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51. O outro - Giovanni

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Retirei-me para a sala dos professores, respiração e coração descompassados. Meus sentimentos se embolavam em ódio, medo, amor, ansiedade e tristeza.

Pedro entrou distraído na sala e ao me ver tentou me evitar. Aligeire-me em tirar satisfações:

— Pedro! — gritei um pouco descontrolado, quase desesperado. — Me diga por que seu primo estava beijando Emily hoje cedo aqui na faculdade.

— Não fique zangado! — ele esboçou um sorriso constrangido ao tentar me dar um tapinha amigável nas costas, recuei ao fitá-lo com seriedade. — Eu apenas a convidei para uma festa. Ela começou a namorar o meu primo por vontade própria.

— Namorados! — senti o desamparo crescer. Ele - apenas me olhava confuso. — Quanto tempo eles namoram?

— Sei lá, talvez um semestre.

— Como não me contou nada? — bufei, ao me afastar dele. Afinal, não queria repetir o soco dado tempos atrás. — Que espécie de amigo você é?

— Comentaria por quê? Você estava longe. — ele esboçou um sorriso nervoso. — Achei que você já estivesse em outra! Não estava saindo com a brasileira?

— Não importa. Deveria ter me contato. Por que a convidou para suas festas? — andei alguns passos desnorteado pela sala vazia e retornei à frente de Pedro. — Puxa, Pedro! Namorando seu primo, isso é um ultraje!

— Desculpa por não ter contado, mas sabe que quem ela beija ou deixa de beijar não tem nada a ver comigo, não sabe? Ela é uma pessoa independente.

— Eu sei. — me encostei-me ao canto da mesa com a cabeça apoiada nas mãos. Pedro pigarreou como se buscasse algo a dizer. Olhei-o. — Tudo bem, Pedro. Só estou surpreso.

— Giovanni, eu disse que se apaixonar era algo ruim. Não quis me ouvir, agora está aí há mais de ano se estressando por causa de uma ruiva. — ele riu. — Ela é legal e tudo mais, mas não vale esse sofrimento todo.

— Valeu pelo apoio. — Ri compreensivo para Pedro. Afinal ele não poderia entender o que era amar, isso não fazia parte de sua realidade. — Agora não dá para voltar atrás.

— Cada um com seus infortúnios. — ele tocou meu ombro em sinal de apoio e saiu.

Pedro me deixou sozinho na sala com meus pensamentos. Saber que ela se envolvera emocionalmente com alguém ao ponto de desejar iniciar um relacionamento sério era extremamente doloroso. Eu desconfiava que Emily estivesse saído com algum homem, talvez compartilhado algo mais carnal como eu fizera... Mas ter um namorado nunca se projetou em minhas fantasias torturadas.

Imaginar ela nos braços de outro já era insuportável! Além de ter essa certeza, pensar em como eram as conversas deles, que lugares iam, se riam juntos, que tipos de cumplicidades existiam, quais planos de futuro fizeram era simplesmente surreal.

Apoiei novamente a cabeças em minhas mãos, sem ser capaz de sair dali, não consegui acreditar que mais uma vez estive tão perto de me reconciliar com o meu verdadeiro amor e isso me escapou novamente. Ela amara outro, namorara outro! Ou seja, seu coração não batia mais por mim. Frustrado, resolvi esquecê-la.

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