. — a voz era suave. Ele abraçou-me mais forte. — Podemos conversar sobre isso, se desejar.
Suspirei em confusão com o que sentir sobre sua fala. Como ele pode sentir muito? Se eu tivesse tido um bebê, com certeza não teríamos nem nos conhecido. Eu estaria casada e morando na praia, não teria nem começado a faculdade. Minha vida estaria um caos.
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Jovem Amor
RomanceExiste idade certa para amar? Giovanni é professor na faculdade de Biologia e acaba de se separar de sua mulher. Ele não tinha muito a ver com Rebeca desde o princípio e o passar dos anos só fez aumentar a distância que havia entre eles. Emily n...
