Eu vinha da biblioteca com alguns livros nos braços, não prestava muita atenção ao redor. Gustavo e Rodrigo vinham ao meu lado discutindo sobre o próximo estágio a fazer.
Ao erguer a cabeça, congelei ao ver Giovanni atravessar o corredor abobadado a minha frente. Ele já estava de volta? Como não percebi que já havia passado dois anos? Meu coração batucava e eu mal conseguia respirar.
Giovanni conversava com algum professor e ainda não havia me visto. Sem saber o que fazer cravei as unhas nos braço de Gus que resmungou assustado. Contudo ao perceber meu ex-namorado logo a frente ele compreendeu minha angustia e me olhou também sem saber o que fazer.
— Devia falar com ele. — Rodrigo disse em um sussurro.
— Não. — falei ao dar meia-volta. — Vamos por outro caminho.
— Ei! Professor Giovanni. — Drigo me ignorou e acenou de modo escandaloso para o outro. Quis chutá-lo.
Eu e Gustavo nos olhamos sem acreditar quando Giovanni acenou de volta e começou a vir em minha direção com um largo sorriso. Senti-me incapaz de me mover, havia milhões de bichos se retorcendo em meu estômago.
Droga! Pensei que não me importaria em vê-lo, mas pelo jeito esse semestre na faculdade seria bem angustiante. Não sabia se me sentia feliz, magoada ou era apenas uma reação natural pela surpresa de ter visto alguém que amei tanto.
— Então está de volta? — Rodrigo sorriu largo para ele.
— Estou feliz de estar de volta. — ele respondeu com os olhos presos aos meus.
— Também ficamos felizes com seu retorno. — disse sem pensar. Desviei o olhar para os livros em minhas mãos. Por que disse algo assim? Isso não era certo!
— Emily, você está maravilhosa, — ele sorriu sincero. — Este um ano e meio te fez bem. Está com um jeito mais maduro.
Era como se só estivesse nós dois naquele corredor. Aceitei o elogio com um sorriso tímido, apesar de mais madura poder significar tanta coisa. Era muito estranho estar ali parada com ele a minha frente, não sabia onde colocar as mãos e nem o que dizer.
— Bem, preciso ir. — sua voz soou insegura. — nos vemos pelos corredores?
— Talvez. — falei de modo sincero. Afinal não sabia se queria vê-lo novamente. Por que nos encontraríamos? Para fingir sermos amigos? Por educação? Por amor? Não, por amor não. Essa parte de meu coração estava enterrada e assim deveria continuar.
Soltei o ar com força quando ele se afastou, tentava me reorientar e continuar meu caminho para a sala de aula. Os olhos de Gustavo e Rodrigo fitavam-me ansiados por conversar sobre o que havia acontecido ali naquele corredor.
— Quero ressaltar o modo como Giovanni quase te engoliu com os olhos. — Rodrigo sorriu. — Giovanni ainda gosta de você, tenho certeza!
— Tenho que concordar com meu namorado. — Gustavo suspirou de modo encantado. — O professor não tirou os olhos de você.
— O que você vai fazer, Emily? — Rodrigo provocou ao manter seu um sorriso tolo no rosto.
— Giovanni é passado. — atirei as palavras ao vento, como se isso as transmutassem em verdades. — Meu namorado é o Marcelo.
— Não se engane! — Rodrigo segurou de leve meu braço para me impedir de fugir de suas inquietações. — Sério? Vai continuar insistindo que ama o Marcelo? Eu sei que se divertiu com ele, mas deveria considerar a possibilidade de conversar com Giovanni e ver o que acontece.
— Para quê? Estou feliz com Marcelo. — tentei firmar minha voz. — Giovanni que volte para sua vida e me deixe em paz. — bufei.
— Emily, Rodrigo está certo. — Gus disse quase como se quisesse se desculpa. — Você e o Marcelo não combinam, talvez devesse dar uma chance a Giovanni. — eu o admirei, abismada, ele nunca havia comentado nada negativo de Marcelo. Ele fitou o chão. — Desculpe. Não falei antes porque você parecia feliz. Enganada, é verdade, mas feliz. – Gustavo suspirou. — É hora de refletir, Emily. Quando teus olhos brilharam ao ver Marcelo? Quando vocês conversaram profundamente e com cumplicidade? Quando seu coração se acelerou por ele?
— Tenho vinte e um anos, não sou mais adolescente para acreditar nestes contos de fadas de grandes paixões. — defendi-me. Por que eles decidiram me atormentar agora? Giovanni me deixou e depois me traiu, por que eles ainda o defendiam.
— Não falo de paixão, falo de amor, Emily. — Gustavo disse e buscou reforço em Rodrigo que acenava positivamente. — O Marcelo pode ser legal para outra pessoa, não para você. Ele é praticamente o oposto do que você sempre acreditou. Ele dá muito valor ao dinheiro e ao carro, não consegue conversar sobre nada além do trabalho.
Silencie-me. Eu sentia-me bem ao lado de Marcelo, seguia uma vida calma sem altos e baixos, sem brigas ou inseguranças. Nenhum dos meus amigos é capaz de compreender isso?
— Me responder o que te encantou no Marcelo quando o viu? — Rodrigo questionou. Diante de meu silêncio frustrado, ele continuou. — Aposto que o que gosta nele é o modo como ele sorri, seus lábios.
— Sim. — disse secamente, me sentia pressionada. — O sorriso dele me conforta.
— Já percebeu que Marcelo sorri igualzinho ao Giovanni? — Gustavo completou com olhos arregalados como se me revelasse um segredo.
Sem saber o que dizer a eles e ao meu coração, apressei o passo e os deixei para trás. Todo o sentimento cuidadosamente costurado durante o semestre simplesmente estava estraçalhado.
Sim, no meu secreto íntimo, eu sempre soube disso. O sorriso de Marcelo enganava meu coração, trazia-me uma segurança semelhante a que sentia ao lado de Giovanni.
Meu mundo despencou. Eu tentei enganar meu coração com um substituto e acabei enganando o Marcelo também. Experimentei uma sensação amarga de culpa. Como eu pude fazer isso com Marcelo?
Penalizei-me por Marcelo, contudo meus pensamentos foram preenchidos por algo diferente, algo não esquecido: Giovanni.
Ele será o mesmo Giovanni do tempo em que eu o amei? Eu sinto como mudei. E se ele não se agradar da nova Emily? E se eu não sentir mais nada pelo novo Giovanni? E se tudo for apenas uma fixação idiota de meu cérebro adolescente do passado?
Ver Giovanni foi visceralmente estranho, mas minha consciência me avisava que havia decorrido muito tempo. As coisas mudam e, na maioria das vezes, não tem mais volta.
Apertei meus olhos, nãodeixaria que as lágrimas saíssem. Eu posso apenas estar abalada com sua volta,mas na verdade, quem sabe, eu ame mesmo o Marcelo, aquele que estava ao meulado e não tinha me abandonado ou me traído. Marcelo era meu namorado e eudecidi que assim continuaria.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Jovem Amor
Storie d'AmoreExiste idade certa para amar? Giovanni é professor na faculdade de Biologia e acaba de se separar de sua mulher. Ele não tinha muito a ver com Rebeca desde o princípio e o passar dos anos só fez aumentar a distância que havia entre eles. Emily n...
